Exposição Montemor-o-Novo, cidade como tema (fotos)



A exposição «Montemor-o-Novo, cidade como tema» vai estar patente (numa 1ª fase) durante a primeira quinzena de Junho n’O Espaço do Tempo, o centro de artes transdisciplinares situado no Convento de Nossa Senhora da Saudação.

Os trabalhos de projecto desenvolvidos pelos alunos de Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade de Évora debruçam-se sobre diversos locais importantes de Montemor-o-Novo, apresentando intervenções possíveis, por vezes pragmáticas, outras utópicas, mas sempre estimulantes como forma de refletir sobre os muitos potenciais adormecidos no nosso ambiente construído. Destaque para as ideias apresentadas para a zona do centro histórico da cidade (Convento da Saudação e Quarteirão do Almansor), da Avenida, do Rossio (Praça de Touros, terreno nas traseiras dos prédios da Rua D. Sancho, Antigo Matadouro Municipal), zona da Antiga Estação de Comboios, do Mercado Municipal e ainda do Moinho da Abóbada (também conhecido como Moinho do Chico Virtuoso).

Ficam algumas fotografias da exposição, incluindo imagens da sessão de apresentação dos trabalhos pelos alunos, com a presença dos professores João Barros Matos e Pedro Pacheco, e ainda do coreógrafo Rui Horta e do arquitecto convidado João Mendes Ribeiro. Mais imagens serão partilhadas nos próximos dias através do Instagram.






Exposição Montemor-o-Novo, cidade como tema



Montemor-o-Novo, cidade como tema é uma exposição dos alunos de Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade de Évora, com coordenação dos professores João Barros Matos e Pedro Pacheco. A exposição inaugura já na próxima sexta-feira, dia 1 de Junho, pelas 17h00, estando patente n’O Espaço do Tempo, o centro de artes transdisciplinares dirigido pelo coreógrafo Rui Horta e situado no Convento de Nossa Senhora da Saudação, em pleno recinto monumental do castelo da cidade.

Educação para a vida online



O que não deixa de ser curioso no seu discurso (…) é o facto de todo ele tentar encerrar-se em questões de natureza técnica, repelindo qualquer reflexão cultural sobre o Facebook. Mais exactamente: Zuckerberg não quer (ou não é capaz de) reconhecer que qualquer dispositivo técnico – para mais com a dimensão planetária que o seu negócio adquiriu – envolve sempre os modos de viver, pensar e comunicar dos cidadãos, quer dizer, os valores da sua existência. Numa palavra: a sua cultura.
— João Lopes, Facebook: os "erros" de Mark Zuckerberg.

O recente escândalo que envolveu a Cambridge Analytica, uma empresa de consultoria política sediada em Londres que levou a cabo uma operação de data-harvesting em larga escala através do Facebook, vem lembrar-nos de uma frase que se popularizou na internet: se não estás a pagar por um serviço, não és o cliente; és o produto que está a ser vendido.

Com o conhecimento que hoje podemos ter sobre a actividade das grandes empresas que dominam o tráfego na rede, onde se destacam a Google – também proprietária do YouTube – e o Facebook, não deixa de surpreender o facto de grande parte do público desconhecer aspectos básicos do modo como estes gigantes operam. São curiosos alguns desabafos mais singelos de utilizadores que falam “do seu Facebook”, ignorando não só que o lugar que ocupam na plataforma de Mark Zuckerberg não é um espaço privado individual seu, como não é sequer um espaço público onde todos podem ver aquilo que partilham. Trata-se, afinal, de um espaço privado de outrem; uma empresa de informação privada que vende o seu público – todos nós – a um vasto conjunto de empresas e serviços – tais como a Cambridge Analytica.

O sucesso que corporações como o Facebook ou a Google foram capazes de alcançar depende grandemente do conhecimento profundo que estas empresas reúnem a nosso respeito a partir da monitorização de tudo o que fazemos enquanto estamos online, traçando automaticamente, através de poderosos sistemas de processamento de informação, perfis muito complexos sobre aquilo que somos, as nossas tendências e preferências. Num tempo em que a atuação destas plataformas se revela tão intrusiva sobre as vidas de cada um de nós, importa ainda mais ter presente que a acção destas páginas e, acima de tudo, a informação que recolhem, vai muito para lá das coisas que escrevemos ou partilhamos, dos comentários ou dos “gostos” que exprimimos na rede.



Ainda e sempre, não se trata de demonizar o Facebook (…). Trata-se tão só, para já, de contrariar a perspectiva tecnocrática – também política, sem dúvida – segundo a qual se está apenas a viver um percalço técnico. Importa exigir um pouco mais de todos nós e perguntar de onde vem – e, sobretudo, para onde vai – esta cultura virtual que leva milhões de pessoas a tratar muitos dados da sua identidade (social, familiar, muitas vezes íntima) como coisa partilhável com uma empresa gerada na perspectiva de angariar gigantescas receitas publicitárias. Se não soubermos formular tal questão, então devemos concluir que aquilo que oferecemos ao Facebook envolve o nosso próprio conceito de humanidade.
— João Lopes, Facebook: o alarmismo mediático.

Somos nós, afinal, que construímos, voluntariamente, ao passo e passo de cada post e like, ou involuntariamente, através das aplicações que instalamos nos tablets e telemóveis, os nossos perfis pessoais nas bases de dados destas corporações privadas. Importa por isso dramatizar junto do público, e em especial dos mais jovens, o modo como tudo aquilo que hoje fazemos se pode vir a repercutir no futuro.

Em alguns países, em particular nos Estados Unidos, é já uma prática regular de grandes empresas ter em conta a identidade online dos candidatos em processos de contratação – recorrendo para isso a consultoras altamente especializadas. No momento em que o candidato se apresenta numa entrevista de emprego, caso tenha sido pré-seleccionado, o júri já tem em sua posse um perfil pré-elaborado daquele indivíduo que se estende desde as suas preferências e orientações pessoais, simpatias políticas, gostos, actividades e até mesmo traços da sua personalidade: se social ou introvertido, dinâmico ou passivo, reactivo ou pensativo, etc.

É sabido que em muitas universidades americanas os departamentos de admissão também procedem ao escrutínio prévio do perfil dos candidatos na internet, aconselhando os alunos a removerem imagens lesivas, mensagens de cariz político ou humor considerado inadequado ou ofensivo. E são também conhecidos alguns casos em que episódios mais controversos de exposição da vida privada se revelaram, anos mais tarde, obstáculos inadvertidos ao avanço de carreiras profissionais e políticas.

Existem muitas formas de encarar esta realidade que tenderá a universalizar-se. Podemos optar pelo silêncio, procurando eliminar os traços da nossa pegada digital, ou podemos, em alternativa, assumir de forma consciente os riscos e as consequências de viver este nosso tempo. Mas, para que cada um possa verdadeiramente escolher, é fundamental estar informado quanto ao alcance e à complexidade deste novo meio que habitamos, e esse saber deve envolver todos os cidadãos, pais, professores, especialistas, com o apoio do Estado e o suporte esclarecido dos meios de comunicação. Caso contrário, serão as gerações mais novas que pagarão o maior preço, crescendo por defeito num mundo cheio de armadilhas. Tão apelativo, agora, quanto perigoso, anos mais tarde.

Os blogues ainda resistem?



No Verão de 2007 teve lugar na cidade de Nova Iorque o Postopolis!. Promovido pela Storefront for Art and Architecture, o evento era organizado por quatro bloggers muito conhecidos e teve por base uma série de debates e conversas com especialistas das mais diversas disciplinas, incluindo domínios exteriores à arquitectura tais como o design, paisagismo, ecologia e sustentabilidade, arte digital, música, cinema ou jornalismo. Nos cinco dias em que decorreu o evento, transmitido em directo para todo o mundo, passaram pela icónica galeria nova-iorquina desenhada por Steven Holl e Vito Acconci figuras incontornáveis como Lebbeus Woods, Mark Wigley e Michael Sorkin, entre tantos outros.

O Postopolis! sinalizava o alcance pluridisciplinar da blogosfera de arquitectura, caracterizando-se tanto pela informalidade da abordagem como pela capacidade de promover uma interacção directa entre leitores e criadores de conteúdos, convocando bloggers, a academia e o público.

Apenas uma década passada podemos verificar o quanto mudou a paisagem do mundo online. A ascensão das redes sociais ditou a secundarização da blogosfera enquanto espaço de debate público na internet. No caso da arquitectura, muitos dos principais blogues de então desapareceram, em especial os de autoria individual, e os que ficaram evoluíram do formato blogue para se assumirem como autênticas plataformas de divulgação de conteúdos. O universo da opinião e da crítica deu lugar a um vasto caudal de informação asséptica assente na divulgação descontextualizada de imagens, entre pré-visualizações de projectos virtuais a fotografias profissionais de obras construídas.

Os sítios de maior visibilidade são hoje agregadores de informação e competem para partilhar o mais recente material visual disponível na rede aos seus leitores. Press-releases corporativos são publicados em apenas alguns minutos numa competição frenética onde todos tentam chegar em primeiro lugar, sem que lhes seja aditado contexto ou reflexão, sem tempo para elaborar um olhar crítico mais aprofundado.

Apesar de todas as contradições que marcaram o fenómeno da blogosfera é inquestionável que os blogues tiveram um papel determinante na definição de um espaço público global sem precedentes na História, protagonizando a primeira vaga de expressão individual na Internet com repercussão no mundo exterior. Na sua subjectividade, no seu descontrolado imediatismo, os blogues abriram uma constelação de novos lugares de expressão pessoal capazes de estabelecer infinitas ligações entre si, no directo da rede.

Alimentando a ilusão de uma horizontalidade democrática, importa reconhecer que os blogues deram também corpo a manifestações de grande toxicidade e, por vezes, de devastadora terraplanagem intelectual. Não estando sujeitos aos constrangimentos de uma supervisão editorial – com toda a responsabilidade pública ou institucional que esse exercício encerra – os blogues ensaiavam-se sem escrutínio prévio, não tendo monitores e sem responder perante ninguém. Para o bem, e para o mal, aí residia a sua força e, como seria fácil de depreender, a sua latente fraqueza.

Talvez tenham sido os ecos dessa rede contraditória e caótica feita de mil egos à solta – como caricaturava Pacheco Pereira n’A cultura de blogue nacional – a motivar o desinteresse generalizado das universidades por esta nova infraestrutura de comunicação, porventura por pudor em concorrer com o ruído emergente de uma multidão de vozes não credenciadas. Prevaleceu assim entre nós o distanciamento das academias e da generalidade da crítica quanto a este espaço de debate de ideias, tornando inimaginável uma experiência semelhante àquela que o Postopolis! protagonizara de forma tão cosmopolita e promissora.

Chegados aqui vale a pena reflectir sobre o momento crítico que hoje vive a Internet. A ascensão das novas plataformas, em particular as redes sociais, relevaram o fenómeno blogue para longe dos holofotes mediáticos e vieram conformar uma nova paisagem corporativa da comunicação global. Nesta realidade, o caos e a anarquia do passado – mas também a liberdade de expressão e o pluralismo – estão a dar lugar a um panorama onde um conjunto reduzido de mega-empresas detém o domínio dos principais veículos de transmissão da informação.

Em resultado da consolidação deste oligopólio assistimos à tendência para a conformação de uma Internet subjugada a sofisticados mecanismos de selecção e filtragem de conteúdos, constituindo, em alguns casos, formas insidiosas de censura automática através de complexos algoritmos, tais como a ocultação de resultados de busca no Google, a desmonetização de conteúdos no YouTube ou ainda a utilização de técnicas de ghost-deleting no Facebook, no Twitter e nos espaços de comentário em inúmeras plataformas digitais.

A eficácia destes mecanismos deriva directamente da desfragmentação do factor humano na mediação do conhecimento através da Internet, onde os blogues constituíram, no passado recente, um exemplo particularmente bem-sucedido de debate público, divulgação e confronto de ideias. Perante os riscos que tal introduz, em concreto pela perda de uma curadoria humanizada do saber, importa mais do que nunca resistir ao predomínio da cultura do mínimo denominador comum, dos gostos e das partilhas das redes sociais, ou à imposição de restrições ao pensamento em função daquilo que corporações privadas julgam ser ou não aceitável.

Se os blogues deixaram de fazer sentido enquanto fenómeno mediático do momento – que porventura nunca voltarão a ser – talvez o seu papel enquanto espaço de resistência crítica seja hoje mais relevante do que nunca, na arquitectura e em tudo aquilo que nos rodeia. Num tempo em que múltiplas crises se intersectam, um pouco por toda a parte, é ainda mais urgente instituir referências de saber que nos permitam em conjunto, de forma colaborativa e livre, vislumbrar o sentido do mundo, sempre tão difícil de conhecer e interpretar.

Debate de encerramento: exposição Fernando Guerra na Garagem Sul do CCB



A exposição Fernando Guerra: Raio X de uma prática fotográfica, patente na Garagem Sul do CCB, entra agora na reta final. Os visitantes poderão aproveitar esta oportunidade única para conhecer a obra de um dos mais reconhecidos fotógrafos de arquitectura, até ao dia 15 de Outubro.

Já no próximo sábado, dia 7 de Outubro pelas 17:00 horas, terá lugar o Debate de Encerramento com a presença de Daniel Malhão e Carles Muro. Também a não perder, no mesmo dia às 15:00 horas, a última visita guiada à exposição com a monitorização dos arquitectos Ana Custódio e Filipe Araújo.



A trajectória de Fernando Guerra no panorama mundial da fotografia de arquitectura é indissociável da sua capacidade de comunicar imagens através do sítio web Últimas Reportagens, a sua plataforma profissional no mundo online. Num tempo de desmaterialização e fragmentação de conteúdos no espaço digital esta exposição revela-se mais pertinente pela possibilidade de nos fazer confrontar presencialmente com a sua obra, para muitos pela primeira vez, através de vários suportes materiais complementados com projecções e registos audiovisuais muito diversos.

O seu percurso pessoal atravessa um período particularmente crítico da produção arquitectónica nacional e internacional: da primeira década deste século marcada por uma notável expansão da profissão e a emergência de uma nova e promissora geração de arquitectos, percorrendo os anos da crise e os seus impactos, para chegarmos a um presente marcado por interrogações, receios e novas possibilidades. A fotografia de arquitectura participa nesse debate pleno de ramificações críticas e, inevitavelmente, também políticas, por ocupar um espaço de intermediação entre os arquitectos e o público.



A extensa colecção de reportagens de Fernando Guerra permite-nos observar o presente mas convoca-nos, acima de tudo, a reflectir sobre o lugar que ocupará a comunicação visual da arquitectura no futuro? Tal como a própria arquitectura, também a sua fotografia continuará a evoluir para acompanhar os processos de reconfiguração estrutural da profissão, no balanço de tensões entre o processo económico corrente e as responsabilidades culturais, sociais e ambientais que pendem sobre o horizonte.

Contemporânea do novo milénio, a fotografia de Fernando Guerra imprimiu uma nova dinâmica à arquitetura portuguesa. Com o apoio do mundo digital e das redes sociais, as reportagens de FG+SG passaram a retransmitir quase de imediato uma imagem vibrante da produção arquitetónica. A novidade desse processo foi a condição digital das imagens e da sua circulação, condição que também acompanhou a crise dos media impressos e a transformação das práticas e plataformas de crítica. Nesse contexto, as fotografias FG+SG combinaram o rigor e a originalidade do olhar de Fernando Guerra com a versatilidade das suas imagens, capazes de responder com eficiência às exigências da comunicação de arquitetura. O êxito destas imagens interpela a própria disciplina da fotografia sobre a sua capacidade de reinvenção, a sua história e os seus limites. Como se enquadra a prática de Fernando Guerra no campo alargado da fotografia? Qual o potencial e quais os riscos da objetividade e subjetividade do meio fotográfico? E, para a crítica e a divulgação da arquitetura, o que trazem e o que escondem as imagens Fernando Guerra?