português | english | rss pt | rss eng | shared in the background field operations

Previously | Fotografias da LIFEPreviously | Olga Sanina + Marcelo Dantas: Pavilhão da Feira do...Previously | «Gente da Casa» - ciclo de conversas sobre arquite...Previously | Sampsonia WayPreviously | Exposição «Gente da Casa»Previously | Link bombPreviously | The places we livePreviously | Pritzker Architecture Prize websitePreviously | Iconografia de um PresidentePreviously | Fotos da exposição «Peter Zumthor» no {moshimoshii...



O déspota iluminado

E-mail this post



Remember me (?)



All personal information that you provide here will be governed by the Privacy Policy of Blogger.com. More...



Tenho aprendido a evitar essa tentação da escrita blog que resulta na ruminação sobre o “tema do momento”. Como abordar questões polémicas da actualidade sem cair no comentarismo mais simplista? Como introduzir uma perspectiva mais vasta para buscar o esclarecimento profundo das coisas, para lá da mera aparência. É uma arte que reconheço a poucos, como na lucidez crítica de João Lopes no excelente Sound+Vision. Um blog que questiona a cultura da imagem, desconstruindo sentidos e simulacros da sua própria representação mediática.
Aproveitando o recente episódio da gaffe de Manuela Ferreira Leite, João Lopes desmonta o sentido perverso da linguagem política, hoje codificada segundo critérios altamente profissionalizados. O discurso político vive hoje refém das lógicas da comunicação, sobrepondo-se à sua substância o efeito de percepção sobre o público-alvo, a que se pretende agradar e, ultimamente, conquistar.
A cadeia de reacções previsíveis à declaração de Manuela Ferreira Leite oferece-nos um conjunto de sintomas bem entranhados na nossa vida democrática. Que muita da discussão política assenta hoje na anulação do outro, no jogo voluntário da presunção de nulidade daquilo que se nos opõe. À inépcia retórica de Ferreira Leite soma-se um efeito de interpretação assassina, opaca sobre os seus eventuais sentidos.
É uma patologia cultural que tomou conta do debate em política – em jornalismo, em blogs, etc. – e da qual resulta a anulação de toda a possibilidade de diálogo. Ferreira Leite é vítima do mesmo veneno que tem corroído dirigentes partidários atrás de si e ao qual ela não será igualmente alheia, na sua actuação enquanto interveniente na imprensa escrita.
Este jogo de simplificação, de redução da realidade à expressão mais unidimensional dos factos, parece transformar aquilo que é complexo numa equação de uma única variável: veja-se, a título de exemplo, a recente abordagem ao problema da longevidade do desemprego centrada no argumento único da “generosidade” do actual regime do subsídio de desemprego. O problema é, como qualquer um compreenderá, certamente mais complexo, mas discute-se assim em praça pública como se da manipulação de um único factor pudesse advir a sua resolução. E no entanto, apesar do absurdo dos termos do debate, a opinião pública continua afável ao discurso político assente na solução que dá para tudo – subir impostos, baixar impostos, fazer obra, avaliar – em vez de investir numa consciência crítica mais exigente e lúcida quanto à complexidade dos problemas e, necessariamente, das suas soluções.
Da exposição atabalhoada de Manuela Ferreira Leite fica uma interrogação que, lamentavelmente, não chegará a ser discutida. Se sabemos nós, portugueses, viver em Democracia? Se depois de trinta anos de vida democrática nos encontraremos dependentes de um qualquer déspota iluminado, para viabilizar à força a introdução de reformas urgentes e necessárias? É um cenário evidentemente retórico, indesejável e, felizmente, inviável, mas sobre o qual devíamos reflectir. Porque se o despotismo é inaceitável em democracia, é igualmente inaceitável o vigor corporativista que assume o atrito institucional como a sua missão principal, e que tanto nos aproxima de regimes passados - que todos afirmam censurar, mas parecem empenhados em praticar.


Nota para bloggers externos: por favor escrevam o texto completo da vossa URL incluindo http://



SPOTLIGHT | DESTAQUES


SHARED | REFERÊNCIAS

    Selected posts from my web reader for your personal enjoyment.

FAVORITES | FAVORITOS

BLOGROLL

SEARCH | PESQUISA

    Do you feel lucky?


ARCHIVES | ARQUIVO

COLOPHON

    The architecture blog A Barriga de um Arquitecto / The Belly of an Architect (written in bilingual Portuguese-English) is mainly focused on contemporary architecture and urban design, covering recent works from Portuguese architects as well as projects of international significance.

    My name is Daniel Carrapa. I was born in Lisbon, Portugal, in 1973. I’m an architect living in Évora, a nice historical town that was included in the World Heritage List by UNESCO in 1986. I’m married, have 4 cats – Óscar, Matilde, Margarida, Patanisco – and 1 dog – Moby. Moby is a three-legged dog. He’s okay. I graduated as an architect in 1996 (FAUTL Lisbon Faculty of Architecture). I am also an authority on cat litter and will provide expert advice upon request. I love traveling, watching movies, reading books and draining the battery from my X360 gamepad. In my lifetime I have visited the following countries: India, Nepal, China (Hong-Kong and Macau), Greece, Spain, France, Italy, Austria, Hungary, Poland, Czech Republic, Germany and the Netherlands. I have also completed many videogames.

    I love feedback, so feel free to drop me a line to abarrigadeumarquitecto@ gmail.com or meet me on Facebook. I'm also registered on Twitter.

    This blog is published under a Creative Commons license.

    Subscribe to this blog's content feed.

    Established Dec. 2003. Thank you for stopping by.