Bruno de Campos Baldaia: o choque como instrumento



O que é o choque e o que provoca em nós? O arquitecto Bruno Baldaia reflecte sobre diferentes exemplos da utilização de imagens e situações chocantes como forma de suscitar reacções intencionais no público. Gravado no âmbito da iniciativa CreativeMornings Porto, em Outubro de 2015.

A comunidade dos arquitectos não pode ficar calada perante a crise dos refugiados +



”The architectural community cannot remain apathetic to Calais’Jungle and the refugee crisis”
Num momento em que as autoridades francesas começaram a destruir partes do campo clandestino de Calais, é altura dos arquitectos se envolverem na discussão sobre o que fazer para melhor acolher as populações de refugiados e migrantes na Europa. Opinião de Jeannie S. Lee, arquitecta do estúdio londrino EVA.

Introducing Open Architecture Collaborative, the rebranded offshoot of Architecture for Humanity affiliates
Depois do colapso da Architecture for Humanity em 2015, pequenos grupos espalhados por todo o mundo juntaram-se para criar uma nova organização chamada Open Architecture Collaborative. Ler também: Architecture for Humanity Relaunches as Open Architecture Collaborative.

What does it mean to be a “good architect”?
A propósito da morte de Paul Pholeros, co-fundador da Healthhabitat, uma reflexão sobre a diferença entre fazer “boa arquitectura” e fazer uma arquitectura dedicada a promover o bem.

A Look Back: 8 Years of Social and Urban Projects
Celebrando oito anos de actividade, o ArchDaily fez uma selecção de 24 projectos exemplares no domínio da arquitectura de cariz social, comunitário ou de intervenção no domínio público.

Urban and Rural Life Collide in China
Em Metamorpolis, o fotógrafo Tim Franco documenta a colisão entre uma cultura de matriz rural e a emergência de uma nova hiper urbanidade na cidade de Chongqing, na China.

Who Cares About Urban Trees?
Sobre a importância das árvores no meio urbano e o que fazer para as proteger.

A Burglar’s Guide to the City
O livro de Geoff Manaugh, o homem por detrás do BLDGBLOG.

Ellen van Loon (OMA): conferência Distância Crítica



Conferência de Ellen van Loon, arquitecta sénior da OMA, integrada no ciclo Distância Crítica organizado pela Trienal de Arquitectura de Lisboa. Gravado no dia 17 de Fevereiro de 2016. Os mais interessados não devem deixar de subscrever o canal da Trienal no YouTube.

Ellen van Loon, from OMA, at Critical Distance, Lisbon, February 17, 2016. Fast-forward to minute 4:45 to access Ellen’s lecture in English. Conference promoted by Lisbon Architecture Triennale.

Aos 87 anos, o Óscar



Quando, em 2001, Ennio Morricone falhou receber o Óscar pela quinta vez, muitos terão pensado que apenas a entrega de um prémio honorário poderia salvar a face da Academia de Hollywood. Com uma carreira que se estende a mais de meio século, o compositor italiano deixou a sua marca em inúmeros momentos icónicos da História do Cinema: A Missão, Era Uma Vez Na América, Era Uma Vez No Oeste, Os Intocáveis, Frantic, A Lenda de 1900, Malèna, entre tantos outros.

Recebe, aos 87 anos de idade, um justo reconhecimento pelo seu trabalho em The Hateful Eight de Quentin Tarantino, celebrando uma vida que não precisa já de qualquer validação. Deixo uma das suas mais belas melodias, o tema do inesquecível Nuovo Cinema Paradiso de Giuseppe Tornatore, realizador com quem viria a colaborar diversas vezes. Curiosa ironia: a música de Cinema Paradiso não chegaria a merecer sequer, em 1990, a nomeação para o Óscar. É, no entanto, uma das suas composições mais amadas e considerada por muitos a banda sonora das suas vidas. Para ouvir, depois do salto.

Coisas que aprendi a escrever um blogue


Image credits: Oliver Jeffers.

Se a subjectividade é uma qualidade que, em grande medida, devemos celebrar, importa ter em conta que o uso recorrente da primeira pessoa na validação de um argumento é nada mais do que um atalho de pensamento. Era esta a ideia central da anterior reflexão Autobiografia de um pequeno ego, escrita a propósito do simplismo que predomina sobre o exercício da opinião publicada nos meios de comunicação social.

Uma das coisas que aprendi a escrever um blogue ao longo de uma década foi a identificar e corrigir algumas patologias de escrita. A mais recorrente é porventura o uso inadvertido da primeira pessoa do singular como mecanismo de auxílio retórico. Raros são hoje os momentos em que aplico esse tempo verbal e, nas circunstâncias em que tal sucede, correspondem sempre a uma opção reflectida e deliberada.

Existe um forte motivo para tal. É inteiramente diferente produzir reflexão sobre um tema, seja ele qual for, aplicando ou omitindo a primeira pessoa do discurso. Esse facto é particularmente relevante quando o objecto que merece a nossa atenção não diz respeito à nossa experiência de vida, como seja uma opinião sobre questões de sociedade ou política, quer se trate de um tema controverso ou até de uma crítica a uma figura pública.

A introdução da primeira pessoa no discurso permite validar e enfatizar uma opinião a partir de nós próprios, invocando, para tal, os sentimentos que tais temas nos suscitam. Podemos certamente abordar questões complexas como, por exemplo, o casamento e a adopção homossexual, a interrupção voluntária da gravidez ou a morte assistida, recorrendo, para tal, dos juízos éticos, morais ou meramente emocionais que elas nos evocam.

Ao fazê-lo, o autor estará a esquecer-se que a sua experiência de vida é provavelmente irrelevante para o entendimento pleno das matérias em discussão. A nossa vida é apenas nossa e é marcada por um conjunto específico de circunstâncias, desafios, limitações e privilégios – todos eles diferentes do universo mais vasto de pessoas que se confrontam com tais problemas. Mais grave ainda, corremos o risco de ignorar desigualdades e sublimar vantagens estruturais presentes na nossa condição social.

Pelo contrário, quando removemos da argumentação a primeira pessoa vêmo-nos na contingência de encontrar asserções que a sustentem fora de nós próprios. A primeira pessoa oferece-nos respostas. A sua ausência obriga-nos a fazer perguntas; sobre os factos, sobre as circunstâncias que os envolvem, enfim, sobre esse vasto mundo, cheio de dúvidas e interrogações, que importa descobrir lá fora.