

Gonçalo Byrne Arquitectos: Estoril-Sol, Estoril, Portugal, 2004-2010. Image credits: Fernando Guerra FG+SG. This post is available in English.
Uma galeria fotográfica deste projecto encontra-se disponível na página Últimas Reportagens.
A reocupação dos terrenos do Hotel Estoril-Sol por um novo complexo de uso maioritariamente residencial com chancela do estúdio de Gonçalo Byrne revelou-se um processo controverso e difícil, balançando entre a responsabilidade ética da intervenção, as possibilidades abertas pela transformação daquele território e também o choque com a memória pública do lugar e o seu contexto envolvente.
Se o espaço urbano é tantas vezes lugar de conflitos onde se estabelecem tensões diversas, do desejo de uma paisagem construída participada ao respeito pela legitimidade da iniciativa particular, entre o trabalho de autor e as expectativas dos cidadãos sobre o espaço que rodeia a sua vida diária, estaremos neste caso perante um projecto que terá representado um conflito também para o seu mentor. Pressentimo-lo das próprias palavras de Gonçalo Byrne, no pudor sobre a decisão difícil de demolição, nos constrangimentos tipológicos pré-definidos, nas condicionantes morfológicas.

Fazer arquitectura com dimensão urbana é negociar, tantas vezes, relações entre interesses divergentes, entre a conexão e a segregação, a privacidade e a vida comunitária. Trata-se de um exercício carente de uma visão urbana, crítica, sobre a refundação da intensidade funcional de um território onde se busca permitir diversidade sem pôr em causa a individualidade. Sobre isto, talvez valesse a pena reflectir quanto à atitude de Byrne perante processos complexos, desafiando-se a si e aos outros para além do discurso facilitista de uma estética reconhecível ou um cunho pessoal.
O novo Estoril-Sol revela-se enquanto edifício que não se baseia em qualquer tradição, na vivência implementada, mas numa possibilidade de futuro, de nova experiência do lugar. Estamos naturalmente perante uma encarnação de dimensão económica imobiliária, um landmark em contraste com o contexto, enfatizando a sua importância visual na paisagem enquanto ponto de referência. Pese embora o novo projecto estabelecer uma redução de um terço da área construída estamos perante um híbrido compacto de dimensão infraestrutural, uma figura dominante sobre a paisagem. Trata-se de um objecto que se propõe mais como sistema construtivo do que enquanto edifício individual, marcado pela porosidade dos vazamentos entre torres e consolas balançadas. Uma peça assumidamente escultural, marginal a formulações de tipologia pré-definidas. Harmoniosa ou discordante, é uma arquitectura que rejeita as limitações de estilo ou a representação de arquétipos, sugerindo afinal uma modernidade crítica e reguladora da urbanidade e do território que a envolve.

Só o tempo dirá o modo como este edifício mal-amado de um dos mais respeitados arquitectos portugueses se irá consolidar na memória popular. E no entanto ensaia-se já uma utilização pública da envolvente, uma apropriação do lugar enquanto espaço de encontro e de passagem, relacionando o vale posterior, o passeio público e a frente marítima, em sinergia com o tráfego pedonal intenso e diário. De resto, este novo híbrido parece estender-se pacientemente, observando a passagem do tempo à espera de se tornar aceite enquanto parte da paisagem.




Arquitectura: Gonçalo Byrne Arquitectos.
Fotografia: Fernando Guerra FG+SG.
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My name is Daniel Carrapa. I was born in Lisbon, Portugal, in 1973. I’m an architect living in Évora, a nice historical town that was included in the World Heritage List by UNESCO in 1986. I’m married, have 4 cats – Matilde, Patanisco, Olivia, Lisa – and 1 dog – Moby. Moby is a three-legged dog. He’s okay. I graduated as an architect in 1996 (FAUTL Lisbon Faculty of Architecture). I am also an authority on cat litter and will provide expert advice upon request.
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Established Dec. 2003. Thank you for stopping by.
De um modo geral, somos muito conservadores.As mudanças tornam-nos mais inseguros, vulneráveis.
Somos muito apegados às Formas tradicionais, àquilo que já conhecemos. Lembro-me que quando da construção do Centro Cultural de Belém, se lhe chamou o Bunker por ser aquela floresta de pedra. No entanto hoje todos o vemos de um modo diferente e o aceitamos tal como é.
Aqui em Portugal, não estamos habituados a ver certas Formas e Feitio em prédios de habitação. Mas acho que o tempo e o convívio com a Obra nos vai ajudar a olhá-lo com outros olhos. Talvez nos falte a Cultura Artística que se aprende na Escola e se "bebe" nas famílias em muitos países europeus. Para quando, também no nosso?...
Um abraço. Butterfly