|konnichiwa|

Segunda-feira

[via Tawawa] A weblog is like a big party thrown at somebody’s house with a bunch of conversations going on at the same time. A weblog is like a diary, except that it’s indistinguishable from a diary. A weblog is like a web directory, except it has fewer dead links and better commentary on those links, and more timely links anyway, and, above all, it orders those links chronologically instead of ordering them by subject categories. A weblog is like a Japanese breakfast with miso soup, pickles and rice, except you don’t run the risk of having natto served up with it.

Alguns blogs japoneses:
Tawawa, Alive In Kyoto, Achikochi, asbCreative, Vu Deja, Antipixel, Sushicam, Sentimental Pixels, 35 Degrees Of Japan, Bastish, Pure Land Mountain.

|intraduzível|

Sexta-feira

A nossa cultura assenta em grande parte no poder da palavra. Assumimos a linguagem verbal como a base em que reside o conhecimento de cada povo. Há mesmo quem afirme que a riqueza de uma cultura se pode medir pela quantidade de vocábulos que existem na sua língua. Em certa medida isto é verdade. O idioma de um povo contém o universo descritivo essencial e próprio de cada sociedade. Aquilo que nós chamamos apenas de “lua” ou “sol” podem ser elementos que noutras línguas dispõem de grande quantidade de vocábulos para definir os seus estados de observação, ou seja, diferentes substantivos para as várias formas que pode ter uma só entidade. Existem no entanto outras linguagens como a dança, a música, a arquitectura e um número infindável de outras formas de expressão e comunicação humanas. A essas linguagens chamamos de “não verbais”.
Porque temos uma predisposição para verbalizar o pensamento tendemos a aceitar que todos os conceitos das outras linguagens são traduzíveis para palavras. No entanto existe em cada uma delas processos específicos de expressão, estritos ao seu universo próprio. As linguagens não verbais também são formas de expressão da inteligência e da cultura humana, e em certa medida existe entre cada uma delas um nível de intraduzibilidade daquilo que é intrínseco a si mesma.
O filme Filhos De Um Deus Menor (1986) dá um belo exemplo da dificuldade de comunicar para lá da língua. James (William Hurt), um professor de terapia da fala, está em casa com Sarah (Marlee Matlin), uma intrigante mulher surda com quem se envolveu romanticamente. James está a escutar um disco, ouvindo um belo concerto para violino, de Bach, e Sarah pede-lhe que lhe mostre como é a música. James tenta transmitir-lhe a emoção e beleza da melodia triste que sai do gira-discos, através de uma mistura de dança com linguagem gestual, movendo o corpo, abanando os braços, torcendo-se, agitando-se. Tenta repetidamente expressar tudo o que lhe inspira aquela música, até que desiste, pára, olha para Sarah e diz: “Não consigo”.
Podemos através de palavras descrever uma música até à exaustão, definir os sentimentos que a percorrem, analisar o ritmo, a métrica, a forma em toda a sua complexidade, e no fim quem nos ouvir será incapaz de reproduzir a música de que falamos. Podemos categorizar a natureza dos espaços de um edifício, aqui austero, ali esbelto, teatral, místico, opressivo, libertador. No entanto, todas as descrições são parcas quando comparadas com a experiência de sentir a arquitectura de um lugar. Interessam-me os aspectos próprios da linguagem arquitectónica, aqueles que têm pouca expressão fora dela. Por exemplo, a ideia do “abstracto” na arquitectura é uma ideia da arquitectura “ela mesma”, tal como a construção dissonante na música é um diálogo estrito do universo da música. Parece-me complexo, e ao mesmo tempo assustador, o mergulho numa linguagem não verbal, porque é algo que choca com a natureza adquirida do nosso pensamento. E no entanto, é para lá das palavras que se alcançam várias formas de experimentar a inteligência e se constroem as outras linguagens que desde sempre o homem sentiu necessidade de expressar.

|pensar|pelo|desenho|

Quinta-feira

Um texto do City Of Sound deixou-me a pensar em algo que o Frank Gehry dizia sobre o método utilizado para projectar o Museu Guggenheim de Bilbao. Contava o arquitecto americano que ao utilizar as maquetes para projectar, fazendo modelos a diferentes escalas, alterando, filmando, refazendo, estava a conceber um objecto arquitectónico que não conseguiria criar somente através de um computador. As técnicas que se utilizam para projectar têm repercussão no resultado final, na sua forma e mesmo na sua linguagem.
Dificilmente se poderá pôr em causa a inovação e os benefícios das ferramentas de projecto que os computadores colocaram à nossa disposição. Apesar da sua face mais espectacular, que se reflecte nos modos como hoje se consegue comunicar (e vender) a arquitectura, pela capacidade de “mostrar” ao espectador o produto com uma grande fidelidade, o impacto do computador na arquitectura vai muito para além disto. A optimização de recursos e a capacidade de gerir melhor aquilo que é importante modificou a nossa abordagem de trabalhar e de pensar. Mais do que isso, os computadores permitiram aos arquitectos trabalhar as “formas” da arquitectura e visualizá-las, manipulando-as de maneiras que antes eram impossíveis sequer de imaginar. No entanto, não nos devemos esquecer que outras formas de pensar arquitectura permitem encontrar resultados diversos. Os métodos de projectar como a maquete ou o desenho manual não devem, eu diria mesmo que não podem, ser esquecidos porque nos oferecem processos diferentes de se pensar arquitectura.
O caso do Museu Guggenheim é curioso porque quando a equipa de Gehry alcançou aquilo que julgava ser o resultado final, através de uma maquete, resolveu “digitalizá-la”. Dada a complexidade do objecto que haviam construído, tiveram de encontrar novos métodos de o fazer. Com uma máquina utilizada na medicina para digitalizar pontos num espaço tridimensional (usada na reconstrução óssea), atribuindo coordenadas medidas através de um braço mecânico com um sensor na extremidade, os arquitectos de Gehry transferiram a maquete física para uma nuvem de pontos virtuais no computador, reconstruindo posteriormente a maquete, agora digital. O novo modelo serviu de base ao trabalho de engenharia, para construir o esqueleto estrutural do edifício que dificilmente poderia ser resolvido sem o apoio do computador.
Este casamento de diferentes técnicas é uma demonstração das possíveis complementaridades dos métodos de projectar. Sem preconceitos, o que é necessário é habilidade e inteligência para abordar problemas antigos de formas novas, aquelas que melhor se adequarem ao percurso de projecto que cada um pretender seguir. Porque seja em que milénio for, um bloco e um lápis talvez sejam sempre uma forma rápida e eficaz de se chegar à imaginação.

|new|york|blogs|

Quarta-feira

O que é um blog se não um caderno de apontamentos digital? Podem anotar-se pensamentos, escrever poemas, rascunhos, colar desenhos ou fotografias, rasurar e até rasgar as páginas. A parte interessante é podermos todos vasculhar os cadernos uns dos outros. Julgo que é um traço de alguma generosidade que alguém como José Pacheco Pereira, goste-se mais ou menos da sua orientação partidária, abrir no Abrupto uma janela para a sua mente e dar a conhecer os assuntos que lhe interessam, que o comovem, que o aborrecem, as referências com que constrói o seu dia a dia. Um blog pode ser uma janela para essa “electric mind”, o intelecto digital que cada um quiser inventar para si. Esse tipo de blog, com exposições pessoais daquilo que nos interessa independentemente da correspondência com o interesse dos outros, parece-me apesar de tudo mais atraente do que aqueles que são assumidamente políticos no discurso e na agenda.
Mas o blog é apenas o suporte, a criatividade faz o resto. Gosto de blogs que nos fazem pensar no que está para trás do que ali se escreve e se mostra. Gosto de blogs com percursos, como O Céu Sobre Lisboa. Quem é esta pessoa? Que histórias são estas? Esses são para mim os blogs mais fascinantes, aqueles que dizem “vem comigo, vou mostrar-te coisas que não conheces”.

Descobri recentemente que os blogs são uma maneira nova de se viajar. E que tal ir hoje passear por Nova Iorque. Gosto de visitar Rachelle Bowden, uma designer nova-iorquina que partilha fotografias da cidade, dos amigos, do trabalho, do almoço. Seduz-me a subjectividade de coisas que não interessam nada mas que são expostas com sentido estético, porque a riqueza da vida se constrói pelo olhar, o humano em cada um. Passo pelo mercado de peixe em Chinatown pela mão de Jake Dobkin, depois talvez vá fugir da chuva que cai na 114th and Broadway. Fico a ver as pessoas circulando de patins no gelo em Central Park, partindo para parte incerta ao desviar-me da confusão que paira para os lados da Ave. B. Agora perco-me no Satan’s Laundromat, um fotoblog com percursos pela cidade decadente, perdida, perturbante. Afinal Nova Iorque também pode ser assustadora. Perco-me por aquelas paragens mas fujo depressa. Depois, cansado, talvez pare para ver os restaurantes em NYC Eats.

Os blogs têm uma coisa boa, mostram-nos que o mundo está vivo e cheio de pessoas. Afinal as cidades não são abstractas, povoadas daqueles utentes imaginários que os arquitectos gostam de manipular, que aqui se surpreendem, aqui se extasiam. As cidades são povoadas por pessoas concretas com vida própria, e talvez este novo suporte de comunicação que é o blog sirva para nos descobrirmos todos uns aos outros. Por isso, amanhã, talvez vá de blog até ao Japão.

|pink|tank|

Segunda-feira



Quer-me parecer que estes ingleses já não andam a levar a guerra ao terror muito a sério.

Quero saber mais: Pink Tank (em inglês).