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Lá em cima



Diz-nos a NASA que Mercúrio passa entre a Terra e o Sol cerca de treze vezes em cada século, num raro evento astronómico a que chamamos de Trânsito de Mercúrio. Esse fenómeno ocorreu ontem, 9 de Maio, e este vídeo apresenta uma composição de imagens recolhidas pelo Solar Dynamics Observatory (SDO) através de vários instrumentos de captura de luz e radiação electromagnética. Via Kottke

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Duas imagens que marcaram a semana científica que passou. Na primeira, uma vista do Cometa 67P/C-G captada no dia 27 de Março pela nave Rosetta, à distância de 329 quilómetros do seu núcleo, brilhando à contra-luz no alinhamento perfeito com o Sol. Na segunda imagem, o veículo da NASA Opportunity, cuja missão em Marte dura há mais de 4 mil dias, regista a formação de um remoinho de vento na superfície do planeta vermelho.

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Novas imagens captadas pela sonda New Horizons durante a sua passagem por Plutão, desta vez registando a textura do distante planeta-anão com grande detalhe. A paisagem dramática revela o efeito de complexas forças geológicas, contrastando a extensa planície gelada do Sputnik Planum com a região montanhosa de al-Idrisi. Via Gizmodo e NASA.

Tempos pouco científicos



Preocupa-me que, à medida que nos vamos aproximando do novo Milénio, a pseudo-ciência e a superstição possam parecer, com o passar dos anos, cada vez mais tentadoras, e o canto de sereia da falta de razão mais sonora e atrativa.

– Carl Sagan, «Um Mundo Infestado de Demónios: A Ciência Como Uma Luz Na Escuridão», Edições Gradiva, 1997 (1ª Edição).

Poucas são as vozes que vêm reflectindo sobre a passividade da classe política perante esse cilindro compressor de cultura em que se tornou o fenómeno televisivo – o crítico de cinema João Lopes é, entre nós, uma das raras excepções. É nesse panorama de silêncio e complacência generalizada, em que a televisão vai instituindo formas de entendimento do mundo fundadas na pré-formatação do pensamento e no preconceito estético, que também a Ciência se vai tornando numa das suas trágicas vítimas.

Parecem assim confirmar-se os receios que Carl Sagan exprimiu relativamente a este novo Milénio; um tempo vulnerável à ascenção da pseudo-ciência e da superstição, perdendo-se a compreensão da importância da Ciência como instrumento essencial para a sustentação de uma sociedade democrática.
Em boa verdade, a televisão tornou-se hoje o palco apoteótico da decadência do pensamento científico. Canais generalistas de televisão dedicam horas de emissão a programas de astrologia e “consultas” de tarot. Nos canais de “documentários” do cabo somos brindados com uma parafernália de programas de ocultismo e casas assombradas, videntes que falam com os mortos, visitas de extraterrestres e caçadas a figuras míticas como o abominável homem das neves. O prospecto é desanimador.



Uma das lições mais tristes da História é esta: se tivermos sido enganados durante o tempo suficiente, tendemos a rejeitar qualquer evidência do embuste. Deixamos de estar interessados em descobrir a verdade. O engano capturou-nos. É simplesmente demasiado doloroso reconhecer, até para nós próprios, que fomos ludibriados. A partir do momento em que entregamos o poder a um charlatão sobre nós mesmos, dificilmente o teremos de volta. Assim, o velho engano tende a persistir, enquanto outros despontam.

– Carl Sagan, «Um Mundo Infestado de Demónios: A Ciência Como Uma Luz Na Escuridão», Edições Gradiva, 1997 (1ª Edição).

Aspecto paradoxal nestes tempos pouco científicos em que vivemos: que à generalização da pseudo-ciência tenha correspondido também a instituição da mais indigente forma de tecnocracia. Exemplo disso é o modo como a informação económica se reveste tantas vezes de um risível exercício de “psicanálise dos mercados”, despojado de qualquer profundidade analítica. Na Economia, como em tantos outros campos de actividade intelectual, os especialistas deixaram de ser pensadores da complexidade do mundo para desempenharem apenas uma função na construção de visões sectárias da realidade. Afinal, no tempo sempre curto da televisão não há lugar à análise; tudo é síntese.

Momento superlativo dessa degradação do pensamento encontramos, como não podia deixar de ser, no próprio campo de debate político. Não está em causa o entendimento pueril de julgarmos que duas pessoas com a mesma informação chegam necessariamente às mesmas conclusões”. Na verdade, como nos disse Carl Sagan, a Ciência está longe de ser um instrumento perfeito de conhecimento. É apenas o melhor de que dispomos. A esse respeito, como em tantos outros, é um pouco como a Democracia. (…) A Ciência convida-nos a deixar os factos entrar, mesmo quando estes não se conformam com os nossos pressupostos.
Aconselha-nos a considerar hipóteses alternativas na nossa mente e verificar qual é aquela que melhor se enquadra com os factos. Confronta-nos com o balanço difícil entre estarmos incondicionalmente abertos a novas ideias, por mais heréticas que possam parecer, e o mais rigoroso escrutínio céptico de tudo – tanto das novas ideias como da sabedoria estabelecida. Este tipo de pensamento é também um instrumento essencial para uma Democracia num tempo de mudança
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Citação no texto: «Why We Need To Understand Science», The Skeptical Inquirer Vol. 14, Issue 3, 1990.

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A sonda Cassini, orbitando presentemente sobre Saturno, captou estas imagens de Enceladus, a sua enigmática lua gelada. Aproximando-se a apenas 50 quilómetros da superfície, a sonda registou os detalhes extraordinários da textura lunar deste peculiar mundo alienígena. Estas imagens foram recebidas pela NASA no passado dia 28 de Outubro. Via The Antikythera Mechanism.

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Pôr-do-sol em Plutão. A imagem agora revelada pela NASA foi captada pela sonda New Horizons durante a sua passagem junto ao planeta-anão, a apenas 18.000 quilómetros da superfície, no dia 14 de Julho deste ano. Via Kottke.

Tão longe, tão perto



Wanderers, uma curta metragem de Erik Wernquist que nos leva numa viagem imaginária a lugares próximos do Sistema Solar, acompanhados pelas palavras imortais de Carl Sagan. Dos anéis de Saturno aos campos gelados de Europa, sobrevoando as nuvens de Titan ou descendo um elevador espacial em Marte, um filme inspirador sobre o sonho da exploração do espaço pela Humanidade. Talvez um dia. Via io9.

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A nave Rosetta vista do veículo auxiliar Philae pouco tempo depois da separação. Hoje, 12 de Novembro de 2014, às 16:04 GMT, o pequeno Philae aterrou no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Imagem via European Space Agency.

Adenda: Eis a primeira fotografia captada pela sonda Philae depois de pousar na superfície do cometa 67P/C-G. Apesar das adversidades, o relato da missão continua empolgante.

Adenda (2): Após uma manobra de aterragem difícil, com três contactos distintos com a superfície, a Philae acabou por pousar numa zona irregular do cometa 67P. A insuficiente exposição ao Sol ditou a incapacidade de recarregar as baterias da pequena sonda. Os controladores da ESA viram-se assim na contingência de aproveitar as suas poucas horas de autonomia para levar a cabo diversas experiências, que foram bem sucedidas. Depois de enviar os dados recolhidos a Philae entrou em modo silencioso, situação que deverá perdurar muitos meses. Mantém-se a esperança que, no próximo Verão, a sonda receba luz solar suficiente para regressar à actividade. Ficam, por agora as magníficas imagens da paisagem alienígena do cometa, bem como uma reflexão no BLDGBLOG sobre o seu carácter bizarro e matematicamente complexo.

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Auto-retrato da nave Rosetta tirado a menos de dez milhas do cometa 67P/C-G. A 12 de Novembro o veículo auxiliar Philae irá separar-se da nave-mãe para deslocar-se até à sua superfície gelada. Via io9.

100,000 Stars



100,000 Stars is an interactive map of the Milky Way galaxy, and guess what, it’s full of stars. No starship required, your browser will do. And if you’re looking for your daily dose of astronomical inspiration, make sure to watch the latest version of Carl Sagan’s The Pale Blue Dot. Spoiler: Mariah Carey is in it. Via io9.

100,000 Stars é um mapa interactivo da Via Láctea e, como podem imaginar, está cheio de estrelas. Não é necessária nave espacial, o vosso browser da internet é suficiente. Caso estejam à procura da vossa dose diária de inspiração astronómica, não percam também a última versão do famoso discurso The Pale Blue Dot de Carl Sagan. Via io9.

Viajante um



É provável que esta notícia – Humanity escapes the solar system: Voyager 1 signals that it has reached the edge of interstellar space - 11billion miles away – não ocupe lugar de destaque nos telejornais. E trata-se, no entanto, de um dos nossos maiores feitos. Nunca uma construção humana esteve tão longe de casa. A Voyager 1 abeira-se dos limites do sistema solar, atravessando a heliosfera em direcção ao espaço interestelar.

O artigo dá-nos conta de como a pequena sonda, construída e lançada pela NASA em 1977, ainda hoje comunica com a Terra através de um frágil sinal rádio. Entre as suas muitas tarefas, Carl Sagan considerou que seria uma boa ideia captar uma última fotografia do nosso planeta, à passagem de Saturno. Daquela distância a Terra seria apenas um pequeno ponto de luz, indistinto de tantos outros astros que preenchem o horizonte da galáxia.

Um facto conhecido entre os cientistas e os filósofos da Antiguidade – que habitamos um pequeno ponto no vasto Cosmos – era agora visível pela primeira vez aos olhos da Humanidade. A imagem, captada em 1990, ficará para sempre conhecida como The Pale Blue Dot.
A Voyager 1 prossegue a sua viagem, cumprida a sua missão principal de alcançar o limite do nosso sistema. Até quando falará connosco, navegando o profundo vazio nas ondas do vento interestelar?…

The Feynman series



Do mesmo autor de The Sagan Series chega agora o projecto The Feynman Series. Neste primeiro filme Richard Feynman fala-nos do seu entendimento da beleza e das muitas dimensões em que esta existe e se manifesta na natureza. Vários episódios já disponíveis no YouTube, para relembrar aquele que é unanimemente reconhecido como um dos grandes génios do século XX.

Who is visiting the Moon these days?



E enquanto andávamos distraídos com a vida lá fora eis que chegaram dois novos filmes da série The Sagan Series, SETI Decide To Listen e End Of An Era: The Final Shuttle Launch.
Já aqui publicados anteriormente: Earth: The Pale Blue Dot, Life Looks For Life, A Reassuring Fable e NASA Per Aspera Ad Astra.



While I was being distracted with life in the outside world, The Sagan Series launched two new videos: SETI Decide To Listen and End Of An Era: The Final Shuttle Launch.
If you’ve missed the previous episodes, here are the links: Earth: The Pale Blue Dot, Life Looks For Life, A Reassuring Fable and NASA Per Aspera Ad Astra.

Mil e duzentos milhões de quilómetros



Cassini Mission é um pequeno filme composto por Chris Abbas a partir de imagens transmitidas pela sonda Cassini, em órbita no planeta Saturno desde 2004.
Um entre milhares de vídeos que aparecem na Internet todos os dias, passará porventura pelos olhos do mundo como uma pequena curiosidade de infoentretenimento. Aos que aqui passam fica o comentário de um não-cientista. Que em toda a história da Humanidade, a nossa é a primeira geração de humanos a vislumbrar tais paisagens. E que por detrás da experiência Kubrickiana de dois minutos está uma longa viagem da Ciência, só equiparável aos mais de mil e duzentos milhões de quilómetros que nos separam de Saturno. O mais extraordinário é que, mais difícil do que construir a tecnologia das máquinas, tenha sido desbravar os mistérios da física e da astronomia que tornaram tudo isto possível.
Chris Abbas é designer e cineasta e trabalha na firma Digital Kitchen em Seattle. Via Capítulo 0, um excelente blogue do jornalista galego Manuel Gago.

Per aspera ad astra



É a quarta parte da série de pequenos filmes de tributo a Carl Sagan, desta vez em torno das adversidades encontradas pelo Homem na busca por conquistar o Espaço. Para continuar a acompanhar na página The Sagan Series no Facebook.
Já publicados anteriormente: Earth: The Pale Blue Dot, Life Looks For Life e A Reassuring Fable.

Uma fábula reconfortante



We long to be here for a purpose, even though, despite much self-deception, none is evident. The significance of our lives and our fragile planet is then determined only by our own wisdom and courage. We are the custodians of life’s meaning. We long for a Parent to care for us, to forgive us our errors, to save us from our childish mistakes. But knowledge is preferable to ignorance. Better by far to embrace the hard truth than a reassuring fable.

Terceira parte de uma série de filmes de tributo a Carl Sagan. Um excelente trabalho que pode ser seguido na página The Sagan Series no Facebook. A não perder os vídeos anteriores: Earth: The Pale Blue Dot e Life Looks For Life.

Vida em busca de vida



Life Looks for Life é a segunda parte de uma série de pequenos filmes de tributo a Carl Sagan, recordando as suas reflexões sobre a condição humana neste Pequeno Ponto Azul, rodeados de escuridão. Para continuar a seguir na página The Sagan Series no Facebook. Novamente, via The Dark Side of the Force.

A fronteira está em toda a parte



Earth: The Pale Blue Dot é um pequeno filme que nos traz a grandeza das palavras de Carl Sagan. Porque há mais vida para lá daquilo que nos rodeia. Via The Dark Side of the Force.

Not even the truth will set them free

Michael Specter’s presentation on TED – The Danger of Science Denial – is a fascinating reflection on the many ways in which our society is becoming unscientific. It’s a good introduction to some of the ideas explored in his book Denialism, examining the many ways in which people are rejecting knowledge supported by scientific data to embrace what often seem to be comfortable fictions. As an example, Michael brings forth the debate between organic versus genetically modified food, and how it has become a purely rhetorical debate of ideological outlines having nothing to do with science. And this I find really interesting because I believe has correlation with what’s happening with sustainability regarding many fields of knowledge, architecture included, and how it’s also establishing itself as an ideology, propped up by design trends the likes of green rhetoric, and not as the subject of scientific investigation based on quantifiable data.
Another interesting notion brought up on his presentation is our negative notion of progress which reflects our common disbelief for institutions and dread for the corporate world. This may be justifiable in many ways, but has also triggered our society into becoming one of the most conservative in human history. Why is it that we have such a deep ambivalence towards progress, towards change? Why is it that we often express such a strong disbelief for ourselves? Michael Specter brings forth some powerful questions, remembering us that we’re entitled to our beliefs, to our fears, but we’re not entitled to our own facts. And if we’re not searching for knowledge, based on truthful observation, on causality and correlation, then, as he eloquently puts it, not even the truth will set us free.

How hard it is to know something

I was listening to this old interview with Richard Feynman and it occurred to me how architects also present themselves as experts on something that is ultimately a subjective form of practice.
Architecture is not a pseudoscience, but it is not a science either. Architectural design relies on a subjective process of discovery that seeks to establish a structured construction of ideas; a sense of logic. We are required to provide solutions that are demonstratable, in one way or another, and so it is that we often find ourselves facing an ambiguous paradox. Because our whims are not recognized as a respectable foundation for a design we perform to our best ability as credible professionals, as we try to sustain some kind of scientific argumentation upon which we can assemble our ideas.
But how is it that we can establish logic from subjectivity. Yes, we collect data, we experiment with theoretical hypothesis, we ponder over the consequences, but in the end there are no deterministic laws that induce a specific solution or design. What drives us from A to B is a very subjective process we’ve come to know as creativity.
Maybe we can understand this better if we take note of what António Damásio wrote on his essay Descartes’ Error: Emotion, Reason, and the Human Brain. He demonstrates that the absence of emotion in fact compromises the decision process, the human capacity of being rational. Maybe we can say, in very simple terms, that we need our subjectivity to be objective. It is through subjectivity that we are able to establish priorities and make sense of what is relevant and important.
It’s interesting how contemporary architecture has developed processes, like programmatic strategizing and creative diagramming, in the attempt to nurture a more solid foundation for its practice. To become more scientific, perhaps? But the truth is we rely on certain ideas we accept as valid by default. We hardly question what we already know, but how is it that we know what we know? Take sustainability, for example, and how it has so often become an aesthetic discourse. Green roofs, rotatable buildings, vertical farms; concepts seldom questioned on quantifiable terms. In urbanism these flaws are even more dramatic. We understand that lower densities will determine greater energy costs, and higher densities will result in more complex social realities. Some people say that taller housing buildings can be directly associated with certain forms of criminal behavior, resulting in higher crime rates. Maybe it’s true, maybe it isn’t. But again, we’ve hardly established any demonstratable laws to quantify these realities, and still we are expected to develop accurate solutions that take these problems into consideration.
The truth is that we elaborate upon a painstaking process of trial and error. And we have large margins for error. Paraphrasing Feynman’s own words: I don’t know the world very well. That, my friends, is not humility. Just a scientific mind at work.