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Você emprestava dinheiro aos Portugueses?

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Quando surgiram as primeiras notícias sobre a eventual recusa da Finlândia em subscrever o pacote de ajuda a Portugal escrevi no meu Facebook que, sendo nós dez milhões e eles apenas cinco, talvez pudéssemos invadi-los. Logo um amigo respondeu que, infelizmente, não teríamos sequer dinheiro para comprar as sandes para o caminho.

Brincadeiras à parte, confesso que acho o vídeo agora promovido pela Geração C, tornado em fenómeno viral pela internet e que chegou já à televisão Finlandesa, bastante divertido. É inócuo e suficientemente tongue-in-cheek para não ser completamente levado a sério. As reacções foram diversas, cá e lá, mas felizmente a inteligência e o sentido de humor parecem estar a prevalecer, como dá conta o recente tweet de Alex Stubb, Ministro dos Negócios Estrangeiros Finlandês.



Uma pergunta fica, no entanto, da visualização deste pequeno filme. Uma pergunta que os Portugueses, porventura mais do que quaisquer outros, não deixarão de fazer. Afinal, tendo uma herança tão rica, um tão enorme potencial, com provas dadas de voluntarismo, engenho e generosidade, porque nos encontramos então à beira da falência?
Por que razão essas qualidades não prevalecem no modo como nos governamos e organizamos enquanto sociedade, vindo ao de cima o pior de nós todos: a desvalorização do trabalho, a falta de exigência ética, a complacência com a corrupção e a cedência aos interesses mais mesquinhos.
Têm razão alguns Finlandeses que não se esqueceram de nos recordar que vivem num dos países com mais baixos índices de corrupção do mundo. Infelizmente o mesmo não se pode dizer de Portugal.

Entre nós falamos de corrupção como se de um fenómeno estanque se tratasse. Como se a corrupção não significasse, em sentido lato, uma degeneração social resultante do somatório dos nossos comportamentos colectivos. E se nos questionássemos sobre isto, sem rodeios? Seremos desonestos?
Em boa verdade tomamos o atropelo das regras como algo usual no nosso modo de viver. Desrespeitamos os limites de velocidade na estrada e achamos normal. Como normal é utilizar o telemóvel durante a condução. Descarregar rotineiramente filmes da internet. Utilizar software ilegal. Sabotar a televisão por cabo ou a rede wi-fi do vizinho. Ludibriar o cartão de ponto ou fugir à declaração de rendimentos.

Somos tantas vezes isto, das pequenas às grandes coisas. E tudo achamos tolerável, auto-justificável, normal. Em nós como nos que nos governam, pois que de outra forma não poderíamos tolerar a falta de honestidade, a encenação e a negação dos factos ao mais alto nível das funções do Estado.
E isto eu já não sei explicar ou vislumbrar sequer uma réstia de sentido. Confesso sentir-me fazer parte não já de uma minoria mas de uma minoríssima. E tão certo julgo esta intervenção externa necessária, como julgo não sermos merecedores dela. Afinal, você emprestava o seu dinheiro aos Portugueses?


6 Messages to “Você emprestava dinheiro aos Portugueses?”

  1. Blogger Diogo Lima 

    Não podia estar mais de acordo! Também sinto que faço parte de uma minoríssima.

  2. Anonymous lourdes Féria 

    Completamente de acordo. Por vezes, em relação à maioria dos das pessoas deste país com a cabeça feita, sinto-me como os protagonistas do filme Lost in Translation da Sofia Coppola. Gosto muito do seu Blog

  3. Anonymous Anonymous 

    Até podia emprestar, mas na actual situação, e acautelando o altíssimo risco talvez a 75% de juros.

    Pedro Caldeira

  4. Anonymous Anonymous 

    Mas se entrasse em consideração a minha nacionalidade, emprestava sem restrições mas com condições fortíssimas e para cumprir. Utopia é sempre bom.

    Pedro Caldeira

  5. Blogger Cromo da Bola de Neve 

    like

  6. Anonymous Anonymous 

    se os portugueses fossem disciplinados e soubessem que com isso ganhavam mais do que ao se comportarem desta maneira, nada disto teria acontecido... é extraordinária (inteligente) a atitude do Ministro Finlandês... something that we'll (soon) never understand...

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    The architecture blog A Barriga de um Arquitecto / The Belly of an Architect (written in bilingual Portuguese-English) is mainly focused on contemporary architecture and urban design, covering recent works from Portuguese architects as well as projects of international significance.

    My name is Daniel Carrapa. I was born in Lisbon, Portugal, in 1973. I’m an architect living in Évora, a nice historical town that was included in the World Heritage List by UNESCO in 1986. I’m married, have 4 cats – Matilde, Patanisco, Olivia, Lisa – and 1 dog – Moby. Moby is a three-legged dog. He’s okay. I graduated as an architect in 1996 (FAUTL Lisbon Faculty of Architecture). I am also an authority on cat litter and will provide expert advice upon request.

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