
O encerramento de 80 parques infantis no Concelho de Oeiras é apenas um primeiro exemplo de muitos que se seguirão em resultado da nova legislação dos espaços de jogo e recreio. A aprovação do Decreto-Lei n.º 119/2009 motivou um pedido de suspensão por parte da APSI – Associação para a Promoção da Segurança Infantil, que considera a nova lei desajustada à luz da experiência e conhecimento adquiridos na última década e das novas directivas europeias publicadas em 2008. Em causa estão vários aspectos técnicos importantes como a introdução de requisitos supérfluos na prevenção de acidentes, confundindo questões fundamentais em termos de risco real para as crianças com outras irrelevantes ou mesmo prejudiciais se aplicadas de forma generalizada e sem critério.
Ler: Nova Lei dos Espaços de Jogo e Recreio / Porque a APSI pede a sua suspensão – Perguntas e Respostas (formato PDF).
Aprovado em 1997, o Decreto-Lei n.º 379/97 veio trazer pela primeira vez um conjunto de regras de segurança a observar na implementação dos espaços de recreio infantil. Esta legislação, então inovadora, enfrentava um quadro de abandono e negligência em grande parte dos parques infantis existentes no território nacional. Pese embora a persistência de exemplos de manutenção insuficiente ou erros pontuais de concepção, passada uma década todos terão de reconhecer a evolução muito positiva que se verificou em tão curto espaço de tempo. Tal traduziu-se, na prática, na remodelação generalizada dos parques infantis e substituição e renovação dos seus equipamentos, e resultou do trabalho muito meritório de sensibilização de projectistas e técnicos das autarquias locais desenvolvido tanto pela APSI como pelo IDP – Instituto do Desporto de Portugal, a favor da divulgação de regras e boas-práticas de intervenção.
Ler: Espaços de Jogo e Recreio / Estudo sobre a aplicação da legislação (formato PDF).
A transferência das atribuições em matéria de fiscalização para a ASAE, resultante do novo quadro legal, é em parte justificada pela natureza específica do trabalho de inspecção cuja concretização à escala nacional se revelava uma tarefa difícil para o IDP. No entanto, suportada por uma nova legislação que introduz requisitos irrelevantes e por vezes impraticáveis, a ASAE vem diligentemente encetando a sua tarefa aplicando coimas às autarquias que chegam a atingir dezenas de milhares de euros. Estão em causa situações sem influência significativa na segurança. Eis alguns exemplos: ausência de placas informativas relativas a lotação em espaços exteriores de acesso livre; indicação de idade e altura (mínima e máxima) das crianças em todos os equipamentos (mesmo em muitos casos em que tal não é um factor de risco); existência de vedações de delimitação de espaço (agora obrigatórias em todos os parques infantis, medida por vezes impraticável e que pode constituir um factor acrescido de risco); etc.
O que está em causa com esta nova legislação, agravada pela prática seguida pela ASAE, é a ausência de uma abordagem fundada no conhecimento técnico, nas boas-práticas e na capacidade de avaliação do risco de forma discricionária – e inteligente, porque cada caso é um caso. Como refere a APSI: «Esta alteração à lei vem obrigar as entidades responsáveis pela gestão dos espaços de jogo e recreio, nomeadamente as autarquias, estabelecimentos de ensino, empreendimentos turísticos e outros, a custos desnecessários e desproporcionados em relação aos perigos a que eventualmente as crianças estariam expostas e, portanto, sem impacto comprovado na prevenção de acidentes. A imposição destas despesas sem fundamento tem a agravante de criar o risco de diminuição da oferta de EJR e de oportunidades para as crianças pelo desincentivo que representam para as entidades responsáveis.»
O exemplo de Oeiras, a que certamente se seguirão outros, atesta as consequências de uma má legislação assente nas mãos de um fiscalizador pouco esclarecido como a ASAE, e o mau serviço que desta forma se presta ao país.
Pode a mesma lei ser aplicada de modo diferente no território nacional? E podem as Finanças ignorar requerimentos e pedidos de informação desrespeitando as normas em vigor e ignorando os cidadãos? Eis o que se parece estar a passar em Évora a propósito do benefício fiscal de isenção de IMI aplicável ao seu centro histórico, em virtude da classificação como Património Cultural da Humanidade pela UNESCO. Um caso local com implicações que se poderão vir a estender a todo o país.

1. O que diz a Lei
Os conjuntos classificados como Património da Humanidade, em que se incluem os centros históricos de Évora, Porto e Guimarães, bem como a Paisagem Cultural de Sintra, estão reconhecidos como de Interesse Nacional pela Lei de Bases para a Protecção e Valorização do Património Cultural (Lei n.º 107/2001), passando a receber a designação de Monumento Nacional (Art.º 15.º, n.º3).
O Estatuto dos Benefícios Fiscais refere que «estão isentos de imposto municipal sobre imóveis: os prédios classificados como monumentos nacionais e os prédios individualmente classificados como de interesse público ou de interesse municipal, nos termos da legislação aplicável». Resulta assim que os prédios situados nestes centros históricos beneficiam de uma isenção de IMI, obtida mediante apresentação de um requerimento nas Finanças acompanhado de uma declaração emitida pelo IGESPAR. É este o procedimento que tem vigorado em todos estes centros históricos, situação que se estende ao caso da Vila de Óbidos classificada Monumento Nacional em 2007. 
Aplicação prática da Lei do Património em conjugação com o Estatuto dos Benefícios Fiscais. Clique para ampliar.
2. Razões de uma isenção
A classificação de Património Mundial acarreta para os imóveis inseridos nestes centros históricos um conjunto de restrições regulamentares que têm por objectivo preservar as suas características particulares, como salvaguarda do interesse patrimonial que lhes está reconhecido. A isenção de IMI constitui uma forma de incentivo directo no sentido de promover a captação e fixação de novos habitantes em áreas por vezes sujeitas ao envelhecimento e abandono gradual de população.
É também este o caso do centro histórico de Évora que vem assistindo à deslocação populacional para bairros periféricos, fugindo às limitações e aos custos acrescidos que acarreta a vida num parque edificado antigo e pouco adaptado às exigências da sociedade contemporânea. Importa sublinhar o papel positivo que desempenham os residentes destes centros históricos que constituem uma mais-valia para as suas cidades, contribuindo para a recuperação do parque edificado que é um dos seus principais “valores simbólicos” e motivo de promoção económica, cultural e turística. São também uma mais-valia para o comércio local bem como um garante de segurança da vida pública, contrariando o abandono de que podem resultar fenómenos de isolamento, insegurança e vandalismo.
3. O caso de Évora
Foi com surpresa que os munícipes de Évora foram confrontados com a intenção de anular um benefício fiscal que estava a ter um impacto ténue mas positivo no sentido de atrair novos moradores. Uma situação tanto mais surpreendente quanto se observa que teve como principal mobilizador o próprio Presidente da Autarquia, que promoveu junto dos serviços de Finanças o acolhimento de uma interpretação da legislação segundo a qual apenas os imóveis individualmente classificados como Monumento Nacional deveriam beneficiar dessa isenção fiscal (ver imagem acima).
Declarações do Presidente da Câmara publicadas no jornal local Diário do Sul, em edição de 29 de Maio, davam conta de uma tomada de posição das Finanças segundo a qual deixaria de ser concedida isenção do IMI a todos os imóveis e que os proprietários beneficiados com a isenção seriam obrigados a pagar retroactivamente os impostos a que haviam sido isentados em anos anteriores.
Perante estas ameaças, um conjunto de munícipes resolveu criar um movimento de cidadãos determinado a fazer prevalecer a correcta aplicação da legislação, à semelhança do que ocorre nos restantes centros classificados Património Mundial. Este movimento divulgou as suas posições através dos meios de comunicação local, lançou uma petição pública (online e porta-a-porta) que obteve o apoio de largas centenas de habitantes da cidade e tem vindo a desenvolver contactos junto dos órgãos do município e dos deputados da Assembleia da República.
4. Uma questão nacional
Os serviços de Finanças de Évora têm vindo a assumir uma posição expectante, não dando despacho aos requerimentos de reconhecimento da isenção do IMI que se foram acumulando sem resposta durante todo o ano. Perante as reacções da opinião pública as Finanças locais não concretizaram ainda a ameaça de supressão da isenção e pagamento retroactivo por parte dos contribuintes que foram reconhecidos como isentos no passado. Não obstante, face a pedidos de informação sobre o andamento dos processos formulados pelos contribuintes ao abrigo da Lei Geral Tributária, e aos quais os serviços devem resposta no prazo de 10 dias, as Finanças não respondem em manifesto incumprimento da lei. Fazem saber por vias informais que o caso será objecto de uma decisão do Director Geral de Contribuições e Impostos, aguardando pela supressão da isenção de IMI cujos efeitos se deverão estender a todos os Centros Históricos Património da Humanidade em território nacional.
A verificar-se este desfecho estaremos perante um caso em que as Finanças se assumem como agente clarificador da Lei, ao arrepio das atribuições próprias da Assembleia da República. O caso é ainda mais grave ao observar que as Finanças acabam por actuar em causa própria, assumindo interpretações muito questionáveis da legislação e anulando as suas próprias deliberações passadas, em prejuízo dos contribuintes. Eis um caso em aberto que deverá merecer a atenção das comunidades locais, não apenas de Évora, mas também do Porto, Guimarães, Sintra e Óbidos, na defesa dos seus direitos e dos lugares onde vivem, bens edificados indissociáveis da memória colectiva e histórica do país, e referências patrimoniais em Portugal e no mundo.

Carl Sagan, cientista, astrónomo, professor, escritor, cantor. Cantor? Assim parece, a julgar por este êxito musical da internet em que faz parceria com... Stephen Hawking? Trata-se, afinal, de uma composição póstuma destinada a fazer titilar o coração dos geeks de todo o mundo em dia de celebração dos 75 anos do aniversário do autor de Cosmos. Os mais saudosistas devem igualmente gostar de rever a introdução da mítica série de televisão. Via Sound + Vision.
Carl Sagan, scientist, astronomer, teacher, author, singer. Singer? That’s what it looks like, judging from this musical hit that also features Stephen Hawking. Don’t worry, though. It’s only an homage aimed at the hearts of Cosmos-loving geeks everywhere, in celebration of the beloved master’s 75th birthday.
A partir do momento em que começamos a ler as páginas de economia dos jornais já não há volta a dar. Cheguei a essa fase da vida e, acreditem, é um elevador que só segue para baixo. Fiquem-se pelos manuais de ascensão rápida rumo a esse direito humano inalienável que é a felicidade, repletos de energias, auras e bonecas de vudu. Acontece que eu não tenho juízo e passei há muito o ponto de não retorno em matéria de imprensa económica. Foi assim, imbuído deste espírito, que resolvi animar ainda mais as coisas mergulhando de cabeça no Portugal, Que Futuro? do Medina Carreira. Trata-se da sequela - um follow-up - de outra obra do melhor terror nacional, O Dever da Verdade, lamentavelmente inspirado em factos reais.
A verdade, “agora falando sério”, é que o Henrique Medina Carreira, actualmente com 78 anos, é um dos mais lúcidos pensadores do Portugal contemporâneo. Não é o profeta da desgraça do regime nem tão pouco uma figura anedótica que “diz umas verdades na televisão”. É, talvez, o último patriota de uma ditadura das meias-tintas.
Para entender Medina Carreira convém lê-lo. O Dever da Verdade é um bom ponto de partida, em especial pelo ensaio que preenche a primeira metade do livro e resume o seu pensamento sobre a nossa circunstância económica. Ali se encontra um olhar abrangente de quem lê a História para lá dos estreitos horizontes da actualidade mediática. Um olhar que se sustenta em factos e números, em análise comparativa do nosso presente, do nosso passado, e na prospectiva de um futuro inevitável.
O seu livro mais recente aprofunda a reflexão que ali se havia iniciado, agora à luz das consequências que a crise financeira internacional trará para a nossa economia. Os alertas que vem fazendo, a pouco e pouco, parecem tornar-se realidade. Ainda esta semana chegam notícias das previsões da Comissão Europeia para o défice orçamental português que deverá chegar a 8% já no presente ano e subir em 2011. Também a despesa pública irá atingir valores superiores a 50% do Produto Interno Bruto. Perante estes dados, o FMI alerta para a necessidade de um novo esforço de contenção orçamental e estima que a dívida pública possa chegar aos 80% do PIB em 2010, subindo acima dos 90% no ano seguinte.
Pesem embora as justificações do Ministro das Finanças, o que estes dados nos dizem é que o cerco económico está lançado para a próxima década. A retoma da economia internacional trará factores mais agravantes para Portugal como o aumento de taxas de juro e a pressão de custos sobre os combustíveis, dificilmente rebatíveis por um motor produtivo que assiste à deslocalização e falência de empresas, fraca atractividade, perda de capacidade exportadora, aumento de desemprego.
Perante isto o novo Governo retoma uma agenda de obras públicas, de urgência e actualidade incompreensíveis. Portugal parece tornar-se, irreversivelmente, num país entregue a interesses sectoriais de forte influência política que vão dirimindo o acesso ao poder e a canalização dos dinheiros públicos. Um país com uma economia de cartas marcadas, jogadas por “empresas” que só o ridículo poderá hoje rotular de “estratégicas”, nos transportes, na energia, nas telecomunicações, na saúde, em todos os sectores de interesse do Estado.
Apenas uma fé inabalável na irrelevância dos défices pode sustentar o ciclo de obras públicas que agora se anuncia. Um tal ciclo, ainda que suportado por maior endividamento externo, terá expressão visível nos índices económicos e, temporariamente, no emprego. Importa no entanto perguntar a que preço para o futuro? Se não formos capazes de promover actividades exportadoras, em investir na educação para lá do betão, em preencher nichos de inovação e tecnologia, o que restará por fim? Uma nação entregue à precariedade, à incerteza e, porque não dizê-lo, à pobreza. Um cenário que não será evitado com retórica ou exuberância irracional, seja qual for o governo. O nosso futuro aí está para o comprovar e o caminho parece cada vez mais estreito. Como uma lâmina.
Entre alguns ajustes discretos que fui fazendo na aparência do blogue pendeu sobre mim uma decisão difícil. Resolvi reduzir ao mínimo a barra lateral, demasiado extensa, deixando apenas a lista de blogues favoritos – hoje uma pequena fracção de todos aqueles que sigo através do google reader. O dilema maior resultou em retirar, ou não, o directório de ateliers portugueses. A esse respeito tenho recebido alguns emails interrogando as razões por detrás dessa decisão. É uma questão que me tem feito reflectir, pelo que deixo as minhas ideias em aberto.
Quando comecei a escrever o blogue não existiam directórios de páginas web de arquitectos portugueses. Foi um bom motivo para iniciar uma compilação do que ia surgindo na rede. Tratava-se de uma listagem sem qualquer edição qualitativa. O reduzido número de sites disponíveis tornava-o justificável. Por outro lado, o relativo desprezo que nomes mais sonantes da arquitectura dedicavam à internet era compensado pela energia de arquitectos mais jovens que iam abrindo, a pouco e pouco, páginas graficamente criativas e ricas em conteúdos.
Com o tempo, e porque na rede tudo tende a crescer exponencialmente, foi-se tornando difícil para mim gerir a validade do directório. Os conteúdos das páginas alteram-se, algumas perdem actualidade, outras deixam mesmo de funcionar. Acresce ainda que existem hoje portais específicos para esse fim, dos quais tenho vindo a destacar o portal Portuguese Architects, da conceituada rede world-architects.com, com edição específica, actualizações constantes e divulgação regular para um grande universo de assinantes.
Venho assim questionando as razões para manter o directório do blogue, tal como existia. Justifica-se uma listagem aberta a todos, no que isso possa ter de bom e de mau? Ou deverá, a existir, ter critérios de edição? Eis o pequeno dilema. Nada de grave, nada de irreversível, mas que me merece alguma ponderação porque este é, afinal, um blogue pessoal, não institucional, e não tem pretensão a tornar-se um portal da profissão. Talvez esteja aí uma parte da resposta. Um directório não representativo, de subjectividade inevitável, mas único, à sua maneira.
Lá vou eu, outra vez, para debaixo do capot do blogue.

Nada pior do que os desabafos de um blogger que disserta sobre a ausência de posts. Dizem as regras que a solução é seguir em frente e recomeçar, simplesmente, a escrever. Era esse o meu plano. Não consigo no entanto deixar de dedicar uma nota breve aos visitantes mais fiéis que vão passando por esta página, sem desistir, na esperança que algo de novo aconteça. Saibam que não me são indiferentes e que o facto de não aparecer por aqui não significa que esteja tão longe assim. A minha página de itens partilhados no Google Reader está sempre em actualização com coisas novas que vou encontrando na rede – e as últimas dez ligações ficam acessíveis na barra lateral, na secção referências. Com a vida um pouco mais organizada espero recomeçar a actividade regular no blogue daqui para a frente. Estou também a tentar pôr em dia a minha caixa de emails, com alguma correspondência por responder com um atraso considerável. Recomecemos, então. Segue-se por agora um conjunto de ligações não processadas que passaram recentemente pelo meu leitor de feeds. Até já.
Destino, um filme de animação que nasceu da colaboração entre Walt Disney e Salvador Dali. Esta curta-metragem, que eu desconhecia, começou a ser produzida em 1945 mas foi terminada e revelada apenas em 2003. Via Kitsune Noir.
Small Life in Saxon Switzerland, um filme de Christoph Schaarschmidt com a vida em ponto pequeno.
Indemann, o colosso de Inden, uma torre de observação com sentido de humor, na Alemanha.
Lembram-se do filme Um Dia de Raiva, com Michael Douglas a dizer Can anybody tell me what's wrong with this picture? Pois aqui têm: Advertising vs Reality. Porque nem tudo é o que parece no mundo da publicidade.
Machinarium, um jogo de aventura algures no futuro distante com um robô simpático e muitos puzzles para resolver. Uma espécie de Wall-E negro da produtora independente Amanita Design. Não percam o trailer. Via It’s Nice That.
Cursor urbano, um ponteiro gigante, móvel, georeferenciado ao Google Maps, algures numa praça na Catalunha. Via Designboom.
Novo trailer de Avatar, o próximo filme de James Cameron. Em tempos considerado como uma produção impossível e um dos melhores filmes nunca feitos, este antigo projecto do mítico realizador de Terminator vai agora ver a luz do dia.
Está prestes a chegar o muito aguardado Assassin’s Creed II. Ah, o maravilhoso deslumbramento da Itália renascentista. A silhueta mítica da cidade de Florença pontuada pela basílica de Santa Maria del Fiore, o célebre Duomo de Brunelleschi. Os misteriosos canais da Veneza labiríntica e as suas quatro centenas de piccoli ponti. A luxuriante província da Toscânia e os seus campos verdejantes. A elevada contagem de polígonos de Lucy Stillman com modelação corporal e voz de Kristen Bell. Ah, as maravilhas de tecnologia.
A Barbie parece estar com uns problemas. Ver para crer.
Um gráfico comparativo com o custo e velocidade da Internet no mundo. Como diria o Michael Douglas: what’s wrong with this Picture?
Esta sexta-feira, dia 23 de Outubro a partir das 18:30, irá realizar-se uma visita guiada à exposição ///mirrorcities/// por uma das autoras, Sara Lopes Godinho (autora das imagens de Tóquio).
Todas as sextas-feiras o Museu do Oriente fica aberto até mais tarde (22h) e a entrada é gratuita. A exposição ///mirrorcities/// continuará a poder ser visitada até dia 1 de Novembro (de terça a domingo 10h-18h). [via email]
This post is not available in English.

Diagrams, diagrams. Don’t you just love diagrams?
Joshua Prince-Ramus, o homem à frente do super-estúdio REX, responde a perguntas no Designboom em época de inauguração do Dee and Charles Wyly Theatre. A entrevista estende-se do domínio pessoal ao profissional, percorrendo a ascensão na fábrica de talentos de Koolhaas e o culminar na criação do atelier nova-iorquino durante a intensa produção da Seattle Public Library.
Joshua refere a influência da OMA enquanto fundação dos métodos de trabalho desenvolvidos pela REX. Trata-se de encarar a arquitectura como muito mais do que um processo autoral sobre formas e volumes mas enquanto modo de questionar e repensar os programas funcionais que lhe estão na origem. O processo, que o próprio define como hiper-racional, passa por integrar constrangimentos e limites de projecto como essência do design, em busca de soluções que transcendem a convenção e a norma. O novo Wyly Theatre é disso um bom exemplo que Prince-Ramus havia já apresentado em fase de projecto na sua conferência no TED Talks em 2006. Entre todo o material disponível na web vale a pena ver um pequeno vídeo documental sobre a concepção da fachada do edifício, uma superfície de aparência corrugada composta por tubos de alumínio de dimensão variável; ver The Wyly goes tubular. Das grandes às pequenas soluções, a arquitectura da REX vem sublinhando uma preocupação de economia de desenho sem preconceitos materiais, assumindo infra-estruturas e interfaces como parte integrante da formalização final. Detalhes de construção e mais alguns diagramas para ver no ArchDaily.
Joshua Prince-Ramus, principal in charge at REX, is interviewed by Designboom just as the Dee and Charles Wyly Theatre is about to open in Dallas. The interview extends both into the personal and professional areas of his life, covering the ascension at the Koolhaas talent factory and the culmination with his own practice in New York during the intense production of the Seattle Public Library. [+/-]
Eu já andava a suspeitar que os portugueses – a começar por mim – andavam a ficar pírulas. Mas esta história do vídeo da Maitê Proença está mesmo a descarrilar. Parece que não estão a ver a pequena, pequenina diferença entre uma pessoa dizer mal de um país e um país dizer mal de uma pessoa. Já o dizia nos tempos da má-língua o Miguel Esteves Cardoso a propósito, vá-se lá entender estas coisas, de outra actriz brasileira que caiu na asneira de pisar os calos desta nação sensível. De resto, aquilo nem chega a ser dizer mal; e dizer mal de Portugal, bem o sabemos, é o nosso passatempo do coração.
Entretanto lá vai circulando uma petição com milhares de assinantes a vociferar contra a MP - quase tantos como os da petição pela segunda temporada do Rebelde Way. Suspeito, aliás, que são os mesmos. Seja como for importa aqui denunciar, a bem dos intentos de serviço público que regem este blogue, a verdade sobre tudo isto. Esta novela em torno da Maitê Proença é uma maquinação dos "mídia" para nos distrair quanto à verdadeira questão que devia preocupar os portugueses: o anunciado dueto de Luís Represas com José Cid.
Actualização: importa ainda dissecar a reacção à reacção à reacção ao vídeo da Maitê Proença. Parece que não nos falta sentido de humor, tão só o sentido do ridículo. Bocejo...
This post is not available in English.
Alguém devia informar o Bjarke Ingels que, como arquitecto, ninguém é suposto ser tão bem parecido e brilhante ao mesmo tempo. Os arquitectos brilhantes são carecas e usam óculos de massa. Seja como for, tive a sorte de escutar uma das suas apresentações há alguns anos e identifiquei-me bastante com as suas críticas à retórica pré-concebida da avant-garde arquitectónica. Essas mesmas ideias estão na base da sua recente conferência no TED, seguindo-se a exposição de várias obras do estúdio BIG; desde os projectos média escala das VM Houses e o edifício Mountain Dwellings em Copenhaga (ambos em colaboração com Julien de Smedt), à criação mais recente do Zira Island Masterplan.
Bjarke oferece um olhar sobre os processos criativos diagramáticos que se tornaram uma assinatura dos arquitectos da geração Rem, como Winy Maas e Joshua Prince-Ramus - este último, aliás, também teve uma excelente participação no TED há já alguns anos.
Someone should have warned Bjarke Ingels that, as an architect, no one is supposed to be that good looking and brilliant the same time. Brilliant architects are required to be bald and wear large spectacles. [+/-]

A sério. Eu não quero ter mau feitio. Mas a arquitectura, às vezes, também me chateia. É que parece que vivo no país dos Mister Glasses. Acho que os meus colegas arquitectos pensam que somos todos parvos. Parece que é coisa da arquitectura contemporânea, aquela com “linhas modernas”, genuína da Bayer. Vocês sabem. As caixas brancas suspensas no ar. Eu cá não sei, mas parece que imaginamos o povo como uma cambada de tolinhos a “extasiar” perante as paredes brancas. Paredes não, paramentos, que é mais poético. Eis, então, tudo a extasiar perante os volumes hirtos no horizonte. Coisa linda. E depois aquelas rampas, é sempre importante meter umas rampas o mais compridas possível. Não interessa de onde vêm e para onde vão. É importante é estarem lá, a fazer rima na poesia. Como a arquitectura, não precisam de ir a lado nenhum. E que dizer daqueles espaços exteriores, ermos de terra batida. É que agora até está na moda meter uns animais nos renders, é um trend, sabem? Mas, nestes projectos, nem as vacas lá podem pastar. Fico sempre sem saber se faltou o dinheiro ou faltou a inteligência. Quer-me parecer que faltou o primeiro por falta da segunda.
É que me dá cá umas comichões nos neurónios que fico a pensar que prefiro uma boa casa de emigrante. Que diabo. Essa ao menos diz-nos coisas, está cheia de pequenas pérolas de sociologia. Sim, os autores podem ser uns labregos, mas estão vivos, vibraram com aquele azulejo, sonharam com aquela escada saída de uma casa de estrunfe como viram na telenovela. Estão refucilando alegremente na charca da vida. A mim, às vezes, confesso, também me apetece.
This post is not available in English.
Eu nunca quis ser jovem. O que queria era ter história. Estas palavras de Lina Bo Bardi são hoje tão contra-corrente que merecem reflexão. O modo como encaramos o acto de envelhecer muda durante o percurso de uma vida inteira. Todos sabemos, em abstracto, que vamos morrer um dia. Mas, enquanto jovens, a abstracção esmaga-lhe o significado. É bom ser imortal.
Recordo-me do tempo em que envelhecer tinha um sentido de desfasamento das coisas. Ficar velho é perder o fio da contemporaneidade, é o caminho para a incompreensão do presente, na linguagem, na música, na moda. Ah, quanta arrogância.
Há um momento na vida em que a morte, por uma conjugação de factos, se torna real. Percebemos que a morte está lá, algures na nossa frente, inevitável. Para alguns a consciência trará temor, angústia. Para todos, talvez, um enorme sentido de perda das coisas, de toda a experiência, todo o saber que se vai perdendo em nossa volta, até que nós próprios nos extingamos, um dia, no vazio do esquecimento dos outros.
Presumo que não seja fácil ser jovem, hoje. Mergulhados num mundo que os envolve em subtilezas, adquirindo comportamentos, costumes, códigos invisíveis. Curioso que a sociedade da televisão produza uma imagem eternamente rebelde dessas criaturas mitológicas, para citar João Lopes, estereotipada à exaustão em mil e uma novelas “para jovens”. Uma estética desalinhada, no penteado, nas calças descaídas, no estilo informal, simulação perfeita de uma irreverência toda ela ficcionada. Quem leia o conteúdo pela superfície tomará essa imagem como digna dos novos hippies, de tão ostensivamente anti-sistema. E no entanto, nos mais pequenos pormenores, se denuncia o afinco de um produto de consumo desenhado em laboratórios de marketing social, fabricando pequenos seres para quem a vida não faz sentido sem os seus iphones e ipods.
Não, não é fácil ser jovem, hoje. Não é fácil resistir aos estrategas dos targets que barricaram o seu trajecto, implacáveis. Não é fácil compreender que nem sempre o que somos e o que pensamos nasceu na nossa cabeça. Que as convicções, os gostos, os desejos, até a formatação dos afectos, nos é incutida por uma profusão de veículos externos afinados para nos seduzir como esponjas.
Sei que estou a ficar velho. Pertenço a uma geração sem causas. A minha geração não tem nada que a defina para além de uns programas de televisão e umas gasosas que deixaram de existir. Não, nós não fizemos nenhuma revolução, não protagonizámos nenhum conflito de gerações, não vislumbrámos nenhum sentido, não erguemos nenhum símbolo, não alvitrámos doutrina em que valesse a pena erguer uma sociedade. Na melhor das hipóteses, mostrámos o rabo a um qualquer ministro por causas fúteis há muito esquecidas de todos.
Somos uns rebeldes na nossa cabeça. Uma coisa apenas nos define. Não gostamos muito uns dos outros. Mal educados para a vida em comunidade, somos complacentes com os nossos defeitos que intoleramos, passe a palavra, em todos os outros. Desengane-se quem tome tal por desatenção ou charme latino. É, tão só, uma tragédia.
Sim. Eu sei que estou a ficar velho.
This post is not available in English.

O que pensar de um herói tão detestável como este Wikus Van de Merwe, funcionário servil da corporação sem escrúpulos que gere uma colónia de refugiados extraterrestres sitiados nos arredores de Joanesburgo, em District 9? Wikus persiste, em toda a sua pequena humanidade, em nome do mais mesquinho interesse próprio. E, de certo modo, a história deste filme é exactamente sobre esse percurso de descoberta da humanidade no lugar mais cruel do mundo.
Haverá por aqui material bem reconhecível aos cinéfilos mais geeks da plateia, entre exoesqueletos robóticos e armas gravitacionais dignas do senhor Gordon Freeman. Mas D9 revela uma energia que há muito não víamos no sub-género de acção sci-fi, em tempos trilhado pelos jovens James Cameron e Ridley Scott. Esta primeira obra de Neill Blomkamp é a antítese dos encontros imediatos de Steven Spielberg. Um filme de ficção científica para uma década de desagregação total, resgatando entre os escombros um derradeiro gesto capaz de redimir o mais improvável dos heróis do cinema.
This post is not available in English.

Duas cidades distantes retratadas diariamente por duas mulheres. Olhares que partem de um mesmo tema para descobrir analogias e contrastes na realidade quotidiana de Lisboa e Tóquio. Um ensaio fotográfico que começou como blog e que agora se apresenta através da exposição Mirrorcities patente no Museu do Oriente. Fotografias de Sara Lopes Godinho (aka Sushi Lover) e Patrícia Chorão Ramalho, para descobrir até ao dia 1 de Novembro.
Two distant cities portrayed by two women. Images that share a common theme, exploring the similarities and differences concealed in the daily life of Lisbon and Tokyo. A photo essay that began as a blog and is now revealed in an exhibition titled Mirrorcities. Photography by Sara Lopes Godinho (aka Sushi Lover) and Patrícia Chorão Ramalho, on display at the Lounge space of the Oriente Foundation Museum until November 1st.

Uma exposição organizada por Mário Venda Nova, autor do blog de fotografia O Elogio da Sombra (que há muito faz parte dos meus favoritos), dá a conhecer um trabalho de Fernando Guerra. É uma oportunidade para descobrir uma das suas reportagens mais pessoais, fora do campo estrito da arquitectura, oferecendo um registo da vida dos Trabalhadores na Praia do Calhau em São Vicente, Cabo Verde.
A exposição está patente na Galeria Colorfoto e faz-se acompanhar do lançamento do livro Entre Reportagens, para o qual tive o prazer de contribuir com um breve texto.
Para ver até 17 de Outubro, na Rua Sá da Bandeira, 526, no Porto.
Cape Verde workers collecting basalt for use in local constructions – photography by Fernando Guerra on display in Oporto at Galeria Colorfoto, until October 17th. Exhibition catalogue available online - Entre Reportagens.

Imagino agora o que ela terá pensado, por detrás daqueles olhos verdes, ao ver-me invadir o território sagrado da sua vida partilhada com aquela que por certo tinha como sua única companheira. Quem será este? Com que intenções se apodera do nosso lugar, do nosso tempo de aconchego, quando a noite cai e o mundo pertence apenas a nós duas?
Dediquei à pequena Cinza o mesmo desprezo que ela me dirigia. Não por desgosto ou falta de afeição. Pelo contrário, porque nestas coisas dos gatos devemos sempre respeitar os seus tempos e os seus espaços.
Passaram por certo duas semanas. Pensei que estaria para mim perdida aquela gata que a tantas doçuras se entregava pela mulher com quem um dia eu haveria de casar. E estava eu sentado, rodeado sei lá que afazeres, quando ela chegou por cima de tudo como quem atravessa o mundo. Assim me dedicou o seu primeiro beijo áspero, delicioso como se nada fosse, a maravilhosa Cinza.
Sabe quem alguma vez conviveu com gatos ou cães que todos são diferentes. Não apenas no temperamento mas no grau de evolução intelectual. Sim, eu disse intelectual. A Cinza foi, e porventura sempre será, a gata mais inteligente que eu já vi. Assim lhe dedicámos o cognome de “gato-pessoa”, pelo brilho, pelo afecto profundo, pela carência, pelo ciúme, por tudo aquilo que fez dela a mais luminosa presença da nossa casa durante os anos que agora julgaremos sempre tão curtos. E, no entanto, se as probabilidades mandassem, a Cinza já devia ter morrido há muito.
Quando a tristeza se apoderou das nossas vidas, no tempo suspenso de uma frágil gravidez perdida, foi ela quem sentiu mais fundo a dor que nos atingiu. Acolheu-a como sua, deixou de comer e assim se abeirou da morte. Duas novas palavras entraram na nossa casa: lipidose hepática. O estado clínico da Cinza disparava em valores dez vezes para lá de todas as esperanças. Diversos dias de internamento deixavam-na agora prostrada para a encontrarmos, mais um dia passado, à beira do fim.
Podíamos ler-lhe nos olhos: a Cinza desistiu de viver. Se aqui fica, morre. Falámos com os veterinários explicando porque tínhamos de levá-la para casa. Os médicos alertaram-nos para a complexidade do tratamento, com muita medicação e alimentação regular, por um tubo esofágico, de três em três horas, sem excepção. Sim, numa situação normal, levá-la para casa seria uma loucura. Mas nós não somos pessoas normais.
A Cinza viveu um mês em cima da nossa cama. Uma capa impermeável esticada, com cobertas por cima. Uma caixa de areia ao fundo, assim mesmo. Quase não se movia e a nada reagia. Mas foi sobrevivendo, dia-a-dia, àquela rotina desesperada. De quando em vez a indisposição sobrevinha para se perder em espasmos. Ficava desfeita. E a rotina recomeçava mais uma vez.
A pouco e pouco a medicação, a comida e o amor foram curando aquele frágil fígado doente. E regressou um dia, como se nada fosse, para o meio de nós, cumprimentando-nos com um novo primeiro beijo. Para mais uma vida.
A Cinza deixou este mundo, suspensa nas minhas mãos, no Domingo passado, juntando-se à nossa pequena cadela branca que morreu há cerca de dois meses. Todas as vidas começam encharcadas em dor e talvez uma nova vida tenha começado ali mesmo. Uma vida de que a Cinza já não fará parte, mas em que a lembrança dos seus gestos, dos seus abraços, dos seus beijos, do seu cheiro, fará sempre parte de nós. Possam todos conhecer, uma vez na vida, a bênção da devoção mais pura como a da nossa pequena Cinza, a gata mais extraordinária que alguma vez existiu.
I wonder now what she must have thought, behind those green eyes, as I invaded the sacred territory of a life shared with the one she deemed to be her only companion. Who is this man? What brings him to our place, invading our time of cuddling, when the night falls and the world belongs to just the two of us? I ignored Cinza just as she ignored me. Not for contempt or lack of affection. It was, in fact, the opposite, for when it comes to cats one should always respect their own time and space. [+/-]

HoCo – Density Housing Construction & Costs is a new book from a+t architecture publishers.
A indústria de habitação é a área de produção arquitectónica mais vulnerável aos efeitos da crise económica. Isto tem, como consequência, a redução do volume de trabalho à disposição das firmas de arquitectura, bem como o encerramento de empresas na área de construção em todo o mundo. A capacidade de inovação é agora uma necessidade absoluta, não apenas para responder aos requisitos contemporâneos de eficiência e sustentabilidade ambiental mas também para cumprir exigências de racionalidade custo-benefício nas soluções para estes novos problemas.


MVRDV: Celosia Residence, Madrid, Spain, 2009. Image credits: Ricardo Espinosa (photos).
HoCo – Density Housing Construction & Costs é um novo livro que reúne uma vasta selecção de edifícios de construção recente. Trata-se do terceiro volume na série Density produzida pela editora de arquitectura a+t, e dá a conhecer uma análise comparada dos projectos baseando-se em definições relevantes como contexto urbano, capacidade residencial, modelo de promoção (público ou privado) e, mais curiosamente, custos de edificação. Cada projecto é apresentado com recurso a um conjunto de fotografias, desenhos e detalhes técnicos que permitem obter um entendimento aprofundado dos sistemas construtivos aplicados.
HoCo procura ainda estabelecer um debate em torno da sistematização na indústria da construção. Ainda hoje este sector preserva características próprias de metodologias artesanais, através da congregação de artífices de especialidades segmentadas reunidos no tecto de um mesmo empreendimento. No entanto, as exigências para estabelecer soluções viáveis no desenho material, eficiência energética e sustentabilidade global da produção arquitectónica são cada vez maiores, bem como as obrigações de manter todas essas tarefas dentro dos orçamentos estipulados. Os arquitectos têm assim de conjugar duas realidades aparentemente opostas: a eficiência linear da produção industrial com a imaginação própria de um artífice. Este livro apresenta um conjunto exemplar de projectos que revelam esse brilho criativo, propondo associações materiais atípicas e soluções de design capazes de obter os melhores resultados, colocando a inovação novamente no centro do debate arquitectónico do nosso tempo.
Dosmasuno Arquitectos: Carabanchel Housing, Madrid, Spain, 2007. Image credits: Miguel de Guzmán.
BIG+JDS: Mountain Dwellings, Copenhagen, Denmark, 2008. Image credits: Jens Lindhe.
The house building industry is the area of architectural production that’s more vulnerable to the effects of the economic crisis. It means that, all around the world, architectural studios are being downsized and construction companies are shutting down. Innovation is therefore needed not only to address the needs of contemporary life, merging the requirements of efficiency and environmental sustainability, but also to meet the demands for rational, budget-wise solutions to these new challenges.
HoCo – Density Housing Construction & Costs is a new book that gathers a wide selection of recently built housing projects. This is the third volume in a+t’s Density Series, presenting a comparative analysis of several key issues like urban insertion, dwelling capacity, promotion model (public or private) and, most interestingly, construction costs. Each project is featured with a comprehensive set of photos, drawings and building details that allow for a better understanding of the technical systems applied in its construction.
HoCo raises a debate on the issue of systematization within the construction industry. The building industry remains, to this day, a large-scale multi-disciplinary work of craftsmanship. But we now face the need to establish viable solutions regarding material design, energy efficiency and overall sustainability in architecture, and keep it on budget. Architects have to merge two opposing realities: the lean efficiency of industrialized production with the imaginative mind of a craftsman. This book presents an exemplary set of projects that reveal that creative spark, materializing atypical associations of components and design solutions to meet the finest results, and placing innovation, once again, at the heart of the architectural debate of our times.
Visit a+t architecture publishers for additional information on this book and other publications.

Beyond é uma nova publicação dedicada à exploração das fronteiras entre a arquitectura, a literatura e as artes visuais. A primeira edição, dirigida por Pedro Gadanho, apresenta uma série de ensaios prospectivos que abordam a incerteza colectiva em relação ao futuro do mundo urbano.
O género de ficção científica sempre se construiu sobre a realidade do seu tempo. À medida que o mundo muda, assim mudam a nossa imaginação e os nossos medos. A ficção do mundo moderno era dominada pela opressão da ideologia e do controlo colectivo. O Admirável Mundo Novo de Huxley é um manifesto contra a ameaça da utopia absoluta. Quarenta anos depois, um jovem George Lucas projectava um lugar semelhante na sua primeira longa-metragem. THX 1138 foi produzido no auge da oposição à Guerra do Vietname, retratando um mundo desumanizado em que os sentimentos e compulsões individuais eram suprimidos através de drogas e manipulação psicológica.
É interessante notar que a ficção contemporânea não é tanto sobre controlo como sobre a perda de controlo. O pós-contemporâneo é o mundo da incerteza, de fenómenos espontâneos irreprimíveis. Se em tempos tínhamos medo daquilo que esperávamos, talvez hoje nos cause mais temor o que não se consegue percepcionar em escala e profundidade.
As histórias apresentadas na Beyond variam entre a quase-ficção e o reino da conjectura pura. No seu artigo introdutório, Taken to Extremes, Pedro Gadanho especula sobre o futuro do arranha-céus numa economia em declínio: mega-estruturas verticais tornam-se no derradeiro reduto dos privilegiados perante a decadência urbana em redor. Um futuro distópico que pode vir a pagar o seu tributo aos trabalhos ficcionais de William Gibson, Arthur C. Clarke, Philip K. Dick. Um lugar onde a arquitectura se pode vir a tornar na grande barreira social da humanidade.


Beyond is a new book series devoted to the exploration of the boundaries between architecture, literature and visual arts. The first edition of Beyond, directed by Pedro Gadanho and suggestively subtitled Scenarios and Speculations, addresses our common uncertainties towards the future of the urban world through a series of prospective essays authored by European architectural writers.
Science fiction was always built upon the reality of its time. As the world changes, so does our imagination and our fears. The fiction of the modern world was dominated by the oppression of ideology and collective control. Huxley’s Brave New World is a powerful manifest against the menace of an absolute Utopia. Forty years later, George Lucas envisioned such a world in his first feature film. THX 1138 was released in the height of opposition to the Vietnam War and portrayed a dehumanized world where individual feelings and compulsions were suppressed, through drugs and indoctrination.
Interestingly, contemporary fiction is not so much about control as it is about the loss of control. The post-contemporary is a world of uncertainty, of spontaneous, uncontrollable phenomena. If we were once afraid of that which we expected, perhaps we are now more terrified of a future we cannot perceive in depth and scale.
The stories presented in Beyond range from near-fiction to the realm of pure conjecture. In his introductory article, Taken to Extremes, Pedro Gadanho speculates about the future of high-rise buildings under a declining economy: vertical megastructures become strongholds for the chosen few, surrounded by never-ending urban slums. A dystopian future that could pay tribute to the fictional works of William Gibson, Arthur C. Clarke, Philip K. Dick. A place where architecture may become the greatest social divide of mankind.

Há mundos que se perdem. Pelo menos, para o sempre que duram as nossas vidas. Talvez o mundo perdure para lá das frequências rádio, telemóveis, internet e GPS. Mas esse mundo estará para sempre perdido no tempo que nos é dado, eternamente curto.
Em Biplane, o escritor aviador Richard Bach escreveu sobre um desses mundos. É um belo livro de viagem, daqueles para ler na edição paperback na língua original, e de que hoje me resta uma pálida lembrança com rugas e nódoas de inter-rail. É a história de uma viagem de avião, de costa a costa, num biplano Detroit Ryan Speedster, modelo Parks P-2A de 1929 – porque nestas coisas os pormenores são sempre importantes. Melhor, é a história de uma viagem a bordo de uma máquina do espaço e do tempo, aos primórdios da aviação a motor, da navegação à vista, de ventos cruzados fatais e de aterragens destemidas ao pôr-do-sol em campos perdidos da grande América. É uma viagem fascinante, de vida ou morte, como só sabem contar aqueles que viajaram para muito longe e de lá, de alguma forma, nunca mais voltaram.
Saint-Exupéry é um desses homens, perdido que andou no deserto mais profundo da Líbia e no frio mais cruel dos Andes onde padeceria a vida o seu grande amigo Henri Guillaumet. Essa grande história imortalizou o escritor francês, igualmente apaixonado pela aviação, no livro Terre des Hommes, testamento de muitas viagens e outros tantos mundos perdidos.
De certo modo, é também disso que escreve Miguel Sousa Tavares no seu mais recente pequeno livro, No Teu Deserto. Pois que nos esquecemos que o manto de tecnologia nos consome e retira mundos ao mundo, com a subtil rapidez com que os telemóveis e os GPS processam os seus automatismos para encontrar redes invisíveis. Existirá o deserto ainda, hostil e profundo, que nos reduza à dimensão humana de estar só no vazio?
Sousa Tavares descreve uma derradeira viagem ao vazio onde duas almas se podem encontrar, apenas e só. Essa viagem conhecíamos já de uma das suas crónicas do Sul, que regista exactamente o trilho da Pista para Tamanrasset. A sua companheira de aventura, Cláudia, está lá nas entrelinhas. No Teu Deserto encerra essa bela, terrível, inesquecível viagem. Ao último deserto, sem regresso.
Image credits: Bila Nina.
E agora, para um pouco de intriguice arquitectónica: o Fredy Massad escreveu algumas das coisas mais duras que eu já li sobre o Bjarke Ingels, mas, afinal, são amigos no Facebook.
And now for some architectural gossip: Fredy Massad has written some of the harshest things I’ve ever read about Bjarke Ingels, but, as it turns out, they’re actually friends on Facebook.
Selected posts from my web reader for your personal enjoyment.
A directory of portuguese architects.
This section is being updated and will be published soon.
Portuguese language blogs.
A selection of blogs I read on a regular basis.
Do you feel lucky?
Happy browsing...
December 2003 January 2004 February 2004 March 2004 April 2004 May 2004 June 2004 July 2004 August 2004 September 2004 October 2004 November 2004 December 2004 January 2005 February 2005 March 2005 April 2005 May 2005 June 2005 July 2005 August 2005 September 2005 October 2005 November 2005 December 2005 January 2006 February 2006 March 2006 April 2006 May 2006 June 2006 July 2006 August 2006 September 2006 October 2006 November 2006 December 2006 January 2007 February 2007 March 2007 April 2007 May 2007 June 2007 July 2007 August 2007 September 2007 October 2007 November 2007 December 2007 January 2008 February 2008 March 2008 April 2008 May 2008 June 2008 July 2008 August 2008 September 2008 October 2008 November 2008 December 2008 January 2009 February 2009 March 2009 April 2009 May 2009 June 2009 July 2009 August 2009 September 2009 October 2009 November 2009
The architecture blog A Barriga de um Arquitecto / The Belly of an Architect (written in bilingual Portuguese-English) is mainly focused on contemporary architecture and urban design, covering recent works from Portuguese architects as well as projects of international significance.
My name is Daniel Carrapa. I was born in Lisbon, Portugal, in 1973. I’m an architect living in Évora, a nice historical town that was included in the World Heritage List by UNESCO in 1986. I’m married, have 4 cats – Óscar, Matilde, Margarida, Patanisco – and 1 dog – Moby. Moby is a three-legged dog. He’s okay. I graduated as an architect in 1996 (FAUTL Lisbon Faculty of Architecture). I am also an authority on cat litter and will provide expert advice upon request. I love traveling, watching movies, reading books and draining the battery from my X360 gamepad. In my lifetime I have visited the following countries: India, Nepal, China (Hong-Kong and Macau), Greece, Spain, France, Italy, Austria, Hungary, Poland, Czech Republic, Germany and the Netherlands. I have also completed many videogames.
I love feedback, so feel free to drop me a line to abarrigadeumarquitecto@ gmail.com or meet me on Facebook. I'm also registered on Twitter.
This blog is published under a Creative Commons license.
Subscribe to this blog's content feed.
Established Dec. 2003. Thank you for stopping by.
REX / OMA: Dee and Charles Wyly Theatre, Dallas, USA, 2006-2009. Image credits: Iwaan Baan.
Joshua refers the influence of OMA as the foundation to the design methodology developed by REX. Defying the very notion of authorship, architecture is faced as a process that transcends the definition of form and volume, embracing creative diagramming to rethink preconceived notions of building typology. The new Wyly Theatre is another example of this hyper-rational approach; and one that Prince-Ramus had already revealed during his conference at TED Talks in 2006. Also of interest is an additional video documenting the construction of the building’s façade, a corrugated surface created by a series of aluminium tubes: The Wyly goes tubular. Construction details and some additional diagrams are also available in ArchDaily.