De repente sinto-me a escorregar na cadeira, com vontade de mergulhar em almofadas, não sei... Afastar-me desses temas muuuuito importantes que proliferam na blogosfera onde todos andam a resolver os problemas do mundo. O mundo, esse, parece-me sempre na mesma. Sim, de repente apetece-me tornar A Barriga De Um Arquitecto no meu próprio Murcon. Falar para mim e para um grupo de amigos, conhecidos ou não, partilhar comentários e, um dia, sei lá, convidá-los para jantar cá em casa. Sim, o que me apetecia mesmo era tornar este mundo mais pequeno e todos nós num pequeno grupo de amigos. Não sei se a blogosfera consegue fazer isso, mas o Machado Vaz lá anda entretido com as suas coisas, o seu Vergílio, as suas doces tramas. E parece-me o mais feliz, de todos os blogonautas...
Bom fim-de-semana!
O meu Murcon
Sideways

Miles e Maya são pessoas com bagagem, bem mais interessantes que os seus amigos Jack e Stephanie. Não admira por isso que se envolvam em tantos rodeios, se levantem daqui para ir sentar ali saltitando de tema em tema para evitar encararem-se um ao outro. A certa altura Maya fala da sua paixão pelos vinhos, de como são coisas vivas, sempre diferentes, sempre em transformação. E discorre sobre o tempo da colheita, se fez sol ou se choveu, relembrando as pessoas que fizeram o vinho, quem cuidou e colheu as uvas e se ainda serão vivos. Estão a ver, Sideways não é um filme sobre enologia mas sobre a passagem do tempo nas nossas vidas. Sideways é a história de Miles, um divorciado que não vive há dois anos e é trazido à vida numa viagem pela rota dos vinhos da Califórnia e pelas mãos do seu amigo Jack tão imaturo como encantador. O renascimento de um homem imperfeito lutando consigo mesmo, por vezes burlesco, por vezes apaixonante.
Um excelente filme para uma noite quente de Verão, para acompanhar com um bom vinho tinto e ser tomado em boa companhia.
Ganhar dinheiro
Atelier Churrasqueira: fazem-se projectos na brasa!
Nem Deus faz projectos nem os arquitectos fazem milagres!
(slogans de cartazes improvisados colados nas paredes de gabinetes de arquitectura)
Certa vez, no tempo em que andava na faculdade, dei por mim numa mesa de amigos mais velhos. Um deles virou-se para outro que era arquitecto e disse-lhe que eu estava a estudar arquitectura. A resposta: coitado.
Já se sabe que os arquitectos são uns queixinhas por natureza mas a transição da faculdade para o mundo do trabalho é dolorosamente real. Os baixos salários são reais. A percepção de que se está a produzir muito pouca arquitectura. A revelação que a profissão é uma actividade económica que trabalha com dinheiro a sério!
Por isso chateio-me sempre que oiço a ladaínha do costume: os arquitectos vendem-se por dinheiro. Porque a arquitectura é uma profissão à moda antiga, é um trabalho e um modo de vida. Que mal tem isso?
Nós arquitectos vendemos o nosso saber, tempo, conhecimento, capacidades, talento. A escola devia ser uma ferramenta que nos preparasse para pensar criticamente através de metodologias praticadas, em oposição à ingenuidade aleatória do salve-se quem puder em que todos crescemos. É por isso que agora se inventaram os estágios: porque se esqueceram de nos treinar realmente a ser arquitectos lá dentro.
Com uma competitividade cada vez maior torna-se necessário aumentar a eficiência de tudo o que fazemos e aprendemos para gerar rendimento (e lucro) enquanto se protege o público e se produz arquitectura – a parte difícil. É esse o mundo em que vivemos. As margens de lucro são pequenas a não ser que tenham o vosso próprio negócio, mas aí o risco de perderem as calças é bem real. Por isso temos de enfrentar os factos, especialmente os que trabalham por conta de outrem e têm a porta de saída à vista: temos de realizar trabalho o melhor e o mais rápido possível. Os melhores conseguem fazê-lo, depressa, com precisão e mantendo o estilo e um ar sexy. Os outros ficam a queixar-se de como a profissão lhes anda a ferver os miolos. No meio disto, o que é que fica? Bom, é isso mesmo, é uma selva arquitectónica lá fora e os mais fracos serão devorados.
Arquitectura? Por alguma razão continua a ser a coisa mais importante, porque em tudo o que fazemos devemos fazer o nosso melhor. Sim, os clientes andam à procura do mais barato e os regulamentos municipais são feitos para nos atar as mãos e o vosso patrão quer-vos a espremer e a cumprir prazos de entrega porque essas são as regras do jogo. A recompensa é fazer o melhor que saibam em todas as tarefas colocadas à vossa frente. Detalhe, especificação, escrever, fazer cópias, encomendar clips, esquiçar, desenhar, pesquisar na net, vender, escrever propostas, falar com clientes, reclamar com os empreiteiros, evitar aldrabões, e tudo o mais em que conseguirem meter as mãos. É esse o mundo real da arquitectura, e se não gostam dele dêem meia volta antes de pedir empréstimos ou gastar o dinheiro dos pais.
E no entanto, há esperança. Se forem persistentes encontrarão oportunidades para desenvolver esses músculos de projecto, expandir os vossos conceitos teóricos, experimentar materiais, métodos, planos. Os clientes podem ser persuadidos, os orçamentos e prazos podem ser vencidos, os empreiteiros podem ser amigos (esta pode ser difícil), podem projectar mais e podem gostar do que fazem!
Se não gostam, ouvi dizer que a McDonalds está a recrutar.
Numa cidade perto de si!

Está disponível no Archined uma análise extensa do edifício da Casa da Música de Rem Koolhaas (OMA), da sua concepção à arquitectura final. O texto acompanhado de várias fotografias é um bom teaser, agora que o período de férias permitirá a alguns a visita tanto tempo adiada.
Barriga de Verão
A Barriga De Um Arquitecto estreia hoje uma nova apresentação. Ao contrário do que alguns possam pensar não foi apenas uma vontade em mudar a imagem. Principalmente, tratou-se de adoptar um “template” mais versátil e de configuração simples. E também de tornar a página mais legível.
Infelizmente, e para já, esta alteração implicou o fim dos comentários “pop-up” (numa janelinha separada) na primeira página. O sistema de comentários continua a funcionar mas estes terão de ser acedidos através da página do próprio texto.
Como sempre é possível que as modificações não agradem a todos. Agradeço as vossas críticas. E não espero elogios. Vá, sejam picuínhas, digam o que não gostam ou acham que podia ser melhor. A página lê-se bem? E os links, são demasiados? E que dizer da organização? E as cores? Gostavam mais da página como estava? Porquê? Queixem-se e digam o que vos vier à cabeça. Ou então não.
Antes (clique para ampliar):
