Uma mulher na cidade


Image credits: Benoit Paillé.

Woman and Cityscape. A cidade é Paris. Mais para ver aqui, incluindo imagens de uma passagem recente por Portugal.

Vida em busca de vida



Life Looks for Life é a segunda parte de uma série de pequenos filmes de tributo a Carl Sagan, recordando as suas reflexões sobre a condição humana neste Pequeno Ponto Azul, rodeados de escuridão. Para continuar a seguir na página The Sagan Series no Facebook. Novamente, via The Dark Side of the Force.

Metropolis


Image credits: Christian Stoll.

Entretanto, na Internet



Esta infografia sobre o Facebook circulou recentemente pela internet. Entre os muitos dados que ali se apresentam está o retrato de uma plataforma online em crescimento exponencial com 500 milhões de utilizadores activos, cerca de uma em cada treze pessoas do planeta.

Alguns dados curiosos a reter: metade dos utilizadores com idades compreendidas entre os 18 e os 34 anos consulta o Facebook quando acorda e 28 % acede a esta rede social a partir do seu telemóvel antes de se deitar. Mas talvez a informação mais surpreendente seja aquela que se destaca na imagem acima: metade dos jovens americanos consultados afirmaram ter acesso às notícias a partir do Facebook.
São dados estatísticos que passaram pela rede como mera curiosidade, fenómeno recorrente num meio dominado pela sobrecarga de informação. E, no entanto, o que está em causa é uma alteração de um paradigma de comportamento no relacionamento do público com o meio jornalístico que vai muito para lá da discussão sobre os suportes físicos, da migração do formato papel para os meios digitais.

Mais importante do que reflectir sobre a adaptabilidade dos meios jornalísticos convencionais a novos interfaces tecnológicos será questionar alterações da lógica comportamental na pesquisa de informação. Perante isto importa pouco discutir a reconversão gráfica dos jornais ao monitor dos tablets e dos e-books, como se esse fosse o real desafio presente aos media informativos. Porque o crescimento desta tendência, indiscutível e talvez inevitável, representa uma real ameaça ao estatuto do jornalismo de base editorial. No Facebook o utilizador constrói, a partir da sua rede de conexões, o seu próprio algoritmo de selecção noticiosa, custom-made, aleatório, muito mais permeável a lógicas de popularidade e de tabloidismo do que ao escrutínio daquilo que é relevante ou importante.

Que espaço restará então para o enquadramento da complexidade dos factos, submersos na torrente de links e de likes, quando a notícia for substituída pelo vídeo bombástico e o pensamento submergir ao ruído irreflectido da rede?

A destruição da razão

O caminho está aberto porque a percepção dos valores da democracia é escassa: milhares de pessoas correm a assinar uma petição na Internet intitulada "1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política" e jornais e blogues batem palmas como se não se tratasse de um puro manifesto antidemocrático. "Demitem toda a classe política" como? Como em 1926, com o 28 de Maio? Como se Portugal fosse o Egipto e "Sócrates-Passos Coelho- Portas" (e porque não Jerónimo de Sousa e Louçã) fosse um compósito de Mubarak? Sem eleições? Sem partidos? Democracia directa com votos pela televisão em chamadas de valor acrescentado e o Parlamento no Facebook? Os votos seriam como aquelas sondagens nos blogues? E por que, dizem, não é mais democrático, mais igualitário, mais livre, eu poder fazer o que entender, sem peias, nem lei, nem propriedade, expondo um mundo subterrâneo de gigantescos ressentimentos e invejas, que está lá bem em abaixo nos subterrâneos de Weimarzinho? O retrato desse mundo está bem presente no coro de insultos dos comentários, a vox populi muito elogiada pelos libertários da Internet, um mundo dos comentadores anónimos ou semianónimos que é fascista no seu preciso termo, é a linguagem da força sem lei, a destruição verbal do outro, o veneno das palavras, como o rícino que os squadristi obrigavam os seus adversários a tomar. Todas as peças se montam, em pequenino, em "zinho", mas encaixando entre si. E muita cobardia sobre o que se está a passar, sobre o mundo que começa a parecer, silêncio a mais.
José Pacheco Pereira, Abrupto.

Um texto obrigatório onde não se fazem prisioneiros, para ler na íntegra aqui.