|o|fim|do|mundo|

Quarta-feira

Tal como o conhecemos...

1|Urban Tapestries é um catálogo de ideias que explora novas tecnologias que irão permitir “anexar” mensagens electrónicas, imagens, sons e histórias a determinadas localizações geográficas, através de telemóveis ou PDA’s.

2|Headmap examina as implicações sociais e as aplicações de aparelhos de observação espacial (location aware devices), redes sociais avançadas, computadores corporais (wearable computers) e interfaces de rede semântica (semantic network interfaces). Nota: a verdade é que não sei bem o que é mas também é interessante...

3|Litracon ou Light Transmitting Concrete é basicamente um betão transparente, que conduz a luz através de fibra-de-vidro embebida no betão. A luz passa de um lado para o outro sem perda significante e ilumina o lado mais sombrio da parede. As sombras transmitem-se e aparecem na face oposta.

|vandalize|você|mesmo|

Terça-feira

Aqueles que já projectaram espaços públicos ou que trabalham em câmaras municipais têm sempre histórias de vandalismo para contar. Chega a surpreender a quantidade e diversidade dos actos que se cometem contra a propriedade pública, desde roubo de mobiliário urbano – não apenas bancos mas também papeleiras, material de iluminação pública e muitos outros – a roubo de plantas de jardim, passando pela destruição de sinalética, quiosques, brinquedos infantis e tudo o que se possa imaginar.
Se alguns casos estão associados ao uso abusivo da população mais jovem e mesmo a situações de delinquência, verificam-se muitos outros em que a explicação é bem diversa: um fenómeno cultural indiferente da idade, que se revela numa profunda desvalorização daquilo que são os bens públicos, como se o que a todos pertence fosse pertença de ninguém. Dito de outra forma, aquilo que nos é dado, não tem valor.
Para compreendermos o vandalismo temos de reconhecer os factores de carácter nacional que conduzem a população a esta atitude de desvalorização da coisa pública (bem diferente, diga-se, da atitude dos nossos vizinhos espanhóis que aprenderam a valorizar tudo aquilo que respeita ao espaço público). Em Portugal observamos aquilo que poderíamos definir como uma falta de sentido de patriotismo: um valor quase sempre polémico e associado a manifestações de nacionalismo bacoco, de contornos que mais parecem vindos do tempo do salazarismo. Afinal, uma falta de patriotismo entendido como o sentido de gosto em pertencer a um país com origem(ns) e cultura(s), valorizando-as.
Tudo isto se reflecte, depois, no excessivo individualismo dos portugueses, e mesmo o egoísmo com que despudoradamente alguns assumem a sua forma de estar na vida. É um individualismo que começa em casa, na educação de cada um. Algo que eu definiria como a antítese da atenciosidade. É ao servirmo-nos à mesa não tirar o bife mais suculento, deixando-o para outrem e retirando o mais esturricado, é ao ir buscar um copo de água perguntar se há mais alguém com sede. Depois em tudo o resto, no modo como nos comportamos no trânsito, ou na fila do supermercado, ou como atendemos alguém no nosso local de trabalho.
A atitude individualista dos portugueses é, de resto, um dos maiores atentados que cometemos à democracia, porque ela se sustenta mais na união cívica dos cidadãos em torno de causas do que na mera execução do voto eleitoral.
Regressando ao tema inicial, julgo ser esta atitude de desvalorização de um sentido comum que nos facilita o gesto de menosprezo para com os espaços públicos, em que não reconhecemos algo que nos qualifica a todos e nos deveria valorizar enquanto cidadãos. É, afinal, toda uma educação que está por fazer. Para que, mais que reclamar, os cidadãos compreendam que também lhes é devida a participação no cuidado e na manutenção das coisas que são de todos.

|newsmap|

Sábado

Já adicionado à lista de favoritos, este sensacional Newsmap é uma aplicação que transforma a página do Google News num mosaico com todas as informações facilmente acessíveis e um design espectacular. Aceda ao site e accione o botão LAUNCH.

|à|espera|do|desastre|

Sexta-feira

A primeira legislação portuguesa contemplando a resistência das construções a esforços sísmicos foi publicada em 1958. Quase meio século depois, continua a construir-se em Portugal desrespeitando a lei, o bom senso e a ética, deixando grande parte dos edifícios em incumprimento dos regulamentos e vulneráveis a um desastre previsível.
Construção anti-sísmica é um termo leigo para definir a capacidade que um edifício pode ter para resistir aos esforços que resultam da ocorrência de um sismo. Nenhum edifício, por mais resistente que seja, pode resistir a todo e qualquer tremor de terra. As preocupações expressas na legislação da construção têm por objectivo conferir aos edifícios uma capacidade estrutural que garanta níveis de resistência satisfatórios perante a ocorrência provável de um sismo de intensidade razoável. De certo modo, é o mesmo que dizer que uma porta corta-fogo não é uma porta que resiste indefinidamente a um incêndio, mas sim uma porta que garante a resistência às chamas, à temperatura e à passagem de fumos durante o tempo suficiente para permitir a evacuação de pessoas em segurança.
As vibrações resultantes de um tremor de terra transmitem-se aos edifícios através das fundações. Os efeitos decorrentes propagam-se depois através dos elementos estruturais da construção, os pilares, as vigas e as lajes, afectando depois todos os restantes elementos do edifício. A intensidade desses efeitos resulta da duração do sismo e da frequência de vibração do solo, e pode resultar de pequenas fissuras até danos estruturais, culminando no possível colapso da edificação.
Apesar de não se poder prever a ocorrência de um sismo, as suas consequências podem ser minimizadas. As acções preventivas podem e devem fazer-se a vários níveis, tanto no planeamento e construção urbanística, como ao nível da protecção civil e da sensibilização da população geral. Infelizmente, verificamos que em Portugal os erros se cometem em cima dos erros, silenciosamente satisfeitas as diversas entidades uma vez que “a lei é boa”.
A gravidade da situação começa ao nível do licenciamento dos edifícios. Apesar da existência de legislação específica, muitas Câmaras Municipais não dispõem de capacidade técnica para averiguar se os projectos de estabilidade dos edifícios garantem os níveis de resistência sísmica previstos em regulamento. Este facto talvez não se verifique nos municípios das principais zonas urbanas, mas em grande parte do restante território nacional as Câmaras não dispõem ou de técnicos qualificados para a apreciação dos projectos a este nível técnico, ou da sensibilidade dos seus responsáveis políticos à necessidade de atender ao problema (ou ambos). Daqui resulta, em termos mais simples, que em Portugal é possível licenciar um projecto que não cumpra com o Regulamento de segurança e acções para estruturas de edifícios e pontes.
De seguida, é na fase de construção propriamente dita que se cometem os maiores atropelos. Qualquer profissional minimamente experiente está condenado a encontrar atitudes irresponsáveis de construtores não qualificados, habituados que estão a economizar no aço e no betão. A falta de moralidade no sector é de tal ordem que por vezes se manifesta mais como um hábito do construtor em não cumprir com o projecto, do que como um efeito real de poupança financeira. A verdade é que o acréscimo de custo resultante da aplicação das normas anti-sismo equivale a pouco mais de 2 ou 3% do custo total da construção.
É fundamental que se comece a prevenir e fiscalizar o sector da construção, forçando o cumprimento das regras de segurança e punindo severamente os infractores. Não podem existir meios termos: é a vida de pessoas que está em causa. Para o comprador, para quem a aquisição de casa é provavelmente o maior investimento que realiza em toda a sua vida, é o direito a habitar numa construção que lhe garanta a possibilidade de sobreviver a um sismo grave que está em causa.

No silêncio o tempo continua a passar e o risco da ocorrência de um terramoto real aumenta, sem que o problema seja discutido e tomadas as medidas necessárias para que se instalem as boas práticas na nossa actividade. Estaremos condenados a aguardar pela calamidade inevitável, venha quando vier? Será que também perante este problema nos iremos sentir satisfeitos com a demissão de um ministro, porque “a culpa não pode morrer solteira”, ou que nos venham dizer que mais uma vez o país aprendeu uma grande lição?

Notas:
O Decreto-Lei nº 235/83, de 31 de Maio (Regulamento de segurança e acções para estruturas de edifícios e pontes) pode ser consultado aqui.



PCG escreveu:
Completamente de acordo. Convém referir igualmente todos os edifícios construídos anteriormente ao primeiro regulamento de betão em que não foram contemplados (à excepção dos "pombalinos de gema") quaisquer tipos de medidas anti-sísmicas e as obras de reabilitação que se fazem actualmente que deixam de fora reforços ou reabilitações estruturais sérias.
email: planeta-reboque@netcabo.pt
homepage: http://www.planeta-reboque.blogspot.com/
04.02.04 - 8:14 pm

|i|p|h|s|2004|

Quinta-feira

[via IPHS 2004] The 11th Conference of the International Planning History Society will take place in Barcelona between 14-17 July 2004. The theme, Planning Models and the Culture of Cities, places emphasis on Planning Models and Ideals, contrasting with the diversity of cities and urban situations. This theme will allow "Planning Cultures" to be related to the "Culture of Cities", and in turn to real urban processes. In other words it seeks to encourage the analysis of the relations between Planning Theory, Urban History and Urban Studies. Furthermore, it seeks to respond to the strong call made for some time now, by all those involved in understanding the nature of planning and urban processes, for the adoption of an (inter-disciplinary and) integrated approach.

Accordingly, the 11th Conference seeks to provide an opportunity that will encourage the participation of urban researchers from different parts of the world, especially from Latin America and "Latin" countries in Europe. It should be recalled that this will be the first IPHS conference to be held focusing specifically on this cultural area of planning and urban history, and that to date participation from such "Latin" countries in the Society's activities has been minimal. For these reasons although the official Conference language will be English, Spanish will be co-official, and indeed it is proposed that some of the working groups will be held in Spanish.

(...)The Conference will coincide with the Universal Forum of Cultures Barcelona 2004. This major international flagship event will offer a wide range of diverse and contrasting parallel activities, which will cater for the different backgrounds of the delegates who normally attend the IPHS Conferences. Delegates will be able to complement the Conference sessions with different programmed visits, as well as pre- and post-Conference tours. Furthermore at this time of year, both within Barcelona and within its wider area of influence, there are many other tourist attractions of special relevance to those whose professional interests lie in the area of cities and planning.

The Conference will address the following subjects or sub-themes:
Cultural heritage and planning models.
Cultural economy.
Planning cultures and planning theories.
Planning and the environment.
Society and space.
Urban spaces, landscape and planning.
Innovation and infrastructure.
Urban historiography and planning in Latin America.