Estamos a roubar os nossos filhos
Acabadinho de escrever o post anterior descubro, via Core77, esta recentíssima apresentação de Juan Enriquez no Pop! Tech. É uma exposição impressionante sobre as circunstâncias que envolvem a crise actual, analisadas em grande detalhe. O vídeo é longo mas obrigatório, a justificar toda a divulgação possível.
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A crise explicada às crianças (e não só)
How To Explain The 2008 US Financial Crisis To Your Kids (And Most Adults): um pequeno video animado produzido pela firma Say It Visually! dá a conhecer os motivos da actual crise financeira, apresentada graficamente e em termos muito simples. A animação é pouco elaborada mas vale pela eficácia da mensagem.
Um pouco mais a sério, recomendo a leitura do artigo What about austerity?, publicado no Boston.com. O texto tem co-autoria de Juan Enriquez, ensaísta reputado no campo da economia e da ciência, mais conhecido pelas suas apresentações regulares no TED.
O artigo levanta uma questão curiosa: que na torrente de opiniões em torno das medidas de resgate financeiro por parte dos Estados parece existir uma palavra que desapareceu – austeridade.
A tese dominante parece sustentar que só gastando mais dinheiro se poderá sanar a crise proveniente do sistema de crédito. Enriquez não afirma que tais medidas não sejam necessárias, mas ressalva que na falta de medidas de austeridade da parte de países deficitários – que gastam mais do que produzem – tais políticas podem não passar de um adiamento da crise.
Para terminar recomendo vivamente a visualização das duas apresentações de Juan Enriquez no TEDTalks. Apesar da especificidade dos temas, a sua habilidade para expor conceitos abrangentes é admirável. Na palestra Decoding the future with genomics refere um dado interessante. Numa civilização agrícola a diferença entre os mais ricos e os mais pobres era de 5 para 1. Ou seja, que a escala de variação de produtividade – em função da capacidade tecnológica, de maiores jornadas de trabalho ou maior sucesso nas colheitas – se repercutia num incremento máximo de 5 vezes. Hoje, a diferença relativa entre os países mais e menos produtivos do mundo é de 427 para 1. Ou seja, o enquadramento económico de hoje, baseado no conhecimento, alterou as regras do jogo da competitividade. A segunda apresentação, Why can't we grow new energy?, aprofunda ainda mais esta correlação entre desenvolvimento tecnológico e capacidade produtiva. Vale a pena reflectir sobre isto questionando alguns dos paradigmas com que por vezes se discute entre nós a questão da competitividade. Perante tão amplos diferenciais de produtividade o sucesso dificilmente estará à distância de pequenos artifícios de flexibilidade laboral; antes dependerá da nossa capacidade em revolucionar os padrões de conhecimento e inovação, e a consequência das instituições académicas sobre a actividade económica real.
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Um pouco mais a sério, recomendo a leitura do artigo What about austerity?, publicado no Boston.com. O texto tem co-autoria de Juan Enriquez, ensaísta reputado no campo da economia e da ciência, mais conhecido pelas suas apresentações regulares no TED.
O artigo levanta uma questão curiosa: que na torrente de opiniões em torno das medidas de resgate financeiro por parte dos Estados parece existir uma palavra que desapareceu – austeridade.
A tese dominante parece sustentar que só gastando mais dinheiro se poderá sanar a crise proveniente do sistema de crédito. Enriquez não afirma que tais medidas não sejam necessárias, mas ressalva que na falta de medidas de austeridade da parte de países deficitários – que gastam mais do que produzem – tais políticas podem não passar de um adiamento da crise.
Para terminar recomendo vivamente a visualização das duas apresentações de Juan Enriquez no TEDTalks. Apesar da especificidade dos temas, a sua habilidade para expor conceitos abrangentes é admirável. Na palestra Decoding the future with genomics refere um dado interessante. Numa civilização agrícola a diferença entre os mais ricos e os mais pobres era de 5 para 1. Ou seja, que a escala de variação de produtividade – em função da capacidade tecnológica, de maiores jornadas de trabalho ou maior sucesso nas colheitas – se repercutia num incremento máximo de 5 vezes. Hoje, a diferença relativa entre os países mais e menos produtivos do mundo é de 427 para 1. Ou seja, o enquadramento económico de hoje, baseado no conhecimento, alterou as regras do jogo da competitividade. A segunda apresentação, Why can't we grow new energy?, aprofunda ainda mais esta correlação entre desenvolvimento tecnológico e capacidade produtiva. Vale a pena reflectir sobre isto questionando alguns dos paradigmas com que por vezes se discute entre nós a questão da competitividade. Perante tão amplos diferenciais de produtividade o sucesso dificilmente estará à distância de pequenos artifícios de flexibilidade laboral; antes dependerá da nossa capacidade em revolucionar os padrões de conhecimento e inovação, e a consequência das instituições académicas sobre a actividade económica real.
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How to explain the financial crisis to your kids
How To Explain The 2008 US Financial Crisis To Your Kids (And Most Adults): a small animated video produced by Say It Visually! presents an explanation on the reasons behind the current financial crisis in very simple terms. The animation is not very elaborate but the message is surprisingly effective.
For something related, I recommend the article What about austerity? published on Boston.com, co-authored by Juan Enriquez, a distinguished thinker in the field of economics and science, also known for his presentations on TED.
His article raises a curious question: that in the stream of opinions regarding the current financial bailout there is one word notably missing: austerity. The dominant thesis seems to be that only spending more money can we prevent a full-blown crisis that, we should notice, was originated in the credit system. Enriquez isn’t saying that such measures aren’t necessary, but he points out that for deficitary nations, these policies may simply be a postponement of the real crisis.
I also recommend watching the two presentations delivered by Juan Enriquez on TEDTalks. Although the subjects are quite specific, his ability to expose universal concepts is truly admirable. In Decoding the future with genomics he presents an interesting fact. In an agricultural society, the difference between the richest and the poorest was 5 to 1. Which means that in such a productivity range - regarding technological capacity and more intensive labour – a successful production would amount to an increase up to 5 times. Today, the differential between more and less productive nations is of 427 to 1. Meaning that in our contemporary economic system, which is based on knowledge, the rules of competitiveness have radically changed.
His second presentation, Why can't we grow new energy?, deepens this relationship between technological development and productive capacity. So today, achieving competitiveness doesn’t rely only on labour flexibility, but depends on our capacity to revolutionize knowledge and innovation patterns. Meaning that a more consequent impact from academic institutions over the real economy is absolutely crucial.
# / English Edition
How To Explain The 2008 US Financial Crisis To Your Kids (And Most Adults): a small animated video produced by Say It Visually! presents an explanation on the reasons behind the current financial crisis in very simple terms. The animation is not very elaborate but the message is surprisingly effective.
For something related, I recommend the article What about austerity? published on Boston.com, co-authored by Juan Enriquez, a distinguished thinker in the field of economics and science, also known for his presentations on TED.
His article raises a curious question: that in the stream of opinions regarding the current financial bailout there is one word notably missing: austerity. The dominant thesis seems to be that only spending more money can we prevent a full-blown crisis that, we should notice, was originated in the credit system. Enriquez isn’t saying that such measures aren’t necessary, but he points out that for deficitary nations, these policies may simply be a postponement of the real crisis.
I also recommend watching the two presentations delivered by Juan Enriquez on TEDTalks. Although the subjects are quite specific, his ability to expose universal concepts is truly admirable. In Decoding the future with genomics he presents an interesting fact. In an agricultural society, the difference between the richest and the poorest was 5 to 1. Which means that in such a productivity range - regarding technological capacity and more intensive labour – a successful production would amount to an increase up to 5 times. Today, the differential between more and less productive nations is of 427 to 1. Meaning that in our contemporary economic system, which is based on knowledge, the rules of competitiveness have radically changed.
His second presentation, Why can't we grow new energy?, deepens this relationship between technological development and productive capacity. So today, achieving competitiveness doesn’t rely only on labour flexibility, but depends on our capacity to revolutionize knowledge and innovation patterns. Meaning that a more consequent impact from academic institutions over the real economy is absolutely crucial.
# / English Edition
Plano B: Casa em Arruda dos Vinhos

Como transformar as contingências de um restritivo programa de projecto numa oportunidade para criar novas soluções de arquitectura? Foi esse o desafio que enfrentaram os arquitectos do atelier Plano B ao projectarem esta pequena casa na região de Arruda dos Vinhos. Situada em terrenos de reserva ecológica, esta habitação estava condicionada a observar uma área de implantação de 60m2 definidos pelo perímetro de uma antiga edificação em ruínas. A nova casa deveria respeitar os limites de ocupação, altura e número de pisos do anterior edifício.
Na sua abordagem, estes arquitectos resolveram subverter essas condicionantes e levar ainda mais longe o programa de intervenção fazendo uso dos mesmos materiais da velha estrutura naquela que agora se iria realizar – a pedra, a argamassa de terra, a madeira – agora reordenados para dar origem a um novo sistema construtivo. Tratou-se assim de transpor as restrições presentes, tornando-as no motor criativo de uma nova arquitectura.

Esquissos

Planimetria

Sistema construtivo
Esta casa começa assim por ser um ensaio de justaposição de materiais com vista a criar um novo corpo – com um sentido de investigação que poderíamos reportar a outras práticas contemporâneas, com destaque recente para a Wall House, por exemplo.
Também aqui se procurou construir uma nova pele composta aliando soluções tradicionais a materiais de produção contemporânea. O resultado é surpreendente, tanto mais que consegue reconciliar a eficácia das suas qualidades construtivas à dimensão estética da expressão material.




A madeira anteriormente utilizada na cobertura foi agora aplicada na nova estrutura de vigamento interno. A terra que argamassava a alvenaria de pedra foi aproveitada para o enchimento das paredes de tabique, e a própria pedra serviu para as fundações da casa e da plataforma exterior em que esta assenta.


Secção de parede e vista exterior
Para além destes materiais foram utilizadas placas de cortiça para o revestimento, rematadas por chapas de policarbonato alveolar, garantindo tanto um eficaz isolamento térmico como uma ventilação do plano de fachada.




Ao assumir o uso de materiais industriais – asfalto, betão, policarbonato – em associação com materiais naturais – a madeira, a terra e a pedra – a Casa de Arruda dos Vinhos é um exemplo de investigação que se confronta com a questão da sustentabilidade, indo além do mero formalismo de alguma arquitectura “verde” para assumir a dimensão crítica do projecto enquanto espaço de reflexão sobre as suas qualidades expressivas. Exemplo tão mais notável por se desenvolver num contexto envolto de contingências programáticas, a demonstrar que as maiores limitações podem encerrar o potencial para as soluções mais surpreendentes e inovadoras.
No blog Casa em Arruda dos Vinhos: Diário de Obra pode ser visto todo o processo de construção de forma mais detalhada, com muitas imagens das várias fases de trabalho.
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Plano B: House in Arruda dos Vinhos
Overcoming the contingencies of a restrictive architectural program to create innovative solutions – such was the challenge faced by Lisbon-based architects Plano B, as they set to design this small house in the region of Arruda dos Vinhos, in Portugal. Located in an area of ecological reserve, the new house would be defined by the perimeter of an ancient building in ruins – maintaining the limits of the previous occupation regarding height and area.
The programmatic approach determined the subversion of these limitations by taking them even further. The new project would use the pre-existing materials found in the ruined structure as the basic components of a new constructive system. The present restrictions would therefore become the creative engine for a new architecture.
The house began as an exercise on juxtaposed materials to originate a new body – an architectural investigation somewhat similar to other contemporary projects such as the Wall House. Here we find an analogous interest on the development of a complex building skin, integrating traditional construction methods with contemporary materials.
The wood found on the previous building was applied in the structural framing of the house. The stone of the ancient walls was also utilized on its new foundations. In addition to these materials, cork boards were applied to create an external skin, supported by polycarbonate plates to ensure an effective insulation and ventilation of the façade.
By assuming the use of industrial materials - asphalt, concrete, polycarbonate - in combination with natural materials - wood, earth and stone – this house is an interesting example of sustainable practice, maintaining a critical approach towards the project as an area for reflection on the expressive qualities of architecture.
Architecture: Plano B.
References: Judit Bellostes: de madera y adobe, house in Arruda dos Vinhos, Casa em Arruda dos Vinhos: Diário de Obra (blog).
# / English Edition
Overcoming the contingencies of a restrictive architectural program to create innovative solutions – such was the challenge faced by Lisbon-based architects Plano B, as they set to design this small house in the region of Arruda dos Vinhos, in Portugal. Located in an area of ecological reserve, the new house would be defined by the perimeter of an ancient building in ruins – maintaining the limits of the previous occupation regarding height and area.
The programmatic approach determined the subversion of these limitations by taking them even further. The new project would use the pre-existing materials found in the ruined structure as the basic components of a new constructive system. The present restrictions would therefore become the creative engine for a new architecture.
The house began as an exercise on juxtaposed materials to originate a new body – an architectural investigation somewhat similar to other contemporary projects such as the Wall House. Here we find an analogous interest on the development of a complex building skin, integrating traditional construction methods with contemporary materials.
The wood found on the previous building was applied in the structural framing of the house. The stone of the ancient walls was also utilized on its new foundations. In addition to these materials, cork boards were applied to create an external skin, supported by polycarbonate plates to ensure an effective insulation and ventilation of the façade.
By assuming the use of industrial materials - asphalt, concrete, polycarbonate - in combination with natural materials - wood, earth and stone – this house is an interesting example of sustainable practice, maintaining a critical approach towards the project as an area for reflection on the expressive qualities of architecture.
Architecture: Plano B.
References: Judit Bellostes: de madera y adobe, house in Arruda dos Vinhos, Casa em Arruda dos Vinhos: Diário de Obra (blog).
# / English Edition
Berlim: Reconstrução Crítica

O Seminário Internacional de Arquitectura Berlim: Reconstrução Crítica tem lugar no auditório de Serralves, Porto, a 8 de Novembro. As inscrições estão abertas até dia 3. O evento faz-se acompanhar de um Ciclo de Cinema a decorrer entre os dias 4 e 6 de Novembro, sempre às 21h30 no Cinema Passos Manuel.
Visitem o sítio web oficial e o blog do evento para mais detalhes e acesso ao formulário de inscrição.
Últimas Reportagens

O sítio web Últimas Reportagens acaba de dar a conhecer 60 novos trabalhos fotográficos de Fernando Guerra. Entre os muitos projectos de arquitectura que agora se publicam contam-se obras de Álvaro Siza, Zaha Hadid, Carrilho da Graça, Ricardo Bak Gordon, Paulo David, Aires Mateus, Manuel Graça Dias, ARX Portugal, António Belém Lima, Frederico Valsassina, Cândido Chuva Gomes, Carlos Castanheira e Pedro Gadanho, entre muitos outros.
¶ English
Últimas Reportagens
Últimas Reportagens is the most comprehensive online image library of contemporary Portuguese architecture. The website, maintained by the architectural photographer Fernando Guerra, has just been updated and is now featuring 60 new galleries including a special report of Zaha Hadid’s Zaragoza Bridge Pavilion. Portuguese projects include previously unseen works from Álvaro Siza, Carrilho da Graça, Ricardo Bak Gordon, Paulo David, Aires Mateus, Manuel Graça Dias, ARX Portugal, António Belém Lima, Frederico Valsassina, Cândido Chuva Gomes, Carlos Castanheira and Pedro Gadanho, among many others.
# / English Edition
Últimas Reportagens is the most comprehensive online image library of contemporary Portuguese architecture. The website, maintained by the architectural photographer Fernando Guerra, has just been updated and is now featuring 60 new galleries including a special report of Zaha Hadid’s Zaragoza Bridge Pavilion. Portuguese projects include previously unseen works from Álvaro Siza, Carrilho da Graça, Ricardo Bak Gordon, Paulo David, Aires Mateus, Manuel Graça Dias, ARX Portugal, António Belém Lima, Frederico Valsassina, Cândido Chuva Gomes, Carlos Castanheira and Pedro Gadanho, among many others.
# / English Edition
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As I just finished the latest post I find out, via Core77, this recent presentation by Juan Enriquez on Pop! Tech. It is a mandatory analysis of the circumstances that surround the current economic crisis, viewed in enormous detail. The video is long but absolutely essential.
# / English Edition