O mono do gato




Depois da grande polémica em torno do mono do rato, a barriga de um arquitecto tem a honra de revelar em primeira mão o mono do gato: Matilde, 7 anos de idade, 6.5 quilos de peso.

Matilde, 7 years old, 14 pounds.

JVA: Dønning Community Building / architecture of an anti-icon

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Uma das distinções mais significativas que se podem estabelecer quanto à produção arquitectónica contemporânea refere-se não a dimensão mas a economia. Mais precisamente no que respeita a considerações de custo-benefício – ou como os arquitectos abordam o problema da adequação entre os meios e os fins do desenho da arquitectura.
Considero este tema muito relevante não só porque não estamos todos a projectar para o Dubai mas porque este sentido de adequabilidade está no íntimo do que deveria ser uma prática sustentável. A ética da sustentabilidade depende precisamente de combater “obesidades” supérfluas. O design – ainda mais no domínio da arquitectura – é em tudo um exercício de adequabilidade, de eficácia, da descoberta da relação essencial entre as condições presentes e os requisitos de transformação, de introdução do que é novo. Isto não deverá ser visto como um obstáculo à inovação, antes o contrário. Num mundo sem restrições financeiras qualquer um pode erguer sensacionais ícones, obras de arte que não são necessariamente obras de arquitectura inovadoras. O oposto, no entanto, é possível. Fazer mais com menos. Superar um orçamento restrito através de soluções excepcionais de design e assim gerar objectos de genuína singularidade.
Estes pensamentos ocorrem-me ao contemplar o projecto do belo centro comunitário de Dønning, um equipamento de uso cívico projectado por Einar Jarmund e Hâkon Vigsnæs.
Esta equipa de arquitectos noruegueses tem recebido atenção crescente, com particular incidência sobre os seus notáveis edifícios de habitação unifamiliar. Mas este projecto em particular parece-me muito tocante, sendo um dos seus trabalhos menos sofisticados. Uma criação que se distingue por uma crua materialidade.
Este clube para jovens proposto para uma organização comunitária local é um exemplo de como a arquitectura pode transpor todas as limitações que sobre ela incidem. O desenho estrutural é simples e eficaz, preocupação a que não está ausente a optimização económica daquele que é pouco mais do que um pavilhão de formas levemente contorcidas. As aberturas são poucas mas proeminentes, oferecendo não apenas uma solução energeticamente eficiente mas também um uso deliberado da luz natural. O revestimento exterior resulta da aplicação de painéis de fibrocimento pré-moldados; outra opção de baixo orçamento a que o uso de cores contrastantes – o cinzento natural e o encarnado – providencia um forte efeito visual.
Na sua simplicidade e tensão de forma o centro comunitário de Dønning apresenta-se como uma afirmação singular, um gesto de singela humanidade no meio da vasta paisagem.

One of the most significant distinctions one can make in architecture today is probably not regarding dimension but economy. More precisely regarding cost-effectiveness concerns – or how architects approach the issue of adequacy between the means and the ends of architectural design.

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I find this matter extremely relevant not only because we’re not all designing for Dubai but as this sense of adequacy is at the core of what should be a sustainable practice. The ethics of sustainability rely precisely on fighting superfluous “obesities”. Design – even more so in architectural design – is all about adequacy, about effectiveness, about finding the essential relationship between the present conditions and that which needs to be introduced as new. This should not be seen as an obstacle to innovation; in fact it’s very much the opposite. In a world without budget restrictions anyone can exert sensational icons, works of art that are not necessarily innovative works of architecture. The opposite, however, is possible. To do more with less. To overcome a constricted budget through exceptional design and generate objects of true singularity.
These thoughts come to mind as I reflect on the beautiful Dønning Community Building, a civic facility designed by Einar Jarmund and Hâkon Vigsnæs.
This team of Norway-based architects has been receiving growing attention lately, mostly for their outstanding housing projects. But this one I find particularly moving as it almost resonates with Kuma’s theory of “weak buildings”. The Dønning facility is probably one of their less sophisticated projects, a distinctive creation of raw materiality. This youth club proposed for a local community organization is a brilliant example of how architecture can rise above enveloping limitations. Structural design is simple and cost effective: almost a warehouse of slightly convoluted forms. The openings are few but prominent, providing both an energy efficient solution and a deliberate use of natural light. The external skin is made of corrugated fiber cement boards; another low budget option to which the use of contrasting colors – natural grey and red – provide dramatic visual effect.
In its simplicity and tension of form, the Dønning Community Building stands as a singular statement, a bare gesture of unadorned humanity in the midst of a wide, sensational landscape.





Nota: o projecto do Centro Comunitário de Dønning foi apresentado recentemente no Arch Daily onde poderão encontrar bastantes imagens e, melhor ainda, uma colecção de desenhos técnicos. Está igualmente publicado na revista a+t Civilities II.

Note: the Dønning Community Building was recently published on Arch Daily where you can find many images and, better yet, a full set of technical drawings. It is also featured on a+t Civilities II magazine.

Architecture: Jarmund/Vigsnæs AS Architects MNAL.
Photography: Jarmund/Vigsnæs AS, John Stenersen.
External references: a+t Civilities II, Arch Daily.

Momento geek


Considerando-me um razoável geek da internet não é sem pudor que confesso nunca antes ter experimentado o famoso Delicious. Mantenho-me um utilizador fiel do Google Reader para seguir o rasto de todos os meus feeds – vocês não fazem ideia – e tem sido um bom suporte da minha página de Itens partilhados. Só recentemente resolvi subscrever a versão remodelada do Delicious e pergunto-me como é que consegui viver sem isto todo este tempo. Assim, a partir de agora, passo a utilizar o My Delicious Bookmarks como bloco de apontamentos, ali registando todas as minhas descobertas interessantes para o vosso prazer de leitura. Podem acompanhar as novidades directamente, subscrevendo o feed ou estando atentos às ligações publicadas na barra lateral do blog. Espero que gostem.

Geek moment
Being an internet geek I’m ashamed to confess that, until a few days ago, I had never experimented the famous bookmarking site Delicious. I’ve been using Google Reader to keep track of all my favorite feeds – you have no idea – and it’s been a trustful host to my Shared Items page for quite some time. I have only recently decided to subscribe the redesigned version of Delicious and I’m just becoming addicted to the beauty of it. So, from now on, I’ll be using My Delicious Bookmarks page as a scrapbook, registering all my interesting findings for your viewing pleasure. You can keep track of my clippings directly, subscribing the feed or simply by keeping an eye on the sidebar. Enjoy.

Arquitectástico

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O problema com os blogs tem tudo que ver com a densidade. Os blogs são uma plataforma específica de comunicação com particularidades de linguagem que se prendem directamente com o “interface”. Não tão densos quanto uma revista mas possivelmente não tão leves quanto um spot de tv, a melhor qualidade do blog é a sua continuidade. Os blogs tornam possível um diálogo permanente e porque são específicos por natureza podem adquirir uma profundidade que de outro modo não lhes seria possível.
A evolução de standards web teve um impacto evidente sobre o meio: os blogs são hoje muito mais gráficos do que eram há alguns anos; as qualidades visuais ganharam predominância sobre a dimensão textual. No que respeita aos blogs de arquitectura esta tendência teve consequências contraditórias. Curiosamente os blogs mais reputados são ainda os que acolhem a melhor escrita. Mas no que respeita à edição – naquilo que é divulgado e do que recebe pouca exposição – o elemento visual tornou-se mais importante. Não surpreende por isso que o que ocorre nas economias emergentes mereça mais visibilidade, mesmo quando a substância da sua arquitectura possa não estar a par com a proeminência da forma. E assim temos as torres rotativas, os grandes feitos em altura e incontáveis edifícios arquitectásticos que se parecem com outra coisa qualquer: de barcos a flores a coisas que parecem acabadas de sair da guerra das estrelas. Não importa o quão irrelevante possa ser o maior edifício do mundo. Será sempre “o maior edifício do mundo”. Uma torre que roda pode ser um conceito intelectualmente fútil mas, que mais não seja, ela roda. E se nunca foi visto antes, é notícia. E o nunca antes visto tem grande impacto na rede.
Existe assim um lado perigoso dos blogs quando pensamos neles como ferramentas de aprendizagem, porque o que recebe atenção não é necessariamente o mais relevante e sim aquilo que é visualmente mais notável – o que raras vezes é a mesma coisa. Um bom exemplo disto pode ser encontrado também no campo da “arquitectura sustentável”; ou como o blogging está a contribuir para estabelecer um entendimento estético do que é o eco-design. A arquitectura está a ficar literalmente verde – relva nos telhados, árvores e arbustos a sair dos alçados – como se isso fosse infalivelmente a expressão de ideais de sustentabilidade na esfera do projecto. Uma das razões que contribuem para este fenómeno reside num sentido de interpretação conceptual – a necessidade de traduzir visualmente as ideias. Um mecanismo que é muito favorecido pela linguagem blog, pois que é muito mais complicado examinar as especificidades do design – tanto no que diz respeito ao impacto ambiental dos materiais aplicados, questões de custo-benefício ou os ganhos de soluções formais e tecnologias específicas – do que produzir uma gramática visual sobre a construção-verde.
Num olhar mais vasto podemos dizer que o blogging – apesar dos seus aspectos positivos – é um forte contribuinte para uma cultura global de simplificação. Demasiada síntese, pouca análise. O que é desanimador, sendo este um meio onde o discurso não necessita de um princípio ou um fim – e onde a examinação a longo prazo pode ser o paradigma de produção intelectual.
Afinal, pouco importa que a torre rode. O que importa é a razão porque somos motivados por essas ideias; o que nos compele em nome de algo, seja o novo ou o antigo, o decadente ou o sustentável. E sendo assim, talvez os blogs, estas formas abertas de diálogo possam assistir ao nosso entendimento e trazer-nos mais próximo de um sentido para as coisas.

Architectastic
The trouble with blogs is a matter of density. Blogs are a specific communication platform. They retain a uniqueness in language that relates to interface structure. Not as dense as a magazine but likely not as light as a tv-spot, the greatest asset of blogs is that they’re ongoing. Blogs make enduring dialogue possible and because they are specific in nature they may acquire a depth that otherwise wouldn’t seize in the short term.


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The evolution of web standards had a definite impact on blogging interface. As we all know, blogs are much more graphic now than they were a few years ago. The visual features have gained power over the textual dimension.
As far as architectural blogs go, this trend has contradictory consequences. Interestingly enough, the most acclaimed blogs are still the ones with the best written text. But as far as editing goes – as far as what gets the spotlight and what doesn’t – the visual element has become growingly decisive.
Not surprisingly, what goes on under thriving economies gets wide visibility even though the substance of its architecture may not always match the prominence of its looks. Hence the rotating towers, the high-rise achievements and countless architectastic buildings that look like something: from boats to flowers to stuff coming straight from star wars. It doesn’t matter how architecturally irrelevant the tallest building in the world is. It’s still “the tallest building in the world”. A rotating tower may be an intellectually frivolous concept but hey, it rotates. If you haven’t seen it before, it’s news. And the previously unseen makes for great blogging material.
So there’s this downside to blogging when you think of it as a learning tool, because what gets noticed isn’t necessarily the most relevant but that which is most visually remarkable – which is often not the same thing. A good example of this can be found on the issue of “sustainable architecture”; or how blogging is a contributor to the establishment of an aesthetic understanding of eco-design. Architecture going literally green - grass on the roofs, trees and bushes hanging from the walls – as if this was necessarily the expression of sustainable ideals in the realm or architectural design.
One of the contributing reasons for this outcome is a sense of conceptual interpretation – the need to visually translate ideas. A mechanism to which blogs are particularly subsidiary to. For it is much more complicated to delve into the specificities of the design process – either relating to environmental impacts of applied materials, matters of cost-benefit or the gains of specific design solutions – than to produce a visual grammar for green-building.
In a wider scope one could say that blogging – despite its positive aspects, and there are many – is contributing to the global culture of simplification. Too much synthesis, not enough analysis. Which is somewhat disappointing, as this is a medium where discourse doesn’t seem to have a beginning or an end – and long-term examination should, therefore, be the paradigm of intellectual contribution. In the end, it doesn’t really matter that the tower rotates. What matter is why we are driven for that single idea; what compels us in the name of something, either it be the new or the old, the decadent or the sustainable. And if so, maybe blogs, these open forms of dialogue, can assist our understanding and bring us closer to some kind of awareness.

reStorefront



A Storefront for Art and Architecture - a casa do Postopolis, o centro de comando da blogosfera de arquitectura mundial – está a ser alvo de renovação.
A sua fachada é bem conhecida pelos painéis pivotantes com diferentes formas que abrem em toda a extensão da galeria directamente para a rua. Com projecto de Vito Acconci e Steven Holl, foi construída em 1993 e estava prevista para durar cerca de dois anos. No entanto, tornou-se uma imagem de marca tão icónica da instituição que permaneceu intocada até hoje.
A renovação vai manter o design original e pode ser seguida quase diariamente através do blog Restorefront. As coisas parecem estar a avançar depressa e já estão disponíveis muitas imagens dos trabalhos em curso.

The Storefront for Art and Architecture - home of Postopolis, the architectural blogging command center of the world - is being renovated.
Its peculiar façade is well known for the wide multi-shaped panels that pivot to open directly into the street. It was designed by Vito Acconci and Steven Holl in 1993 and was intended to last 2 years. It became such an iconic trademark of the institution, however, that it remained untouched until now.
The renovation will maintain the original design and can be followed almost daily through the blog Restorefront.