Aos 87 anos, o Óscar



Quando, em 2001, Ennio Morricone falhou receber o Óscar pela quinta vez, muitos terão pensado que apenas a entrega de um prémio honorário poderia salvar a face da Academia de Hollywood. Com uma carreira que se estende a mais de meio século, o compositor italiano deixou a sua marca em inúmeros momentos icónicos da História do Cinema: A Missão, Era Uma Vez Na América, Era Uma Vez No Oeste, Os Intocáveis, Frantic, A Lenda de 1900, Malèna, entre tantos outros.

Recebe, aos 87 anos de idade, um justo reconhecimento pelo seu trabalho em The Hateful Eight de Quentin Tarantino, celebrando uma vida que não precisa já de qualquer validação. Deixo uma das suas mais belas melodias, o tema do inesquecível Nuovo Cinema Paradiso de Giuseppe Tornatore, realizador com quem viria a colaborar diversas vezes. Curiosa ironia: a música de Cinema Paradiso não chegaria a merecer sequer, em 1990, a nomeação para o Óscar. É, no entanto, uma das suas composições mais amadas e considerada por muitos a banda sonora das suas vidas. Para ouvir, depois do salto.

Coisas que aprendi a escrever um blogue


Image credits: Oliver Jeffers.

Se a subjectividade é uma qualidade que, em grande medida, devemos celebrar, importa ter em conta que o uso recorrente da primeira pessoa na validação de um argumento é nada mais do que um atalho de pensamento. Era esta a ideia central da anterior reflexão Autobiografia de um pequeno ego, escrita a propósito do simplismo que predomina sobre o exercício da opinião publicada nos meios de comunicação social.

Uma das coisas que aprendi a escrever um blogue ao longo de uma década foi a identificar e corrigir algumas patologias de escrita. A mais recorrente é porventura o uso inadvertido da primeira pessoa do singular como mecanismo de auxílio retórico. Raros são hoje os momentos em que aplico esse tempo verbal e, nas circunstâncias em que tal sucede, correspondem sempre a uma opção reflectida e deliberada.

Existe um forte motivo para tal. É inteiramente diferente produzir reflexão sobre um tema, seja ele qual for, aplicando ou omitindo a primeira pessoa do discurso. Esse facto é particularmente relevante quando o objecto que merece a nossa atenção não diz respeito à nossa experiência de vida, como seja uma opinião sobre questões de sociedade ou política, quer se trate de um tema controverso ou até de uma crítica a uma figura pública.

A introdução da primeira pessoa no discurso permite validar e enfatizar uma opinião a partir de nós próprios, invocando, para tal, os sentimentos que tais temas nos suscitam. Podemos certamente abordar questões complexas como, por exemplo, o casamento e a adopção homossexual, a interrupção voluntária da gravidez ou a morte assistida, recorrendo, para tal, dos juízos éticos, morais ou meramente emocionais que elas nos evocam.

Ao fazê-lo, o autor estará a esquecer-se que a sua experiência de vida é provavelmente irrelevante para o entendimento pleno das matérias em discussão. A nossa vida é apenas nossa e é marcada por um conjunto específico de circunstâncias, desafios, limitações e privilégios – todos eles diferentes do universo mais vasto de pessoas que se confrontam com tais problemas. Mais grave ainda, corremos o risco de ignorar desigualdades e sublimar vantagens estruturais presentes na nossa condição social.

Pelo contrário, quando removemos da argumentação a primeira pessoa vêmo-nos na contingência de encontrar asserções que a sustentem fora de nós próprios. A primeira pessoa oferece-nos respostas. A sua ausência obriga-nos a fazer perguntas; sobre os factos, sobre as circunstâncias que os envolvem, enfim, sobre esse vasto mundo, cheio de dúvidas e interrogações, que importa descobrir lá fora.

Ana Moura+Bruno Ferreira








Com letra e música de Pedro Abrunhosa, Tens Os Olhos De Deus é o segundo single do mais recente álbum de Ana Moura, seguindo-se ao popular tema de lançamento Dia De Folga. O videoclip tem realização de Bruno Ferreira – o homem por detrás da câmara no espectacular Don't Touch My Soul de Da Chick – e percorre diversas paisagens da costa alentejana, destacando-se as vistas da zona industrial de Sines e uma passagem pelo cais palafítico da Carrasqueira. Um pequeno filme em jeito de road movie romântico que assinala o início da digressão da cantora, em Portugal e no estrangeiro, com datas que podem ser consultadas no seu sítio web oficial. Fica o vídeo, para ver, depois do salto.

Autobiografia de um pequeno ego


Image credits: Oliver Jeffers.

Importa exprimir inequívoco repúdio contra qualquer forma de atentado à liberdade de expressão ou ameaça à integridade física de que possa ter sido alvo Henrique Raposo, o Salman Rushdie português. Eu próprio não gostaria de enfrentar as hordas de alentejanos que, envergando capote e sacolejando escabreadamente foices e forquilhas, consta estarem a deslocar-se a grande velocidade pedonal em direcção à ponte 25 de Abril. Antevêem-se os maiores confrontos desde o célebre bloqueio do garrafão de 1994 tendo o Presidente da República, melancolicamente, decidido decretar o estado de alerta máximo e convocar para o local o Corpo de Intervenção da PSP.

Excluindo estes sulistas radicais, será razoável presumir que o fenómeno se circunscreve nos meios urbanos a uma tipologia de indignação ciberespacial – o tipo de acção próprio de uma turba a que, em inglês técnico, poderemos denominar por uma outrage brigade. Ainda assim, não devemos menosprezar o poder das brigadas da indignação. É certo que, de um modo geral, falamos de indivíduos para quem levantar do sofá é já um desafio considerável. No entanto, estando perante uma fatwa alentejana, há sempre a possibilidade do visado sofrer o típico arremesso da linguiça nas ventas – recomendando-se para o efeito, de preferência, a aplicação de um rechonchudo enchido de Estremoz, que vai muito bem com um tinto Monsaraz de 2011.

Falando mais a sério, a falta de magnanimidade é própria dos intelectos menores. Não nos devem assim merecer os indignados qualquer espécie de complacência. Por pequenez intelectual não vislumbram os ofendidos o óbvio: Henrique Raposo é incapaz de escrever sobre qualquer coisa que não ele próprio. Há quem tenha em falar de si mesmo o passatempo preferido. Raposo tem o mérito de fazer disso um modo de vida.

Não se trata de uma caricatura. Dedique-se o leitor a percorrer as crónicas que este verdadeiro João Pereira Coutinho da era dos millenials redige semanalmente para o Expresso. Nove em cada dez textos escritos por Henrique Raposo são sobre Henrique Raposo. Há dias fui. O que senti. O que li. O pequeno episódio caricato que presenciei. As minhas coisas favoritas. Eu. Eu. Eu.
A mesma patologia de pensamento e linguagem podemos identificar no vídeo da polémica: pequenos episódios plenos de subjectividade, contados na primeira pessoa, elevados a retrato sociológico com a superficialidade de quem pensa o mundo em cima do joelho.

Pese embora essa voluptuosa esgrima retórica que hoje se toma por erudição, o uso recorrente da primeira pessoa na validação de um argumento é, na verdade, nada mais do que um atalho de pensamento. Se a subjectividade é uma qualidade intrínseca à própria linguagem que, em grande medida, devemos celebrar, importa ter presente o quanto o ela interfere com a nossa busca de conhecimento e a forma como agimos perante o que nos é exterior.
O que está aqui verdadeiramente em causa é uma mediocridade que é transversal a tantos comentadores que ocupam o espaço mediático, contribuindo para a degradação generalizada do exercício da opinião. Henrique Raposo, como muitos outros, representa bem essa desenvoltura atrevida, “fabulosa” no sentido pewdiepiano do termo, incapaz de distinguir o prisma distorcido do seu pequeno ego com a construção de um olhar crítico sobre o mundo lá fora.

A poesia da sobrevivência



Enquanto tiveres um só fôlego dentro de ti, tu lutas. Tu respiras. Continuas a respirar. Quando a tempestade cai e tu te ergues em frente a uma árvore, olhando para os seus ramos julgarás por certo que vai cair. Mas se atentares no seu tronco, então compreenderás a sua estabilidade.

Em criança recebi um livro de banda desenhada chamado História Sem HeróisHistoire Sans Héros, no original, com texto de Jean Van Hamme e desenhos de Daniel Henrotin – relatando a aventura desesperada de um grupo de homens e mulheres que sobrevivem à queda de um avião no coração da Floresta Amazónica.

Recordo o forte impacto que História Sem Heróis teve em mim nesse tempo. Era novo, porventura demasiado novo, para aquele género de narrativa dirigida a um público mais adulto. É tão mais fácil sermos cativados por heróis estereotipados quando estamos a crescer: personagens corajosas, despojadas de egoísmo e, afinal, de todo o sentido da realidade que habitam a maior parte da ficção popular.
Ora aqui estava um livro que, como o próprio título sugeria, não oferecia heróis claros em quem o leitor pudesse projectar um sentido de identidade. Antes era povoado por personagens plenas de defeitos e contradições, enfrentando os seus próprios demónios – medo, egoísmo, ódio – até compreenderem que apenas em conjunto, com solidariedade e coragem, poderiam encontrar o caminho para a liberdade.

Serve a evocação deste clássico de banda desenhada, publicado nos idos de 1977, para ilustrar a ideia de que também The Revenant é, de certo modo, uma história “sem heróis”. O mais recente filme de Alejandro Gonzáles Iñárritu desafia o espectador com um olhar despojado de juízo moral, confrontando-nos com um mundo habitado por personagens moralmente ambíguas, entranhadas no seu tempo e nas suas circunstâncias.
Convidando-nos a embarcar numa viagem ao passado, o filme recusa-se a produzir um juízo fácil da História pelos padrões culturais do presente. Trata-se apenas de revelar a natureza daquele grupo de homens, na sua complexidade e a partir das suas próprias contingências.



O realizador mexicano faz contrapor a uma narrativa linear um contexto de grande densidade dramática – algo que parece perder-se nas entrelinhas junto de alguns espectadores e de parte da crítica. Certo é que no retrato que rodeia os eventos que nos conta se inscreve o apocalipse da cultura nativa e a voragem predadora, inexorável, da potência ocupante. Dá-nos a testemunhar, acima de tudo, o modo como os homens se tornam monstros, assim se desvanecem os contornos de civilização.

Se The Revenant é uma portentosa viagem visual, muito o deve ao trabalho de direcção de fotografia de Emmanuel Lubezki. A obsessão “Kubrickiana” pela luz natural perseguida por Iñárritu atribui ao filme uma temperatura única e a fotografia de Lubezki faz daquela floresta gelada uma paisagem inesquecível.

É no contraponto entre a imensidão suspensa da paisagem e a desolação humana que a atravessa que tem lugar a odisseia de Hugh Glass. O regresso do homem da fronteira, interpretado por Leonardo DiCaprio com um ímpeto visceral e uma crua fisicalidade, conta-nos uma história maior sobre aquilo que, no mais hostil dos mundos, nos torna humanos: na força e na dureza dos afectos – pela ex-companheira nativa, pelo filho – como substância mais íntima da própria sobrevivência num mundo de violência e agressão.

Fica a ligação para o interessante documentário A World Unseen, reflectindo os temas presentes no filme e o desafio que constituiu a sua rodagem, levada a cabo em condições de grande adversidade.

Exposição Habitar Portugal



A exposição inaugural Habitar Portugal 12-14 está patente na Galeria Municipal do Porto. É a primeira de um conjunto de exposições que, até ao final de 2017, irá percorrer o país, dando a conhecer um registo arquitectónico representativo do período que ficaremos a conhecer como os anos da troika.

Com o provocativo tema “Está a arquitectura sob resgate?”, a iniciativa revela-nos de que formas a produção arquitectónica portuguesa se ressentiu dos impactos da crise. Os comissários do projecto, Luís Tavares Pereira, Bruno Baldaia e Magda Seifert, enfatizam o contexto social e cultural deste tempo: austeridade, escassez, desemprego, diminuição do poder de compra, crise do mercado imobiliário, são tópicos que não conseguimos dissociar de uma reflexão profunda que incide sobre as condições da construção e da arquitetura nos anos 2012, 2013 e 2014.



Com parceria entre a Ordem dos Arquitectos e a Câmara Municipal do Porto, a mostra em exibição na Galeria Municipal é de entrada livre e estará patente até ao dia 25 de Abril. Em simultâneo irá decorrer um programa paralelo com diversas actividades complementares, cujos detalhes podem ser conhecidos no sítio web oficial da iniciativa. Para ficar a par de todas as novidades vale a pena acompanhar a página do Habitar Portugal no Facebook.

Diogo Seixas Lopes (1972-2016)



É com enorme pesar que a Trienal comunica o falecimento, esta madrugada, de Diogo Seixas Lopes (1972), arquitecto e Curador Geral - em conjunto com André Tavares - de "The Form of Form", a 4ª edição da Trienal de Arquitectura de Lisboa.
Diogo Seixas Lopes desde muito cedo revelou uma personalidade rara que o viria a confirmar como um dos mais importantes pensadores da arquitectura portuguesa.
A enorme relevância e qualidade única da sua carreira tornou-se evidente ao longo da actividade multifacetada e brilhante enquanto projectista, curador, crítico, conferencista, e ganhou forma também através do profundo envolvimento com as causas da arquitectura e dos arquitectos.
Na sua trajectória profissional, Diogo Seixas Lopes cruzou-se por diversas vezes com a Trienal, culminando essa relação na 4ª edição a realizar este ano. O projecto curatorial de "The Form of Form", que se encontra praticamente concluído, será conduzido até ao final por André Tavares.
Hoje a arquitectura portuguesa está de luto por uma perda irreparável. Desapareceu um grande arquitecto e um ser humano de qualidades notáveis que tinha um futuro extraordinário diante de si.
À sua família e amigos, a Trienal dirige as mais sinceras condolências.


Via Trienal de Arquitectura de Lisboa.

A falsa recuperação do mercado imobiliário


Image credits: Matias Santa Maria.

Investimento imobiliário bate recorde à boleia de investidores estrangeiros, refere o Económico. Tomando por base dados da consultora Cushman & Wakefield, a notícia dá conta do bom momento que atravessa o mercado imobiliário em Portugal com um investimento da ordem dos 1,9 mil milhões de euros no ano passado; o dobro do valor registado em 2014.

Os analistas apontam, por um lado, a política de expansão quantitativa do BCE como um dos principais factores que motivam este desempenho positivo. A política de recompra de dívida por parte do banco central permitiu injectar um volume elevado de liquidez na banca, fomentando a oportunidade para novos investimentos na área do imobiliário. Por outro lado, várias entidades viram-se na contingência de vender o seu património, apontando-se, a título de exemplo, o caso do Novo Banco, bem como outras instituições que, não sendo forçadas a tal, entenderam estarmos perante uma conjuntura favorável para proceder a vendas.

Um dado importante na leitura da situação actual encontramos no facto de 90% do volume das transacções no ano passado estar afecta a investidores estrangeiros, em particular dos Estados Unidos, Espanha e Alemanha. O investimento em activos imobiliários por parte destes três países ascende a valores da ordem dos 1240 milhões de euros, com os EUA a totalizar cerca de 800 milhões. Esses investimentos centram-se, especialmente, em grandes superfícies comerciais, plataformas logísticas, retail parks, edifícios de escritórios e ainda alguns activos para reabilitação urbana.

A consultora refere a previsão de um bom comportamento do mercado imobiliário para este ano, sustentado em factores geopolíticos, na estabilidade e credibilidade da política económica, fiscal e financeira portuguesa e [porque] não temos espaço para mais desaires nos sectores bancário nacional e internacional. De resto, a tendência do mercado nacional reflecte uma tendência mundial, com o investimento em imobiliário comercial na Europa a recuperar a níveis anteriores à crise de 2007/2008.


Emissão de licenças de construção em Portugal (2007-2015). Via Trading Economics.

Se os dados do sector imobiliário são francamente positivos, é interessante verificar como essa prestação não tem correspondência no mercado da construção. A emissão de licenças para edificação continua estagnada em baixa, após a queda progressiva a que se assistiu no período que distou entre o início da crise e o ano de 2014. Por outro lado, conforme refere a Cushman & Wakefield, a parte mais expressiva dos resultados observados assenta na transacção de centros comerciais e espaços de localização privilegiada destinados ao chamado retalho de luxo.
Sendo certo que o investimento estrangeiro é benéfico para a economia do país, traduzindo-se em entrada de divisas e aumento da receita fiscal, não pode ignorar-se que a dinamização do imobiliário parece estar a repercutir factores de natureza financeira, mais do que de natureza económica.

Está em causa, em primeiro lugar, que a margem de liquidez introduzida no sistema bancário por acção do programa de expansão quantitativa do BCE está a ser canalizada primordialmente para a aquisição de activos, em vez de ser conduzida para sectores mais reprodutivos da economia. Esse fenómeno corresponde, de resto, a algo muito semelhante ao que sucedeu com o processo de QE levado a cabo pelo Banco de Inglaterra, motivando uma bolha inflaccionária do mercado imobiliário londrino.

Mas a isto acresce um outro factor de enorme importância: o efeito da grande instabilidade pressentida pelos mercados financeiros quanto à possibilidade de uma crise deflaccionária mundial, o que já motivou sérios avisos por parte de várias instituições bancárias. Após as quedas da bolsa chinesa e o prospecto negativo em áreas de grande peso económico – petrolíferas e gás, indústrias extractivas e maquinaria pesada, entre outras – assistimos agora novos receios perante a volatilidade crescente das acções dos bancos europeus.

São factores que favorecem a procura de activos seguros por parte de grandes fundos de investimento estrangeiro, nomeadamente na aquisição de bens imóveis, o que corresponde afinal a um processo de parqueamento de capitais perante o cenário de grande instabilidade que se está a verificar. Significa isto que a vivacidade momentaneamente sentida no sector imobiliário, como acontece também em Portugal, é tão só a consequência de um fenómeno conjuntural, e não estrutural, da economia.

Como refere Steve Keen, o fim das políticas de estímulo levadas a cabo pelos bancos centrais terá como consequência a deflacção dos bens financeiros que estas inflaccionaram em primeiro lugar – motivando eventualmente essas instituições a virem de novo em socorro dos bancos, montadas no seu Rocinante monetário.
E assim andará a economia, de bolha em bolha, à espera que os responsáveis políticos e líderes das instituições reguladoras resolvam confrontar as causas da crise, em vez de acorrerem simplesmente a ocultar os seus sintomas.

Sobre este tema ler também: Alguns dados para compreender a crise da construção em Portugal e Uma história de sobreaquecimento da economia.

A crise de infraestruturas da América +


Image credits: Michael Kerbow.

A Country Breaking Down
Artigo de Elizabeth Drew para a The New York Review of Books. O falhanço quase total das instituições em investir no seu futuro, descartando tudo o que não gera retorno imediato, tanto no plano político como no que se refere à sua infraestrutura física, deixou o país à beira do colapso sistémico: da rede rodoviária à ferrovia, das pontes ou das redes de abastecimento de água – para dar apenas alguns exemplos. No entanto, se este é um problema generalizado nos Estados Unidos, os seus efeitos são, lamentavelmente, desiguais. A dramática crise da água potável, em curso na cidade de Flint, no Michigan, é bem prova da clivagem socio-económica e também racial que acompanha o colapso das infraestruturas na América. Via Archinect.

The Euro Area Crisis Five Years After the Original Sin
Porque é que a Europa falhou na sua gestão da crise do Euro e que lições podem ser extraídas para o futuro? Ensaio académico de Athanasios Orphanides, professor na MIT Sloan School of Management, abordando a forma como os programas de resgate aplicados aos países em dificuldade da zona Euro foram concebidos para proteger interesses políticos e financeiros específicos de outros estados membros.

Our Dysfunctional Monetary System
Steve Keen, professor de economia na Kingston University em Londres e autor do livro Debunking Economics, reflecte sobre as disfuncionalidades do actual modelo monetário. Num artigo muito recente para a Forbes, Keen explica o desastre histórico que resultou do aumento exponencial da base monetária gerado pela emissão de crédito pelo sector bancário, alertando também para o erro de insistir em políticas públicas de défice zero num momento de contracção global da economia.

Global Market Fear Is At The Heart Of European Bank Stock Price Falls
Frances Coppola tem vindo a dedicar particular atenção à situação dramática do Deutsche Bank; ler Deutsche Bank's Stock Price Recovery Is Not What It Seems e The Market Isn't Buying That Deutsche Bank Is 'Rock Solid'. Neste seu mais recente artigo, a conhecida colunista da Forbes relaciona de forma mais alargada a queda das acções da banca com o medo generalizado nos mercados de investimento quanto à saúde financeira das instituições bancárias europeias.

Da hipocrisia na política europeia e portuguesa
Artigo de Nicolau Santos, originalmente publicado no Expresso Diário. Em destaque as declarações do ministro das finanças alemão, Wolfgang Schäuble, relativas a Portugal, com a crise do Deutsche Bank em cenário de fundo. Igualmente recomendado o seu artigo Como a emigração está a tramar o PIB.

O sobe e desce da TINA
Daniel Oliveira para o Expresso Diário. Um dos poucos comentadores portugueses a interrogar-se sobre os motivos pelos quais o BCE faz depender o financiamento de Portugal da deliberação de uma simples agência de notação, tomada sem necessidade de justificação ou possibilidade de escrutínio.

Escravatura por dívida
Artigo de José Pacheco Pereira, originalmente publicado no Público. A crise das dívidas soberanas, da perspectiva histórica às actuais circunstâncias políticas.

The Launch of DiEM25 at Volksbühne Theatre
Vídeo da sessão de lançamento do movimento DiEM25 que teve lugar no dia 9 de Fevereiro, em Berlim. Discurso de abertura de Yanis Varoufakis.

A política do mata-mata


Image credits: Adrià Fruitós.

Em Março do ano passado, seis anos depois da Reserva Federal Americana ter iniciado o seu programa de estímulo económico de emergência e cinco anos depois do Banco de Inglaterra fazer o mesmo, o Banco Central Europeu iniciou finalmente o seu próprio programa de expansão quantitativa (quantitative easing).

Em pouco mais de um ano, o BCE terá emitido mais de 1 bilião (1 milhão de milhões) de Euros, que aplicará na compra de títulos de dívida pública dos países da zona Euro em posse de instituições financeiras.
Este modelo de quantitative easing tem, para além do objectivo principal de combater a deflacção, dois objectivos adicionais: capitalizar os bancos com novas reservas – criando condições favoráveis para a emissão de novos créditos – e ainda pressionar negativamente os juros dos títulos de dívida do Eurosistema.

Para levar a cabo esta operação o BCE impõe, como condição prévia à eligibilidade de cada país, que a dívida destes tenha um rating superior à classificação “Ba1” – o limiar abaixo do qual passa a ser designada como “lixo” – por parte de pelo menos uma das grandes agências de notação financeira internacionais: as americanas Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch, e a canadiana DBRS.

Actualmente, apenas a DBRS atribui a Portugal uma classificação fora do patamar de “lixo”, ainda que na mais baixa categoria de investment grade. Se, numa das suas próximas revisões, a DBRS descer a notação portuguesa, o país deixará de estar em condições para poder beneficiar do programa de expansão quantitativa do BCE e os títulos de dívida pública deixarão de ser aceites como colateral nas operações de financiamento à banca nacional.

Temos assim que o BCE se auto-impõe uma condição que deixa o destino dos países da zona Euro nas mãos das agências de notação financeira – as mesmas agências que tiveram um papel instrumental na arquitectura das obrigações de investimento associadas ao mercado imobiliário, compostas por contratos de crédito sem qualidade mas validadas com a mais alta categoria de notação, produzidas pelas grandes firmas de Wall Street e vendidas massivamente a entidades públicas e privadas de todo o mundo.

A vulnerabilidade criada por essa condição do BCE é evidentemente mais lesiva para países de pouca influência externa, como a Grécia (que ainda hoje não está coberta pelo programa de quantitative easing) ou Portugal. No nosso caso, o país é deixado à mercê de uma externalidade que poderá despoletar, sem que nada de significativo ocorra na nossa economia, um inusitado alarmismo e consequências trágicas, tanto para o sistema bancário como para o Estado.

Certo é que as movimentações de bastidor que tiveram lugar em Bruxelas durante o período de discussão do orçamento entre o governo Português e a Comissão Europeia, procurando criar entraves a um desfecho favorável, fazem temer o pior. Parecem assim existir actores políticos, de partidos ditos moderados, que estão dispostos a participar activamente na instabilização da imagem externa do país, na esperança que a DBRS nos penalize da mesma forma como o têm feito as três grandes agências Americanas.

Em boa verdade, o que esta circunstância de vulnerabilidade imposta pelo BCE nos revela é o modo como o Euro não é, de facto, a nossa moeda. Os países concederam o controlo da sua soberania monetária a um órgão supranacional que, sem ter de prestar contas a ninguém, pode, a qualquer momento, congelar ou retirar a liquidez a um estado membro. A verificar-se o pior cenário – resultante do agravamento da notação da dívida Portuguesa pela DBRS – Portugal será fortemente penalizado, não por estar insolvente ou incapaz de corresponder aos seus compromissos internacionais, mas pelo simples facto de não alinhar na política fiscal desejada pela União Europeia. Ao fazê-lo, o BCE acaba por assumir um papel político, em prolongamento da acção da Comissão Europeia, que nunca, em qualquer circunstância, poderia assumir.

Infelizmente, o precedente Grego de 2015, em que o BCE não só retirou àquele país o acesso ao financiamento directo como lhe vedou a participação no programa de estímulo económico de emergência, revelam-nos que nesta Europa, tudo, até o mais impensável, é possível.

É o dinheiro, estúpidos! Carta aberta a João Miguel Tavares



Ao contrário do João Miguel Tavares, esta senhora sabe o que é o dinheiro.

Permitam-me o recurso a uma metáfora futebolística, figura tão recorrente no comentário político. Imagine o João Miguel Tavares – imagine o leitor – que o seu clube de futebol de eleição participa num campeonato que você sabe, à partida, estar todo viciado. Os árbitros estão todos comprados contra si, os adversários estão encharcados em “doping”, a vossa equipa tem menos jogadores à disposição. Isso, no entanto, dirão os comentadores, é “a realidade” inevitável que não vale a pena discutir nem pôr em causa – e, se o fizerem, serão expulsos da competição.
Resta-vos apenas debater qual a táctica que deverão aplicar para procurar não perder os jogos.

Boa sorte…

É um pouco isto que nos dizem também mil e um cronistas que vão pregando o fatalismo moralista da realidade. Exemplo disso é o recente texto de João Miguel Tavares no Público, repetindo aos quatro ventos o quanto estamos falidos. Pese embora o tom irreverente que lhe é habitual, o texto é mais um exemplar da ignorância típica da “economia do senso comum” com que se vai intoxicando diariamente a opinião pública.
Desagradado com a ginástica negocial que o governo português procurou estabelecer com a Comissão Europeia, o jornalista começa por dizer que não vale a pena chamar “políticas de direita” à matemática. A matemática não é de esquerda nem de direita – é apenas matemática. Falir não é de esquerda nem de direita – é apenas falir.

Acreditando que a política económica obedece a uma racionalidade ideologicamente neutra – porque os números, supostamente, não têm emoções nem têm ideologia – repete o enunciado da austeridade inevitável. A busca de um caminho político alternativo é, nesse pressuposto, uma “negação da realidade”. E assim conclui João Miguel Tavares: Negar a realidade é uma deserção ideológica: a esquerda, em vez de se colocar ao serviço daquilo que aí está (como distribuir o dinheiro que temos?), coloca-se ao serviço daquilo que não está (como distribuir o dinheiro que não temos?). Ora, este viver em permanente estado de negação da realidade é uma tragédia para o país. Falimos. Arruinámo-nos. Não temos dinheiro. Estamos de mão estendida. Antes de seguir pelo caminho da esquerda ou da direita, será assim tão difícil começar por admitir isto? Falimos. Fa-li-mos. F-a-l-i-m-o-s.

Falimos?

Como nos lembrava há alguns meses Philippe Legrain, ex-consultor de Durão Barroso na Comissão Europeia e uma das vozes mais críticas do rumo político-económico da União Europeia, os anos da “troika” deixaram Portugal com mais dívida, menos PIB, mais desemprego, mais pobreza e valores históricos de emigração.
No entanto, sendo a nossa situação objectivamente pior em 2015 do que aquela em que nos encontrávamos há quatro anos, por que motivo atingiram então os títulos de dívida pública portuguesa juros recorde, superiores a 10%, nos mesmos mercados que hoje nos financiam a juros inferiores a 3% e até a 2%?

A razão porque os juros baixaram tem explicação fácil. O Banco Central Europeu está a levar a cabo, desde o ano passado, uma gigantesca operação de “quantitative easing”, introduzindo dessa forma uma enorme pressão negativa nos juros de títulos dos países da zona Euro e facultando aos bancos reservas disponíveis para suportar a emissão de novos créditos.

Menos consensual é o motivo por que os juros tanto subiram em 2011. A resposta estará na conjugação perigosa de vários factores. Consideremos, em primeiro lugar, a inactividade das instituições da União, em particular do BCE que só iniciou o seu processo de QE em 2015, sabendo-se que os Estados Unidos o fizeram logo a partir de 2008 e o Reino Unido em 2009. A isto somou-se o agravamento violento dos “ratings” dos países mais vulneráveis da zona Euro por parte das agências de notação financeira, catapultando a subida vertiginosa dos juros dos seus títulos de dívida. As mesmas agências (Standard & Poor’s, Moody’s, Fitch) que até 2007 asseguravam “rating” triplo-A aos CDO’s tóxicos com que as grandes instituições financeiras de Wall Street quase fizeram colapsar a economia mundial.

Importa dizer que não está em causa ignorar as responsabilidades dos governos que seguiram políticas de expansionismo imprudente, colocando os seus países numa circunstância de perigosa vulnerabilidade. Mas não podemos deixar de nos interrogar sobre o motivo por que o Banco Central Europeu coloca, ainda hoje, nas suas próprias regras, o destino dos países que devia defender, na mão de tais agências financeiras.
Em boa verdade, tivessem as instituições da União agido em defesa das nações e teríamos sido poupados, no passado como no presente, a anos de austeridade empobrecedora e inútil.

Tudo isto, claro está, leva-nos por fim à grande questão que o João Miguel Tavares aflora mas é incapaz de aprofundar: a questão do dinheiro – que temos, que não temos, que define essa “realidade” tremenda que tantos invocam.



É aqui, na dimensão política, não matemática, do dinheiro, que a ignorância do senso comum se torna perigosa. Ignora João Miguel Tavares – como tantos outros comentadores – que vivemos num sistema financeiro em que a esmagadora maioria do “money stock” em circulação (mais de 95%) foi criado pelos bancos através do processo de emissão de crédito – e não pelos bancos centrais.
Eis um dos grandes paradoxos do nosso tempo: que lidamos com dinheiro todos os dias, durante toda a vida, sem conhecer o que ele é, como se cria e se introduz na economia. Na verdade, a emissão de crédito pela banca comercial corresponde à criação de dinheiro novo e não ao “empréstimo” de dinheiro já existente – como intuem erradamente tantos cidadãos.
Usando e abusando do poder de criar dinheiro “do nada”, ao abrigo dos mecanismos do “fractional reserve banking” e da sucessiva desregulamentação da actividade bancária, os bancos produziram em poucas décadas um aumento geométrico do volume de dinheiro disponível – bem como da dívida que lhe é correspondente.

Trata-se, em boa verdade, de uma trágica concessão da soberania monetária das nações. Algo que nunca foi deliberado democraticamente pelos povos ou assumido publicamente pelos seus governos, e cuja discussão está de todo ausente dos mídia generalistas. Se os cidadãos despertassem para esta outra “realidade”, talvez se interrogassem quanto aos motivos por que no contexto de moedas fiduciárias como o Euro, os Estados se colocam na contingência de se financiarem exclusivamente em instituições privadas que beneficiam da criação de dinheiro sobre a forma de crédito, em vez de se financiarem, de forma necessariamente regulada, junto de instituições centrais de natureza pública.

Ou talvez o público questionasse ainda o absurdo de uma Europa cujo banco central se permite insuflar 1.2 biliões (milhão de milhões) de euros em “quantitative easing” para o interior do sistema financeiro privado, mas que para alavancar um plano (Juncker) de estímulo económico obriga os países a financiarem-se junto da banca comercial, através da emissão de mais crédito, logo com aumento da dívida ao sector privado.

Mas tudo isto, claro está, não se enquadra no discurso moralista da “direita da realidade” que nos apresenta João Miguel Tavares e tantos outros comentadores que laboriosamente, na televisão e nos jornais, vão erguendo o mundo à frente dos nossos olhos, para nos cegar da verdade.

Adenda: para os leitores regulares do blogue, este texto não deixará de parecer revisão de matéria dada. Para os restantes, ficam ligações para artigos anteriores onde se tratam, em maior profundidade, algumas das questões aqui abordadas. A ler: O lastro; De onde vêm as dívidas; Sabia que os bancos criam dinheiro do nada? e A grande questão política do nosso tempo.

Refugees have the right to be protected: António Guterres no TED +



Refugees Have the Right to Be Protected: António Guterres – TED Talks
Participação de António Guterres, ex-Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), na conferência TED Global que teve lugar em Genebra, no passado dia 8 de Dezembro.
UN High Commissioner for Refugees António Guterres thinks that we can solve the global refugee crisis — and he offers compelling, surprising reasons we must try. In conversation with TED's Bruno Giussani, Guterres discusses the historical causes of the current crisis and outlines the mood of the European countries that are trying to screen, shelter and resettle hundreds of thousands of desperate families. Bigger picture: Guterres calls for a multilateral turn toward acceptance and respect — to defy groups like ISIS's anti-refugee propaganda and recruiting machine.

Tendências Globais 2030: Estudo de caso: A tragédia dos refugiados e a resposta internacional
Debate muito recente com a presença de António Guterres realizado no âmbito das Conferências de Serralves, sobre o tema “A tragédia dos refugiados e a resposta internacional”, com moderação do Presidente da Fundação Serralves, Luís Braga da Cruz.

Yanis Varoufakis: Capitalism will eat democracy – unless we speak up
Outra conferência que vale a pena descobrir, realizada no mesmo evento TED Global em que esteve António Guterres, em Genebra, no dia 8 de Dezembro, desta vez com o carismático Yanis Varoufakis.
Have you wondered why politicians aren’t what they used to be, why governments seem unable to solve real problems? Economist Yanis Varoufakis, the former Minister of Finance for Greece, says that it’s because you can be in politics today but not be in power — because real power now belongs to those who control the economy. He believes that the mega-rich and corporations are cannibalizing the political sphere, causing financial crisis. In this talk, hear his dream for a world in which capital and labor no longer struggle against each other, “one that is simultaneously libertarian, Marxist and Keynesian.”

Enough Is Enough
Pequeno ensaio video baseado no livro Enough Is Enough de Rob Dietz e Dan O’Neill, questionando a sustentabilidade de um modelo económico baseado no paradigma do eterno crescimento.
Enough Is Enough lays out a visionary but realistic alternative to the perpetual pursuit of economic growth—an economy where the goal is enough, not more. Based on the best-selling book by Rob Dietz and Dan O'Neill, the film explores specific strategies to fix the financial system, reduce inequality, create jobs, and more. Drawing on the expertise of Tim Jackson, Kate Pickett, Andrew Simms, Natalie Bennett, and Ben Dyson, Enough Is Enough is the primer for achieving genuine prosperity and a hopeful future for all.

Making Money Work - Adair Turner
Conferência promovida pelo think-tank Positive Money com o tema “Making Money Work”, debatendo os perigos de uma política monetária que tem o crédito e o endividamento como base para o crescimento.
On Monday 7th September 2015, Positive Money hosted a high-level panel discussion, “Making Money Work”, with Lord Adair Turner, Professor Steve Keen (Kingston University) and Chris Giles (Financial Times) in Central Hall Westminster. It was the biggest event on monetary financing that has ever taken place. The event was attended by around 200 people, including leading figures in finance and civil society. Those taking part included Richard Murphy, advisor to Jeremy Corbyn, Natalie Bennett, leader of Green Party, as well as ex-banker and economics commentator Frances Coppola. Lord Turner gave a talk on how the monetary system works, the dangers of debt-fuelled growth and monetary financing as a new monetary policy tool that should be considered by governments and central banks. After his presentation, Lord Turner was joined by Professor Steve Keen, Head of School of Economics, History and Politics at Kingston University, London and Chris Giles, Economics Editor of the Financial Times. The discussion was focused on the question “Can innovations in monetary policy promote long-term prosperity?”.

The Story Behind Architecture For Humanity’s Surprising Rebirth
O encerramento do grupo Architecture For Humanity lançou uma sombra sobre o futuro das iniciativas de intervenção social e comunitária no domínio da arquitectura. No entanto, um ano depois, novas organizações sem fins lucrativos estão a erguer-se no seu lugar. O sítio web Fast Company conta a história.

Sound + Vision Magazine: Especial David Bowie
O Sound+Vision, de João Lopes e Nuno Galopim, em mais uma das suas sessões culturais na Fnac Chiado, desta vez celebrando o génio da cultura pop/rock de David Bowie.

Exposição O Círculo Delaunay
O Círculo Delaunay, uma exposição a não perder, patente no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian até ao próximo dia 22 de Fevereiro.
Sonia e Robert Delaunay viveram em Portugal desde Agosto de 1915 até Dezembro de 1916, aprofundando as relações, que já mantinham em Paris, com alguns portugueses – Amadeo de Souza-Cardoso, Eduardo Viana e José Pacheko, e a que se junta junta Almada Negreiros. Esta exposição reconstitui o ambiente criativo gerado pela presença destes artistas que a guerra traz ao seu país de origem ou que empurra para o exílio, apresentando novas investigações sobre as relações dos Delaunays com Amadeo de Souza-Cardoso.

The great architectural divide



The PC [politically correct] takeover of architecture is complete: the Pritzker Prize has mutated into a prize for humanitarian work. The role of the architect is now “to serve greater social and humanitarian needs”, and the new laureate is hailed for “tackling the global housing crisis” and for his concern for the underprivileged. Architecture loses its specific societal task and responsibility, architectural innovation is replaced by the demonstration of noble intentions and the discipline’s criteria of success and excellence dissolve in the vague do-good-feel-good pursuit of ‘social justice’.
I respect what Alejandro Aravena is doing and his "half a good house" developments are an intelligent response. However, this is not the frontier where architecture and urban design participate in advancing the next stage of our global high-density urban civilization.
I would not object to this year’s choice half as much if this safe and comforting validation of humanitarian concern was not part of a wider trend in contemporary architecture that in my view signals an unfortunate confusion, bad conscience, lack of confidence, vitality and courage about the discipline’s own unique contribution to the world.

Patrik Schumacher, via Facebook.

Patrik Schumacher’s very public reaction to this year’s Pritzker Prize announcement didn't exactly come as a surprise. The outspoken director of Zaha Hadid Architects seems to have a propensity for controversy and doesn’t shy away from a good altercation with strangers on the social web.
Despite the severity of his words or the platform used to convey them, it would be wise to avoid any temptation to personalize the discussion. There’s likely much more to consider than the mere clash of individual personalities or “styles”. In fact, however inadvertently, his stance portrays the greater divide that stands before the architectural profession in the 21st century.

At the core of this dispute stands a divergent understanding of the role architecture should play in society today. In his repeated affirmation of Parametricism as the paradigmatic style of our era, the forefront of architectural discourse and innovation in an age of globalization and market-led economies, Patrik Schumacher has emphasized the notion that architecture and politics shouldn't be associated.
Socially-engaged practices, such as the one recognized by this year’s Pritzker, stand on the opposite side of the barricade. Architecture should not only be politically engaged, it is inevitably an extension of a political discourse.


Image credits: Hufton + Crow.

The idea that Parametricism, both as a movement or a conceptual discipline, is devoid of politics seems to have correspondence with the neoliberal stance regarding the “amorality” of economic agents – an affirmation that is everything but neutral concerning “morality”. If anything, it is in fact a politically charged manifestation of the ideas of its time. Paradoxically, the term was officially “coined” by Patrik Schumacher in 2008, at the peak of the greatest financial crisis of our generation.
If Parametricism is indeed an architecture of its time, it seems to reflect the peak of an era of irrationalism, the product of forty years of credit-based monetary expansion. A financial, economic, political, social bubble. An architecture fitting for a culture of "non-crisis".

That era, as we know, began its demise in that same year of 2008. And, just as much, Parametricism runs the risk of becoming an architecture of the past, even in its forthcoming manifestations. What does the world of architecture, and architects around the world, have to learn from it? Hyper-structural buildings often characterized by a gross disproportion between the container and its contents, with an inversely proportional relation between the built and the lived; an architecture fiercely engaged in providing to the visitor the ecstasy before its own obesity.

As we are learning fast, bad politics will always result in bad architecture – and that’s something that not all the rhetoric in the world can hide.


Image credits: Vhils.

One question remains though: where is the forefront of architecture today? What epitomizes the vanguard? Aravena’s “half a good house” or the latest curvy condo in NY? If architecture is to affirm any kind of ethical commitment towards society, these interrogations should be acknowledged: do we really care about the cutting-edge skeletal residential tower by the beach in Copacabana, when you have over one million people living in favelas in the background?

By disregarding socially engaged architectural practices, Patrik Schumacher displays a tragic absence of understanding of the profound transformations that are likely to take place in this century. Having exhausted a financial model of debt-based-growth, beyond all sustainability, we are likely to witness unforeseen changes in our economic paradigm that will ultimately impact our professional landscape.

After the downfall of the CDO market and its worldwide ramifications, after the sovereign debt crisis instigated by the same rating agencies that were giving triple-A status to subprime mortgage-based CDOs right before the collapse, after the recession caused by misguided austerity policies that increased unemployment and poverty, we are now witnessing symptoms of an alarming shutdown of the global economy – impacting heavy industrial machinery enterprises, extracting industries, oil and gas companies, and now, financial markets around the world.

Making matters worse, we are simultaneously facing unquestionable signs of the impact of human activity on the planet. During this century, we are likely to face environmental transformations that will impact agriculture and other forms of human production. We will confront water shortage in several parts of the globe and a dramatic need to embrace more sustainable forms of energetic consumption.


Image credits: JR.

All these changes will impact our political and social landscape in ways we cannot yet perceive, but already we are faced with massive migrations, poverty and relentless inequality. And just as much, architecture too will be summoned to participate in the process of finding answers to these manifestations and the ways in which these will be expressed in the built environment. It's only by facing the prospect of these interconnected transformations that we can establish a true notion of what is critically relevant in our times.

This is the great architectural divide that stands upon us today. One may seek refuge in the ivory towers of globalized corporations, with these harsh realities far away from view, and find a comfortable living designing for the one percent. Just don't act surprised if your work is not particularly engaging, and least of all relevant, to the other ninety-nine.

The Big Short: a história de um crime financeiro contra a Humanidade



The Big Short é um retrato dos anos que precederam a crise financeira de 2007/2008. O filme acompanha um conjunto de analistas que vislumbrou antecipadamente o colapso das obrigações de investimento associadas ao mercado imobiliário (CDO), consideradas até então como produtos de baixo risco, classificadas pelas agências de notação como triplo-A e vendidas massivamente pelas instituições de Wall Street.

Adaptação do livro The Big Short: Inside the Doomsday Machine de Michael Lewis, o filme realizado por Adam Mckay tem o mérito de enveredar para lá da opacidade que habitualmente se esconde por detrás de expressões como derivados complexos, activos tóxicos ou economia de casino. Com o olhar satírico que lhe é peculiar, Mckay consegue tornar acessível para o grande público o emaranhado de conceitos que está na origem de tais produtos financeiros. Mais do que isso, o filme denuncia a chocante falta de ética, o “curto-prazismo”, enfim, a ganância irreprimível que levou Wall Street a perpetrar nada mais do que um autêntico crime financeiro contra a Humanidade.



E isto, senhoras e senhores, é o fim do mundo tal como o conhecemos.

No livro O Minotauro Global, Yanis Varoufakis detalha o modo como os CDO foram instrumentos que conduziram à intoxicação da economia mundial. Explica, em resumo, que os banqueiros pagavam às agências de notação de risco para conceder o estatuto de triplo-A às CDO que eles emitiam; as autoridades reguladoras (incluindo o banco central) aceitavam estas classificações como sendo fidedignas; e os jovens promissores que tinham garantido um emprego mal remunerado com uma das entidades reguladoras em breve começaram a planear a mudança de carreira para o Lehman Brothers ou para a Moody’s. A supervisioná-los estava um bando de secretários e de ministros das Finanças que ou já tinham servido durante anos no Goldman Sachs, no Bear Stearns, etc., ou estavam à espera de se juntar ao círculo mágico depois de deixarem a política. (…) Numa ecologia em que a riqueza do papel parecia auto-propagar-se, seria precisa uma disposição heróica – imprudente – para fazer soar os alarmes, para fazer as perguntas embaraçosas, para lançar dúvidas sobre o pressuposto de que as CDO de triplo-A acarretavam risco zero. Mesmo que algum regulador, corrector ou banqueiro romântico soasse o alarme, ele seria esmagado, acabando como figura trágica na sarjeta da história.

Os heróis acidentais do filme de Adam Mckay são exactamente essas figuras divergentes: analistas e gestores de investimento que, antevendo o colapso inevitável de uma colossal bolha imobiliária, conseguem prever a queda subsequente do mercado de obrigações colateralizadas. Procuram assim subscrever junto dos principais bancos de Wall Street obrigações em regime de swap (CDS), seguras em caso de incumprimento de crédito. Ao fazê-lo, estes investidores estavam a assumir enormes riscos, uma vez que só teriam retorno em caso de falência daquelas obrigações. Estavam, em boa verdade, a jogar contra o mercado – a jogar contra toda a economia. E, no entanto, convencidas da estabilidade do mercado de obrigações imobiliárias e da verdade do paradigma económico-financeiro que havia vigorado durante décadas, as firmas de Wall Street aceitaram a aposta.


Michael Lewis, autor do livro The Big Short: Inside the Doomsday Machine, editado em 2010.

Apesar do recurso a um registo satírico, por vezes caricatural, The Big Short não deixa de ser um drama biográfico sobre o maior crime financeiro da História. Muito mais do que “um filme sobre Wall Street”, esta é uma obra provocadora que aborda eventos que dizem respeito a todos. Trata-se afinal de denunciar os factos que estiveram por detrás do despoletar de uma profunda crise sistémica que continua a desenrolar-se nos dias de hoje.
Com produção de Brad Pitt que também participa ao lado de Steve Carell, Christian Bale e Ryan Gosling, acompanhados de uma lista de notáveis actores secundários onde podemos encontrar Melissa Leo e Marisa Tomei, este é um filme simplesmente obrigatório para todos os que querem conhecer melhor o mundo em que vivemos, para lá do cenário de aparências que tantas vezes se faz passar como “realidade” aos olhos do grande público.

Shoot the glass!



Se Assalto ao Arranha-Céus é um dos mais memoráveis filmes de acção da década de oitenta deve-o em grande parte a Alan Rickman. O actor inglês, então com uma respeitada carreira no teatro e meia-dúzia de participações em televisão, estava à beira de declinar o papel. O que poderia afinal levar alguém com o seu perfil, um homem dos palcos que nunca havia participado numa produção cinematográfica, a enveredar no mundo de Hollywood – e ainda para mais num território tão pouco erudito da representação.

Rickman resolveu deixar um conjunto de sugestões ao produtor Joel Silver. Era suposto que Hans Gruber, o icónico vilão de Die Hard, vestisse roupas de tipo militar, encenando mais uma variação do típico terrorista mercenário que encontramos em mil e um filmes do género. Foi Alan Rickman a sugerir que a personagem envergasse um aprimorado fato e gravata, propondo também que, a certa altura, se fizesse passar por refém – naquele que é o primeiro confronto de representação entre Gruber e o herói, John McClane.

Justamente considerado como um dos grandes vilãos de sempre do cinema, Hans Gruber é, afinal, não um mau-da-fita mas tão só um indivíduo excepcionalmente inteligente, irrepreensivelmente culto e inteiramente desprovido de escrúpulos. É o formalismo shakespeariano que Rickman lhe confere que oferece o contraste vincado com a espontaneidade natural de Bruce Willis, resultando a química perfeita que está na base do sucesso deste western urbano contemporâneo.

O resto, como sabemos, é História. Alan Rickman seguiria para uma brilhante carreira cinematográfica, abraçando sem complexos papéis mais ligeiros e populares, a par com textos de matriz erudita. A sua versatilidade, o seu carisma, a sua voz, a profunda entrega que colocava ao serviço da sua arte, fazem dele um actor inesquecível. Tinha, de igual modo, o sonho da realização que, lamentavelmente, experimentou apenas por duas vezes. O recente A Little Chaos (Nos Jardins do Rei), uma deliciosa incursão fictícia no período da construção dos jardins do Palácio de Versalhes, fica como testemunho da sua sensibilidade teatral, no melhor sentido do termo.



Faleceu ontem, aos 69 anos de idade, cedo demais.

2016 Pritzker Prize: Alejandro Aravena


Image credits: Cristobal Palma.

O arquitecto chileno Alejandro Aravena, a quem dediquei o meu texto de ontem, foi hoje anunciado como vencedor do Prémio Pritzker 2016.

Alejandro Arajena é director do estúdio de arquitectura ELEMENTAL, sediado em Santiago, que se tem destacado pelos seus projectos de interesse público e impacto social. Particularmente considerada é a sua intervenção no domínio habitacional, estando envolvido na concepção de mais de 2500 unidades de habitação de custos controlados na última década.

Um dos aspectos mais elogiados no trabalho da ELEMENTAL é a inclusão dos cidadãos em processos participados de projecto, levados a cabo em condições de grande proximidade entre os arquitectos e os futuros utilizadores. Como o próprio Aravena confessou aquando da sua conferência no fórum TED, tratam-se de processos muitas vezes conturbados e difíceis mas que podem conduzir a resultados surpreendentes, promovendo uma forte ligação entre o espaço construído final e os seus habitantes.

No anúncio oficial da atribuição do prémio, Thomas Pritzker refere que o Júri seleccionou um arquitecto que aprofunda a nossa compreensão do que é verdadeiramente um grande projecto. Alejandro Aravena é pioneiro de um tipo de prática colaborativa que produz trabalhos de arquitectura poderosos e que abordam os principais desafios do século XXI. O seu trabalho construído confere oportunidades económicas para os menos privilegiados, atenua os efeitos dos desastres naturais, reduz o consumo de energia e providencia espaços públicos acolhedores. Inovador e inspirador, ele revela-nos que a arquitectura, no seu melhor, pode melhorar a vida das pessoas.

Mais informação no sítio oficial do Prémio Pritzker, com destaque para o Media Kit e o Livro de Imagens, disponíveis em formato digital.

A arquitectura nas trincheiras do mundo



Não há nada pior do que responder correctamente à pergunta errada.

TED: Alejandro Aravena (My architectural philosophy? Bring the community into the process).

O tema da Exposição Internacional de Arquitectura da próxima Bienal de Veneza é dado por Alejandro Aravena, o homem forte da Elemental. Reporting from the front é o mote para questionar a vanguarda contemporânea num momento em que se começam a vislumbrar os contornos das transformações profundas –económico-financeiras, ambientais, sociais – que irão marcar a história deste século. Aravena propõe-nos afinal algo muito simples: que a linha da frente da prática e da crítica da arquitectura está na charneira da crise – ou dos múltiplos cenários de crise da nossa era.

O seu texto de abertura invoca sem ambiguidades o dever social da arquitectura, dando conta do número crescente de pessoas que busca uma melhor qualidade de vida num mundo cada vez mais incapaz de corresponder às carências emergentes. O futuro do ambiente construído é um lugar central nessa discussão que é tanto crítica quanto política. Está em causa, como escreve o curador da exposição, combater o business as usual e afrontar a inércia da realidade. Trata-se de identificar a “cultura da não-crise” como um dos verdadeiros inimigos deste tempo.



No repto que lança aos diversos parceiros do evento, arquitectos, sociedade civil e representantes nacionais, Aravena parece mais interessado em convocar os problemas com que estes se confrontam – as crises por resolver que habitam os seus territórios – do que fazer desfilar uma montra de soluções aparentes, pouco sujeitas à adversidade da experiência e de nenhuma consequência futura.
Paolo Baratta, presidente da Biennale, confirma esse desígnio sublinhando o afastamento entre uma arquitectura crescentemente preocupada em produzir edifícios espectaculares, reflexo celebratório do poder e das ambições dos clientes e, por outro lado, uma sociedade que lhe fica indiferente, desistindo de interrogar a Arquitectura.

Está dado o mote para um evento promissor que poderá redefinir a linha da frente da arquitectura como lugar de conflito e de crise, para lá de elaborações sobre desenho e edifício, questionando teorias de organização social e estratégias de envolvimento cívico. Importa afinal considerar a responsabilidade que transcende para lá dos edifícios que se desenham, das cidades que eles constroem, perante aqueles que as irão ocupar e a vida que neles irão fazer.
É esse também o território que Alejandro Aravena vem explorando nos últimos anos, ao leme da Elemental, através de um corpo de trabalho divergente e provocador que vale sempre a pena explorar. Ficam várias imagens de alguns dos seus projectos de intervenção social mais conhecidos, abaixo.

Distância Crítica: conferência com Ellen van Loon (OMA)



Ellen van Loon é actualmente uma das figuras de topo da OMA, a firma criada por Rem Koolhaas em 1975. Entre os projectos que dirigiu encontramos a notável torre De Rotterdam, a Casa da Música (Prémio RIBA 2007) e a Embaixada Holandesa em Berlim (Prémio Mies Van der Rohe 2005).
A arquitecta vai estar em Portugal no dia 17 de Fevereiro para participar numa conferência integrada no ciclo Distância Crítica, com produção da Trienal de Arquitectura de Lisboa. O evento terá lugar no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém. Os ingressos podem ser adquiridos através da Bilheteira do CCB e na Ticketline, com custo de 5 euros.

Contemporâneo perpétuo



Look up here, I’m in heaven
I’ve got scars that can’t be seen
I’ve got drama, can’t be stolen
Everybody knows me now

— David Bowie, Lazarus (2015).

Ser contemporâneo, do primeiro ao último dia das nossas vidas.

A minha geração descobriu David Bowie em plena fase pop, em meados da década de oitenta, algures entre o mega-êxito de Let's Dance e Absolute Beginners. Desconheciamos então os devaneios espaciais e as vidas passadas de Ziggy Stardust, que só viríamos a descobrir anos mais tarde. Era no entanto palpável a aura que fazia dele uma figura incomparável e incomummente respeitada no meio musical. Daquela década fica a memória dos duetos míticos com Freddy Mercury e Mick Jagger, bem como a prestação em Wembley, no dia 13 de Julho de 1985, no concerto Live Aid.

Contemporâneo perpétuo, David Bowie definiu a vanguarda fora das tendências do seu tempo, abrindo caminhos que outros seguiriam. Na sua música celebra-se o encontro entre a grande Arte e o universo popular. As suas transfigurações revelam-nos alguém que soube usar a identidade pessoal como palco de representação, assumindo a liberdade de ser diferente, sempre.

Parte num momento em que não havíamos ainda ponderado o alcance de Blackstar, o seu álbum testamento, marcado pela edição recente do vídeoclip Lazarus. Tony Visconti, produtor de longa data de Bowie, escreve que a sua morte não foi diferente da sua vida – uma obra de Arte. De regresso às estrelas, resta-nos o consolo na música. Para ouvir, depois do salto.

Explorando as ruínas da Casa Sperimentale +



Communicating Forms
Mais um debate promovido pela Trienal de Arquitectura de Lisboa no âmbito do lançamento da quarta edição, que ocorrerá a partir de Outubro deste ano. Com a presença de Mark Tuff (Sergison Bates Architects) e Tim Abrahams, o evento teve lugar nas instalações do Royal Institute of British Architects, em Londres, no passado dia 17 de Novembro.

A Massive Landslide of Mud and Construction Waste Strikes Shenzhen, China
Registo visual da derrocada de lamas que destruiu dezenas de edifícios e matou um número indeterminado de pessoas (contando-se várias dezenas de desaparecidos) no dia 20 de Dezembro de 2015, em Shenzhen. A reportagem é da revista americana The Atlantic.

LA's Gas Leak Is a Global Disaster
Crónica de uma monumental fuga de gás natural nos arredores de Los Angeles que começou no dia 23 de Outubro do ano passado e que ainda se encontra a decorrer. A erupção invisível teve origem na rotura de um tubo de perfuração com profundidade superior a 2500 metros. Sendo já considerado um dos maiores desastres ambientais da década, esta fuga pode estar na origem de inúmeros problemas de saúde que têm sido registados na região, tendo já motivado o realojamento temporário de milhares de famílias.

Famed architect Shigeru Ban builds quake-proof homes from rubble in Nepal
Shigeru Ban é um dos arquitectos envolvidos no processo de reconstrução das áreas devastadas pelo tremor de terra que afligiu o Nepal em 2010. As propostas têm por referência os parâmetros anti-sismicos japoneses, fazendo uso de recursos materiais facilmente acessíveis: madeira, contraplacado, enchimentos de gravilha de tijolo (reaproveitando resíduos provenientes da destruição provocada pelo sismo), perfis tubulares de cartão e placas de acrílico. O projecto de cariz humanitário foi desenvolvido por Shigeru Ban desprovido de direitos de autor. Via Archinect.

Ikea And Better Shelter Are Sending Flat-Pack Housing To Refugees In Greece
A Agência da ONU para Refugiados encomendou dez mil abrigos pré-fabricados, um projecto criado pela iniciativa Better Shelter com o patrocínio da Fundação IKEA, destinados a acolher refugiados na Grécia.

Concrete and Glass: Lina Bo Bardi's Easels and a New, Old Way of Displaying Art
Quase cinco décadas depois da sua concepção os painéis de cristal desenhados por Lina Bo Bardi regressam à galeria do Museu de Arte de São Paulo, agora recuperados e revistos pela METRO Arquitetos. Sobre a arquitecta brasileira ler também, no blogue: Uma mulher chamada Lina Bo Bardi.

Exploring the Ruins of Rome’s Casa Sperimentale
Viagem fotográfica à surpreendente Casa Sperimentale, projecto do arquitecto Giuseppe Perugini construído na década de sessenta do século passado. As imagens são de Oliver Astrologo.

Kitbashed: The Origins of Star Wars
Para os fãs, um compêndio online dedicado a investigar as fontes de inspiração do universo Star Wars, percorrendo os primeiros exercícios cinematográficos de George Lucas, as suas referências ao cinema europeu, aos filmes de guerra, aos filmes samurai e à banda desenhada, entre outras. Um trabalho de Michael Heilemann, o homem por detrás do blogue anteriormente conhecido como Binary Bonsai.