Civilities II, a+t ediciones.

Civilities é o título da actual série de publicações em lançamento pela editora espanhola a+t, especialmente dedicada à análise de edifícios públicos e equipamentos de uso social.
Apresentando uma selecção apurada de projectos de arquitectura muito recentes e um cuidadoso trabalho de edição incluindo diagramas, desenhos técnicos e recolha fotográfica, dá a conhecer um conjunto extenso de «civic facilities»: bibliotecas, ginásios, centros de saúde, clubes de juventude e equipamentos desportivos, entre outros.
Mais interessante do que uma análise das funções utilitárias de cada projecto é a reflexão sobre os seus impactos enquanto pontos focais na vida das cidades em que se inserem. Tratam-se, quase sempre, de projectos que resultam de uma abordagem participativa das suas comunidades locais, promovendo a interacção e a regeneração da vida pública nas áreas urbanas que as rodeiam.
Fica a recomendação para esta série de revistas de edição muito cuidada e sem publicidade, que dá a conhecer alguma da melhor arquitectura desenvolvida por arquitectos espalhados pelo mundo, com uma apresentação muito informativa e graficamente irrepreensível.


DBOOK, a+t ediciones.

Igualmente interessante é a série de livros da a+t dedicada ao tema da Densidade. O livro DBook reúne 64 projectos de habitação colectiva, analisados em função da sua tipologia de ocupação. É um trabalho muito bem realizado que aprofunda a relação entre a densidade e a expressão urbana da arquitectura, reunindo projectos em realidades muito diversas.


Density: New Colective Housing and Density Projects, a+t ediciones.

Num formato mais leve, o livro Density Projects reúne várias dezenas de projectos não anteriores a 2007. Diferentes modelos de estratégias de ocupação do solo urbano são analisados e comparados, num registo crítico sobre a mudança de conceitos em torno do ambiente construído e a apropriação de recursos resultante da sua implementação.

Visitem a a+t para mais informação sobre estas e outras publicações, bem como pormenores de subscrição.

a+t Civilities and Density series
Civilities is the current series of a+t magazine, specially dedicated to the analysis of public and civic use buildings. It features a careful selection of contemporary architecture projects and is supported by a detailed presentation work, including diagrams and technical drawings. Projects range from libraries to gymnasiums, health centers, nurseries, youth clubs and sports fields, among others.
The critical effort of this publication goes beyond the simple analysis of the utilitarian functions of each building, reflecting upon their impacts as focal points in the life of their cities. These are, for the most part, works that were closely supported by the active participation of local communities, promoting interaction and the regeneration of public life.
I strongly recommend this magazine series for its careful edition, very informative, graphically irreprehensible and without advertising, presenting some of the best public architecture being developed by architects all around the world.
Also worth noticing is a+t series of books dedicated to the issue of Density. DBook presents 64 collective housing projects from diverse realities and focuses on the urban expression of density in architecture. In a lighter format, Density Projects gathers 36 projects in phase of development or execution throughout 2007. Innovative occupation strategies for the built environment are analyzed and compared, reflecting upon their specific qualities and particular impacts.
Visit a+t for additional information on these and other publications, as well as subscription details.


Se perderam o artigo de Clara Ferreira Alves da passada semana no Expresso recomendo-vos a leitura do texto Dificuldades para deficientes, agora disponível online. Os problemas da acessibilidade urbana nas nossas cidades são geralmente reflectidos com base em generalidades e boas intenções. Estas coisas ganham sempre outra expressão quando observadas numa perspectiva directa e pessoal. E se casos como os de Lisboa levantam limitações a quem nos visita, não devem deixar de nos preocupar mais ainda pelos que aqui vivem e se debatem com estas dificuldades todos os dias.

This text is not available in English.




Scott Hansen tem vindo a publicar no seu blog um interessante conjunto de fotografias registadas em Lisboa. Esta selecção de imagens pode também ser vista numa compilação reunida no (NON).

Scott Hansen in Lisbon
Scott Hansen has been publishing an interesting collection of photos documenting his passage through Lisbon. This selection of images is also available on (NON) as a compiled set.




Os mais interessados em astronomia devem estar bem familiarizados com o Google Sky e o Celestia. A Microsoft acaba de lançar uma poderosa adição a estas ferramentas com o seu WorldWide Telescope. Trata-se de um telescópio virtual com um belíssimo sistema de visualização. Oferece, entre muitas funcionalidades, uma plataforma de navegação contínua que permite olhar em qualquer direcção e ampliar até distâncias inimagináveis, desde que tenham uma máquina potente e uma ligação de internet em banda larga.

WorldWide Telescope
Those of you with an interest in astronomy are probably familiar with Google Sky and Celestia. Microsoft’s recently released WorldWide Telescope is a powerful addition to these tools, presenting a virtual telescope with a fascinating visualization system. It provides a seamless navigation platform that allows the user to look anywhere and zoom into unimaginable distances, as long as you have a resourceful machine and a fast online connection.




Mirrorcities tem um conceito muito simples. Duas pessoas em lados opostos do globo: uma em Tokyo, outra em Lisboa. Um tema em comum e como esse tema é visto por cada uma das autoras em cada uma das suas cidades.

Mirrorcities
Mirrorcities has a very simple concept. Two women in opposite sides of the globe: one in Tokyo, another in Lisbon. One common theme captured by both authors in each of their cities.




Aqui no blog gostamos à brava de Mark Wigley e até sabemos escrever o seu nome. Fica a recomendação para a entrevista que o canal online 0300.TV está a publicar - link directo (parte 1 de 3). Entre outros temas o co-fundador da Volume fala de como muitas academias se estão a tornar em fotocopiadoras de ensinar e da necessidade de promover uma nova mentalidade na prática da arquitectura.
Mark Wigley é decano da Graduate School of Architecture, Planning and Preservation na Universidade de Columbia em Nova Iorque.

An interview with Mark Wigley (0300.TV)
We really like Mark Wigley. We can even spell his name. So we recommend the interview that 0300.TV is currently presenting online - direct link (part 1 of 3).
Among other matters, the co-founder of Volume Magazine talks about how many academies are becoming teaching copy-machines, addressing the need to promote a new mentality in the realm of architectural thinking.
Mark Wigley is the dean of the Graduate School of Architecture, Planning and Preservation of the University of Columbia, in New York.



Mundo Perfeito, Fernando Guerra.

Não acredito na objectividade da fotografia. Por mais que muitos tentem apagar as contingências subjectivas da vida quotidiana que contaminam os espaços puros que os arquitectos desenham, uma imagem de um qualquer objecto arquitectónico, ou simplesmente de um objecto, é sempre a imposição de um ponto de vista. De quem fotografa, de quem escolhe o enquadramento, de quem escolhe a luz, o tempo de exposição, o tipo de lente, a máquina. É um olhar que implica uma escolha, ou infinitas escolhas, e é por definição (definitivamente?) subjectivo.
Não acredito no mito do fotógrafo de arquitectura contemplador que acha possível escolher a priori um único olhar sintético que conjugue tudo o que uma obra de arquitectura encerra. A arquitectura depende de inúmeras variáveis, nunca é totalmente apreensível, é infinitamente interpretável. A percepção da arquitectura decorre da conjugação de múltiplos pontos de vista, da reconstituição mental de inúmeros espaços.

I do not believe in the objectiveness of photography. Despite the attempt of many to erase life’s subjective contingencies that contaminate the pure spaces drawn by architects, the image of an architectural object - or of any object - is always the imposition of a point of view. Of the photographer, of the one who chooses the light, time of exposure, type of lens or the camera. Whatever the case, it will always imply a choice or infinite choices and it is by definition (definitely?) subjective.
I do not believe in the myth of the architectural photographer as a contemplative, who thinks it is possible to choose, beforehand, one single synthetic perspective that combines everything a work of architecture encompasses. Architecture depends on many variables, it is never fully apprehended; it is, on the contrary, endlessly interpretable. The perception of architecture stems from the combination of multiple points of view, from the mental reconstitution of numerous spaces.


[Luís Urbano, Comissário da exposição “Mundo perfeito” / Curator of the “Perfect world” exihibit.]





A Exposição «Mundo Perfeito» dá a conhecer o trabalho fotográfico de Fernando Guerra, assinalando o lançamento do livro com o mesmo nome. Projectos realizados em território nacional ou por arquitectos portugueses no estrangeiro, passam por aqui algumas das melhores obras de arquitectura portuguesa contemporânea.
Poucas áreas da fotografia se debatem tanto com a busca da «verdade» como o caso da arquitectura. Como se ao fotógrafo fosse exigido um olhar neutro, sem mise-en-scène, uma super-visão absoluta da obra. Discussão em torno de um impossível: a imagem encerrará sempre a representação do espaço, sempre um subjectivo. Em Fernando Guerra a fotografia é um trabalho exaustivo de procura da abstracção por detrás da arquitectura; gesto que se revela por vezes mais fiel à visão de autor do que à realidade da obra. As viagens que nos oferece vão além do espaço material, penetrando no mundo das ideias, dos conceitos, dos conteúdos. Mais do que dar a conhecer, a sua fotografia convida a descobrir.
O livro «Mundo Perfeito» pode ser adquirido nas principais livrarias ou encomendado directamente no sítio web de Fernando Guerra: Últimas Reportagens. A exposição estará patente na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto até ao dia 6 de Junho.



Perfect World –exhibition and book
«Perfect World» presents the architectural photography of Fernando Guerra, featuring selected works of Portuguese contemporary architecture.


Critiquei, por mais que uma vez, o Abrupto por razões de design web. Citei, por mais que uma vez, o blogue de Pacheco Pereira pela inteligência das suas reflexões sobre a blogosfera portuguesa.
Hoje o Abrupto completa seis anos de existência, assinalando a data com um poema inédito - e bastante divertido - de Vasco Graça Moura. Também A Barriga de um Arquitecto confessa a sua perplexidade pela «obsoletização» a que está votada pelo acordo ortográfico. A justificar uma micro-causa?

Parabéns ao JPP.



DARCO Magazine 02. Click to read (Portuguese text only).

Já se encontra à venda o segundo número da DARCO Magazine. Neste volume encontram-se em destaque obras do Estudio Barozzi Veiga, de Wespi De Meuron e de Paulo Providência.
A DARCO é uma revista publicada pelo Directório ARCO onde se destaca a apresentação detalhada de obras de arquitectura, conjugando a fotografia e desenhos técnicos de projecto. Este número está também disponível para consulta online.

dARCO Magazine 02
The second volume of DARCO Magazine has just been released. This issue features works by Estudio Barozzi Veiga, Wespi De Meuron and Paulo Providência.
DARCO Magazine is a portuguese publication produced by Directório ARCO and is available online.

...


DIAGRAMMING FOR THE PEOPLE
Texto publicado na revista DARCO Magazine 02.

Dizia Gonçalo Byrne que em arquitectura deveríamos considerar sempre em primeiro lugar a obra construída, depois o projecto que lhe deu origem e apenas num distante terceiro lugar o seu autor. Só a obra é sujeita ao atrito da terra e à lenta apropriação do público. A obra de arquitectura existe entre a resistência e a capacidade de adaptação ao futuro, firmando no tempo a sua impressão cultural e um registo mais perene da dimensão teórica.

Que vivemos numa época contaminada pela imagem é uma afirmação banal. Partindo daqueles princípios enunciados por Byrne poderíamos dizer que isso contribuiu para uma inversão desta ordem de valores. Quantas vezes a projecção mediática se centra, em primeiro lugar, sobre o arquitecto, para se debruçar sobre o que ele vai fazer e onde. O que corresponde a um descentramento da teoria; o abandono da reflexão em benefício da antecipação. O projecto ascende assim sobre a obra; as suas imagens extravasando a novidade, o fantástico, os sonhos e as ambições deste tempo. Nunca como hoje o “render” ocupou as revistas de arquitectura para ilustrar até as suas capas – uma simulação que não requer já reflexão para se legitimar, como se a imagem, espectacular e bela, se bastasse a si mesma.

Um mundo sobrecarregado de imagem comporta o risco de relativização dos seus significados mais profundos, em detrimento da celebração da superfície. Também os “media” contribuem para promover ideias simples e reduzir o complexo processo criativo da arquitectura em rasgos de génio individual. É por certo mais fácil celebrar um objecto concreto do que o processo abstracto que lhe dá origem. E, no entanto, é a visão colectiva, colaborativa, entre promotores e projectistas que define o sucesso da realização arquitectónica – de uma arquitectura que é hoje muito mais que uma das artes do desenho mas todo um processo de gestão de objectivos, de meios, de tempos, de bases contratuais, de estratégias de implementação.

Devemos por isso ser prudentes relativamente aos juízos que fazemos sobre as imagens da arquitectura – tanto na celebração irreflectida da sua grandeza como na negação preconceituosa e desconhecedora de conteúdos menos aparentes. Cabe-nos, enquanto profissionais da área, o dever de distinguir esses conteúdos e produzir sobre eles inteligência crítica. Identificar as diferenças e trazer à luz os contextos e os processos que lhes dão origem.

Também enquanto arquitectos afirmamos repetidas vezes o papel de coordenação entre os domínios técnicos presentes em projecto. Fazemo-lo com um sentido adquirido de legitimidade, raras vezes questionando os motivos que o justificam. Raras vezes meditando sobre a responsabilidade (“accountability”) devida a essa função, e muitas vezes procurando levar a reboque os promotores e restantes técnicos envolvidos em nome de pouco mais do que a intenção estética; do que a “imagem”. Nos vazios deixados pelo cliente, na ausência de uma cultura programática que processe com exigência os objectivos do projecto e os meios à disposição para o concretizar, arquitectos assumem o protagonismo. Fracos clientes de nós próprios, parecemos esquecer que as verdadeiras ferramentas do projecto de arquitectura são hoje os orçamentos, os calendários, os regulamentos, as políticas, as condições do sítio – limitações que encerram todas as oportunidades e podem potenciar as soluções mais inovadoras.

Talvez pudéssemos dizer que, na sua aparência, Portugal é um país resistente à cultura da imagem. O discurso consolidado das academias parece ter eco no conservadorismo da instituição pública e na desconfiança de promotores e do público perante a inovação e a audácia. Mas talvez a nós, arquitectos, seja devido mais esclarecimento. Pois que tantas vezes julgamos uma arquitectura mais espectacular na sua forma ignorando os complexos processos que a sustentam – a dinâmica económica, a hiper-racionalização e gestão complexa que nela se processa.
E assim devemos questionar se não é alguma da nossa arquitectura, na sua expressão reservada, acanhada e modesta, mais devedora de uma contenção meramente formalista, também ela devedora de uma mera lógica de “imagem”. Que o superficial também se pode esconder sob muitas formas, na ambiguidade retórica de uma parede branca.



If you think of it, children starting school this year will be retiring in 2065. Nobody has a clue, despite all the expertise that's been on parade for the past four days, what the world will look like in five years' time. And yet we're meant to be educating them for it.
So the unpredictability, I think, is extraordinary.

Sir Ken Robinson – Do Schools Kill Creativity?, via TED.

A Educação motiva as paixões de muitos e desperta por certo os desesperos de tantos outros. Sobre a Escola projectam-se expectativas tanto quanto se revelam as disfunções do fazer colectivo. Algo que podemos sentir com alguma facilidade nestes tempos cheios de complexidade e incerteza quanto ao futuro.

Entrei para a Escola há pouco menos de trinta anos. Pensando nisso, é quase inacreditável pensar em como as coisas mudaram – na nossa relação com o conhecimento, na comunicação global, no sistema económico e nas expectativas laborais, na estrutura social. Em tudo.

A exposição sedutora de Ken Robinson no TED é um bom pretexto para pensar nesse futuro imprevisível que nos maravilha e inquieta ao mesmo tempo. As suas preocupações quanto ao papel da criatividade numa nova economia baseada no conhecimento deixam claro o desafio assente à Escola de hoje. Uma Escola que tem de servir de abrigo para a experimentação e a expressão de formas de inteligência bem diferentes daquelas promovidas por modelos passados. Um lugar onde o objectivo não se pode resumir a evitar o erro; antes promover o risco, a originalidade, a criatividade.

É muito acertada a observação de Robinson: que o propósito da educação pública em todo o mundo parece ser produzir professores universitários – “são aqueles que saem no topo da pirâmide”. Temos assim um sistema educativo predicado na ideia de “academicabilidade”. Ou seja, as universidades delinearam o sistema à sua imagem – o que reflecte toda uma visão sobre a “inteligência humana”. Aqueles que seguirem os parâmetros estabelecidos, tocarem as teclas certas, obterão sucesso. Um “processo retroactivo de acesso à universidade”.

Mas o mundo muda, de facto, ainda que os sistemas educativos e as academias possam não o fazer. Onde antes uma licenciatura era garantia de emprego, temos hoje uma realidade de inflação académica. Ou seja, as qualificações do sistema vão perdendo adequação a uma realidade económica em que outros valores se sobrepõem.

Sou arquitecto e não um especialista em Educação. Nestas breves reflexões abordei o papel que a arquitectura pode desempenhar para suportar novas ideias e novos modelos para o ensino. Porque na Escola a arquitectura não é tanto um fim mas um meio para consolidar um lugar capaz de albergar as novas funções que se lhe exigem.

Ao fazê-lo, confesso, tenho perfeita noção do distanciamento que este registo de discussão de arquitectura tem perante os critérios de uma análise super-académica da arquitectura. O exemplo de planificação tipológica presente na página da DesignShare é o tipo de coisa votada ao mais completo desprezo – uma espécie de discussão arquitectónica de segunda categoria, de tão básica na sua forma e tão evidente na sua substância. Mas o que me importa dramatizar é a importância em valorizarmos não apenas as manifestações de arquitectura de elite – que nos podem e devem motivar um justo entusiasmo – mas considerar igualmente o alcance da doutrina da arquitectura na elevação de padrões e tipologias. Naquilo que têm de expressão no território vivido pela comunidade colectiva. Da realidade massificada. Na vida de todos.

Um paralelismo que faço muitas vezes ao pensar em urbanismo; ponderar sobre os ideais que deviam estar subjacentes na construção do espaço da comunidade e pensar no vazio doutrinário que se exprime na definição jurídica que temos do que é um passeio, uma rua, um bairro. Uma realidade construída com base em indicadores quantitativos, estritos, despidos de conteúdos morfológicos, de um desígnio para o que se pretende da “cidade”.

Também ao olhar para a nossa Escola questiono que visão se pretende que esta sirva afinal. Escolas, também elas um produto quantitativo, onde se definem salas e gabinetes, mas em que não se alimenta uma visão para o Ensino enquanto plataforma para promover os valores em que se pretende instituir uma ideia de sociedade e construir a nossa capacidade de competir na economia global do conhecimento – em que as pessoas são um recurso inestimável.

Deixo o exemplo de um projecto de ensino promovido pelo Department of Culture, Arts and Leisure – Northern Ireland, com o envolvimento activo de Ken Robinson e intitulado de Unlocking Creativity Initiative:

Unlocking Creativity (1): A Strategy for Development;
Unlocking Creativity (2): Making it Happen;
Unlocking Creativity (3): A Creative Region.

Nela se inscrevem os princípios para um sistema de ensino orientado para a promoção das capacidades de iniciativa individual, na base de uma estratégia de desenvolvimento económico. Também aqui se faz referência ao papel da arquitectura como mais-valia para consolidar um ambiente criativo e estimulante; valores essenciais para a qualidade da aprendizagem. E se estabelecem metodologias para o envolvimento dos arquitectos no desenho das escolas, afinal os lugares de promoção da educação cultural dos jovens.

Independente dos modelos que adoptemos, com estas ou outras prioridades, não podemos descurar o motivo primeiro de tudo isto: que à frente de uma instituição deve estar uma ideia, e que na sua execução deve assentar uma estratégia.
E que, mais importante que tudo o resto, não basta falar a linguagem, é preciso fazer o caminho. “Talk the talk, walk the walk”. Sem um desígnio que a alimente não haverá esperança para a nossa Escola. Mas sem fazer o caminho prático das ideias, de nada servem as mais bem intencionadas teorias, sobre a educação como sobre tudo o resto.
E como diz o coelho da Alice no País das Maravilhas: “é tarde, é tarde”.



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