Parques naturais



O sítio web do National Park Service mantido pelo Departamento do Interior do governo americano é um portal que serve de directório aos parques naturais e ao património cultural e histórico dos Estados Unidos. Para além da introdução à história dos locais e de fornecer recursos informativos sobre os serviços existentes em cada um deles, faz-se acompanhar de muita informação sobre a acessibilidade, o alojamento, pontos de interesse próximos, actividades e notícias diversas. Um bom exemplo feito com grande profissionalismo.

Para não ficarmos só a admirar o que os outros fazem deixo-vos também o sítio web do Instituto da Conservação da Natureza. A página segue um modelo semelhante, está bastante bem construída e dá acesso a informação variada. Faço o pequeno lamento apenas de ver como rapidamente resvalamos para uma linguagem académica num contexto em que ela devia fazer-se mais aberta e menos técnica. Talvez o termo de comparação com a congénere americana possa ser útil para nos fazer ver que existem registos diversos para públicos e objectivos também diversos. A área de informação também merecia conter mais detalhe na exposição de cada parque ou ponto de interesse individual. No entanto há-que reconhecer que o site do ICN está muitos furos acima da média e merece uma visita.

Loobylu



Loobylu é alegria instantânea. É o nescafé da blogosfera. Loobylu é divertido. Loobylu devia ser promovido a verbo: então, já Loobylaste hoje? Ouve, Loobyluzei à maneira! Vamos a isso. Comece o dia, com Loobylu! Loo-by-lu!

Bullshit detector

Tão misteriosa é a vontade de Deus que a maioria das pessoas a confunde com uma indigestão. E depois há o Buda, cuja primeira grande revelação foi que a vida é sofrimento – e não fazem ideia como ele era divertido na cama.
Wars Of Compassion

Ah, o delicioso sabor a yesterday’s news do Live 8. Activemos pois o bullshit detector acompanhados de uns óculos escuros versão They Live. Claro está, já se sabe que este mundo é mesmo uma palhaçada. Bonitas imagens, eis o Presidente da Comissão Europeia José Barroso ao lado de Bono erguendo um esperançoso “V” de vitória. Estou quase a lacrimejar. Mas, espera, este não é o mesmo Durão que há pouco mais de um ano foi ao bombástico casamento de luxo da filha do presidente angolano José Eduardo dos Santos. Ah, mas que nobre entrega às causas humanitárias, especialmente quando regadas com um bom Chardonnay. Desta vez é mesmo a sério, o Banco Mundial e o FMI colocaram a mão nas consciências para encetar uma poderosa luta contra a pobreza. No topo do cartaz: Tony Blair de voz embargada, secundado por George Bush. Dos mesmos homens que vos deram “Armas de Destruição Maciça” e “Saddam em Cuecas”. Agora, eis o “Perdão da dívida dos países do 3º mundo”. Este filme, é preciso reconhecer, tem muito melhores efeitos especiais e uma banda sonora à maneira.

Os intelectuais dividem-se e até os cientistas ficam malucos. A Nasa atira com um míssil a um cometa. Eh, grande festa, eu quando era puto também gostava de partir coisas. Mas Portugal está dividido. De um lado a facção José Gil, do outro a do Vasco Pulido Valente. O melhor era vestir os dois de maillot de luta greco-romana e metê-los numa poça de lama. A TVI já deve ter tentado mas Vasco declinou: o único exercício que faz é andar trinta metros para comprar tabaco e mesmo assim com risco de sofrer uma taquicárdia. O Pacheco Pereira traduz enquanto se deleita por entre poemas e fotos de Saturno. Francisco José Viegas eclipsa-se durante três meses.

Mas o filme tem azar com a data de estreia. Os atentados em Londres atiram-no para segundo plano com estridência e uma boa dose de histeria colectiva. A charanga tem de continuar e logo se fazem ouvir muitas vozes explicando as origens da problemática do fenómeno e mais o camandro. Há de tudo para todos como é bom de ver nesta nossa sociedade pluralista. Entre os que embarcam no idealismo amansado pop e os fundamentalistas sem turbante a rogar por um míssil pelo cu daquela gentalha toda é difícil escolher com tamanhas sabedorias.
Guerra é guerra e não se fazem prisioneiros. O tiroteio já começou e o melhor é saírem da frente, em especial se decidirem apanhar um autocarro em Stockwell. A discussão é acesa e a blogosfera está ao rubro. Já se sabe, qualquer caramelo com blogue acha-se um perito em política internacional e terrorismo. Há um Nuno Rogeiro dentro de cada um de nós, mas só ele tem o cabelo original.
Ah, a blogosfera, a blogosfera... e não se pode exterminá-la?!...

O futuro é nuclear?



No Bloguítica, Paulo Gorjão tem vindo a defender a necessidade de contemplar a instalação de centrais nucleares em Portugal.
A questão energética é um assunto muito sério. A esse respeito publiquei aqui um pequeno ensaio: ler Energia: A Situação Portuguesa. Julgo compreender as preocupações de Paulo Gorjão que interpreto de forma positivamente desinteressada e pragmática. Também a respeito da energia nuclear afirmo não possuir quaisquer tabus e, espero, nenhuns preconceitos sejam eles ambientais ou económicos. O que me preocupa não é tanto o debate do tema mas que ele se faça com base nos pressupostos que ali se apresentam e que carecem de uma análise muito mais séria.

A dramática evolução dos preços do petróleo tem feito aparecer uma nova onda de publicidade favorável à energia nuclear. Essa indústria agora em ressurgimento tem promovido os méritos de uma tecnologia evoluída capaz de gerar electricidade sem produzir emissões de carbono e uma boa relação custo/benefício. O futuro é brilhante. O futuro é nuclear.

Ou será? Os critérios de diminuição de emissões de carbono definidos pelo protocolo de Quioto pareceram abrir as portas a novas oportunidades para a expansão comercial de energia nuclear. Para se ter noção da dimensão do sector, 16% da produção energética mundial é gerada em 438 reactores nucleares comerciais. Para países carenciados em recursos energéticos domésticos, a energia nuclear pode parecer uma opção atractiva, em especial perante os perigos da actual dependência das importações de petróleo. No entanto, a comunidade internacional rejeitou esta opção como uma alternativa limpa e viável, o que foi encarado por essa indústria com desapontamento.

Os principais argumentos críticos com a expansão nuclear prendem-se com a sua difusão no continente asiático. As centrais nucleares são altamente dispendiosas de instalar, requerem pessoal com elevada especialização, segurança extensiva, programas de manutenção que funcionem, estudos de impacto ambiental e um sistema capaz e dispendioso para lidar com as emergências. Nos países desenvolvidos muita dessa infraestrutura existe ou está disponível, mas para três quartos do planeta isso não é verdade. Como tal, não surpreende a falta de entusiasmo da comunidade internacional para com o alargamento deste sector.

Numa questão tão polémica podemos debater a favor ou contra com enorme paixão mas os factos são os factos. Na Europa o nuclear representa uma parte considerável da produção de energia. Mesmo não considerando o caso particular da França que é o segundo maior produtor bruto de e. nuclear (só atrás dos Estados Unidos e o primeiro numa base per capita) com 79% da produção eléctrica interna e sendo o maior exportador líquido da UE; na Alemanha, o nuclear representa mais de 25% da produção de electricidade e na nossa vizinha Espanha esse valor atinge 23% (1)
No entanto, a durabilidade condicionada dessa infraestrutura obrigará a uma nova vaga de investimentos para se manter a potência actualmente instalada nesses países nas próximas décadas. Na Alemanha o governo assumiu um acordo com as companhias do sector com o objectivo de desactivar todas as suas centrais até 2021. A sua intenção é compensar essa perda de produção através das renováveis e do gás natural. Em Espanha, o primeiro ministro Zapatero afirmou uma intenção semelhante. No entanto, muitos analistas estão cépticos em relação à manutenção destas soluções políticas no futuro.

As vantagens desta tecnologia em relação aos aspectos ambientais (redução de emissões) são bem conhecidas. No entanto, as suas desvantagens também. Existem preocupações quanto aos elevados custos de construção das centrais, bem como da sua manutenção e desactivação.
Existem também aspectos de segurança que não podem ser negligenciados; tanto de segurança de utilização da instalação (safety) como do risco de possíveis atentados terroristas (security). A tecnologia nuclear tem riscos próprios que exigem uma supervisão constante e uma “cultura de segurança”. Mesmo em Inglaterra, conhecida pela eficácia da indústria, os problemas acontecem (2/3/4). As centrais nucleares exigem ainda uma estratégia operacional de depósito dos resíduos radioactivos (5).

Para Portugal, a opção de enveredar pelo nuclear proposta por Paulo Gorjão não é uma questão simples de sim ou não. Existem questões relativas à política de energia nacional; ao método de financiamento das instalações e quais os seus promotores e parceiros; questões práticas, económicas, de segurança, de garantia de oferta de matérias primas; e também de capacidade técnica (know-how). Tratam-se de problemas eminentemente técnicos e para os quais devem ser dadas respostas técnicas. Estas questões não se submetem a referendo nem devem ser decididas por pessoas como o PG ou por mim ou outros que leram meia dúzia de artigos. Não se trata assim de “preparar a opinião pública” como disse, e mal, PG. Ouça-se a nossa classe científica, ouçam-se as universidades e os técnicos da área. Veja-se o que as agências internacionais têm a dizer sobre isto, mas acima de tudo, faça-se o debate a sério sobre o tema sem enveredar por minimizações dos problemas como se o nuclear fosse a imagem da perfeição, e também sem embarcar nos fundamentalismos ambientalistas dos activistas da inacção.

O nosso problema energético existe. É preciso não esquecer que, apesar do aparato do recente entusiasmo da nossa adesão às renováveis, já estamos a partir com um atraso comprometedor. Os nossos compromissos com a UE assinados para 2010 não significavam que devíamos completar as nossas centrais de renováveis até esse ano, antes significa que deviam estar operacionais em 2000 e a pensar nelas em 1990. E isto já é estar a ser benevolente. Mas pergunto-me se o nuclear deve ser a porta para resolver a nossa negligência de décadas. Assusta-me que os governos possam encontrar aí a solução “que dá para tudo” e que se vá em frente de forma desonesta e a reboque de interesses sectoriais.
A questão é séria. Resta saber se seremos suficientemente sérios para lidar com ela.

A ler



A Inês foi ao MoMA e conta como foi. As atribulações divertidas de uma compatriota com sérios problemas de acentuação. Ai, que inveja!

Nota: há novidades nos “recentes” da barra de links.