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Sexta-feira



Agora você também já pode ter a sua namorada imaginária, um serviço pago em que uma mulher real (dizem eles) faz de conta que é a sua namorada de longa distância, enviando-lhe cartas de amor personalizadas, emails, fotografias, deixando mesmo mensagens no seu telefone e providenciando outros serviços adicionais não especificados (girlfriend-like services). Isto parece-me “extremamente positivo”. Já estou a imaginar as hipóteses de franchising. A seguir: a sua mulher imaginária, a sua família imaginária, o seu emprego imaginário. Enquanto isso, você pode continuar alegremente sentado a navegar... na internet.

|brainstorming|

Sexta-feira

Vamos lá a ver, aqui por entre os apontamentos da secretária... Tantos links bons de arquitectura para introduzir no template... talvez para a semana.

Entretanto que tal visitar este The Untitled Project (a series of photographs of urban settings accompanied by a graphical text layout. The photographs have been digitally stripped of all traces of textual information. The text pieces show the removed text in the approximate location and font as it was found in the photograph). O mundo despido de informação, de lettrings, de conteúdo, ficando apenas o suporte.

Muito interessantes também estes desenhos de Sarah Trigg, pinturas tradicionais e digitais que exploram a relação entre a geografia e a biologia. Depois ver mais pinturas de Sarah Trigg, porque sim.

Para quem gosta de ler textos compridos, pode perder-se neste Time Will Tell, ou passear In And Out Of Elevators In Japan, (Elevator space in Japan is considered both as an example of transit space generally and as an example of the practice of a particular national identity).
E sim, eu sei que também escrevo textos grandes demais mas ninguém é obrigado a ler até ao fim...

Vamos dos elevadores para o metro. Subway systems of the world, presented on the same scale, para comparar redes de metro de todo o mundo. Portugal não incluído.

Veja mapas desenhados à mão.

Já imaginou comprar uma casa como quem vai ao IKEA? A sua futura moradia, entregue em dois camiões, desmontada, para que “monte você mesmo”? Agora sim, com esta esta genial Glide House. Só na América, claro!

Por fim, aprenda a vandalizar a arte da melhor maneira.

|o|meu|bonsai|

Sábado

Hoje disseram-me que o meu bonsai não era verdadeiro. Respondi que não só era verdadeiro, como tinha bons sentimentos...

|o|cão|com|três|patas|

Ele estava num parque de estacionamento escondido debaixo de um carro. A minha mulher chegou primeiro e chamou-o. O cão não se mexeu e ela aproximou-se mais. Um olhar foi quanto bastou para perceber que a barriga do cão estava manchada de sangue. Algo estava mal.
Foi a minha vez de me aproximar e ver o que se passava. Era um cão castanho, pequeno, que não devia ter mais de dois meses. Estava encolhido sobre o corpo, muito estático. Falei baixinho com ele e toquei-lhe muito lentamente. Ele não reagiu e deixou-me ver tudo o que queria ver. Oculto na mancha vermelha em que se encolhia podia agora ver que uma das suas patas traseiras estava desfeita, gravemente partida. O cheiro metálico do sangue fazia perceber que já devia estar ali há algum tempo.
Olhei de novo para a cara do cão, olhos quase fechados, imóvel. Cheguei a mão à sua testa e ele fez o único gesto de que foi capaz, avançando a cabeça à palma da minha mão aberta, e depois suspirou.
Parecia que no meio da dor que estava certamente a sentir, aquele era o seu último conforto antes do fim.

O veterinário foi muito claro. O cão tinha múltiplas fracturas, bastante profundas, numa pata traseira. Pior, já estaria assim há um ou mesmo dois dias e a perna estava a começar a gangrenar. Se a infecção continuasse, iria morrer. A única solução era amputar a pata. Porque iria ser um animal que precisaria de alguns cuidados e atenção especial, o médico só faria a operação se nos responsabilizássemos por cuidar dele, caso contrário a solução seria terminar definitivamente com o sofrimento do animal. A minha mulher não teve dúvidas em querer ficar com ele, eu confesso que hesitei. Decidi que tomaríamos conta do cão até arranjar alguém que ficasse com ele, e a operação fez-se.

Os cães são animais extraordinários. Talvez a sua psicologia seja mais simples, talvez só pensem “estou bem” ou “estou mal”. No dia seguinte, amputado da pata traseira, o seu corpo anteriormente infectado de bactérias começava a libertar-se. A sua transformação foi como da noite para o dia. Quando o fomos buscar lá andava o magricela pelo chão, de pontos à mostra, a saltitar e a abanar a cauda como se nada se tivesse passado.
O resto da história é fácil de adivinhar. Dois anos depois, eu e a minha mulher somos os felizes donos do Moby, o cão com três patas, crescido, viçoso, que corre, sobe e desce escadas como qualquer outro. Um cão com três patas é um sobrevivente. A prova, de que a vida é difícil. E no entanto, por vezes, saltando para alcançar um biscoito ou correndo a brincar com outro cão, torna-se gracioso, como se uma quarta pata subitamente invisível aparecesse novamente. E faz-me lembrar, quando a vida parece afundar-se em problemas, que com esperança e alegria de viver todas as dificuldades se ultrapassam, e tudo se conquista.

|geografismos|:|há|vida|na|net|

Quarta-feira

Chama-se Geografismos e é um blog educacional orientado para a geografia e a vida escolar. Entre o estudo, a divulgação, a reflexão e a fotografia, o seu autor Luís Palma de Jesus criou um projecto que demonstra a coragem de experimentar a utilização de novos suportes como forma de motivar os seus alunos e levá-los a participar de forma activa na internet, exprimindo-se, reflectindo, comunicando. É uma proposta vencedora e o seu blog é hoje o ponto central de uma comunidade de estudantes (com referências a mais de 70 blogs de alunos), tendo já merecido diversas referências e elogios como este do Jornal Público.
Tão interessante como o conteúdo do blog é servir de ponto de reflexão da própria vivência escolar, como forma de chegar aos alunos e levá-los a analisar comportamentos e a motivá-los.
Fica aqui o convite a visitarem estes Geografismos, felicitando o seu autor pelo belíssimo trabalho. São estes os professores de quem mais tarde nos recordamos na vida...