Uma vez na vida



Se há filmes que dificilmente se repetem, este é um deles. Um retrato da transição da infância para o início da idade adulta, Boyhood é um projecto cinematográfico concebido durante doze anos com filmagens que acompanharam o envelhecimento dos seus actores – com natural impacto na evolução física e psicológica das crianças através da adolescência que se desenrola à frente dos nossos olhos.

O registo segue os traços naturalistas próprios das obras recentes de Richard Linklater, sem arcos melodramáticos para levar o espectador pela mão em crescendos de narrativa e desenlaces finais. O resultado é um filme despojado, hiper-realista, profundamente adulto, sobre os efeitos da passagem do tempo na vida de cada uma das suas personagens.
Tão interessante quanto testemunhar a transformação das crianças é assim observar o ponto de partida e de chegada daqueles adultos e os curiosos, incertos e inexplicáveis caminhos que nos conduzem, cheios de erro e tentativa.

Linklater não perde tempo com figuras de estilo, distante dos estafados clichés que dão conta do ciclo das estações ou dos anos que passam. Vamos saltando apenas de uns anos para outros, sempre em frente, sempre sem retorno possível. A estrutura temporal de Boyhood resulta assim muito mais do que um mero artefacto experimental. Mais do que um somatório de momentos da vida, o filme é um pequeno milagre sobre a própria vida no tempo, sobre o que significa afinal crescer.

Boyhood é um filme de culto instantâneo, a obra-prima de Richard Linklater e um dos grandes feitos cinematográficos da década.

Tão longe, tão perto



Wanderers, uma curta metragem de Erik Wernquist que nos leva numa viagem imaginária a lugares próximos do Sistema Solar, acompanhados pelas palavras imortais de Carl Sagan. Dos anéis de Saturno aos campos gelados de Europa, sobrevoando as nuvens de Titan ou descendo um elevador espacial em Marte, um filme inspirador sobre o sonho da exploração do espaço pela Humanidade. Talvez um dia. Via io9.

Paroxismos

Image credits: Iñaki Otaola.

O cidadão avisado tenderá a franzir o nariz sempre que um comentador se entrega ao exercício de presumir o que “as pessoas” pensam. “As pessoas” serão, à luz das sábias luminárias que comentam os assuntos do dia na televisão, nos jornais e nos blogues, uma massa de pouca espessura mental cujo pensamento pode ser rigorosa e cientificamente auscultado através do mural do Facebook.

Sabia que os bancos criam dinheiro do nada?



Na passada quinta-feira, dia 20 de Novembro de 2014, pela primeira vez em 170 anos, o Parlamento Britânico promoveu um debate sobre a criação de dinheiro. Poucas pessoas sabem que, no actual sistema de moedas fiduciárias como a Libra, o Euro ou o Dólar, a esmagadora percentagem do money stock em circulação nas nossas economias não foi criado pelos governos (ou pelos bancos centrais) mas por bancos comerciais através da concessão de crédito.

Aos pais



O desejo de criar é igualmente forte em todas as crianças. Meninos e meninas.
É a imaginação que importa. Não a habilidade. Cada um deve construir aquilo que lhe vem à cabeça, da forma que quiser. Uma cama ou um camião. Uma casa de bonecas ou uma nave espacial.
Muitos meninos gostam de casas de bonecas. Elas são mais humanas do que as naves espaciais. Muitas meninas preferem as naves espaciais. Elas são mais excitantes do que as casas de bonecas.
A coisa mais importante é colocar o material certo nas suas mãos e deixá-los criar aquilo de que mais gostam.


Uma pequena nota da Lego enviada aos pais dentro dos seus conjuntos de peças durante a década de 1970. Via Kottke.