Mau trabalho

O Diário de Notícias dá conta da polémica que envolve a intenção de construir um novo quartel da GNR no centro histórico da vila de Penedono. A arquitectura volta a fazer manchete como se de um caso de polícia se tratasse.

Não estão em causa os fundamentos da inquietação expressa no artigo, em particular nas palavras ponderadas de Dalila Rodrigues, antiga directora do Museu Grão Vasco e do Museu Nacional de Arte Antiga. O que motiva perplexidade é o facto da peça jornalística se sustentar numa imagem não creditada como forma de validação daqueles argumentos.
Ficamos assim sem saber se aquela é uma pré-visualização oficial do projecto ou antes uma fotomontagem caseira feita por um anónimo qualquer. A imagem tem, aliás, o efeito perverso de reduzir um debate importante a um juízo binário sobre uma vista desfocada de um edifício a centenas de metros de distância.

Não se trata aqui de defender aquela arquitectura, cujo conteúdo desconheço para lá da imagem que nos é dada. Mas, falando-se de arquitectura, fica ausente o contraponto do depoimento dos autores do projecto em abono do rigor jornalístico.
Quanto à polémica resta apenas esperar que prevaleça o bom senso e o respeito por um património que persistiu ao decurso do tempo e merece sem dúvida ser preservado.

Identidade ARX



Visitei recentemente a exposição ARX ARQUIVO onde se dá a conhecer o percurso de duas décadas de trabalho da ARX Portugal. Uma viagem pelo processo de investigação que o atelier de Nuno e José Mateus leva a cabo em cada projecto de arquitectura, trata-se de uma apresentação de um espólio muito extenso de material de trabalho que se organiza como arquivo habitável, onde as maquetes ocupam um papel fundamental.
A exposição começa por conduzir-nos no tempo através de um painel de fotografias, desenhos e referências várias que fazem parte das suas origens, onde podemos reconhecer as influências da Morphosis de Thom Mayne, de Eisenman ou de Libeskind. Abre-se então o trajecto cronológico pelas obras da ARX, revelando como cedo se foram desvanecendo gestos mais formalistas de origem para assistirmos à consolidação da identidade ARX. É uma prática experimental que arrisca o desconhecido, exploratória, livre do espartilho de pressupostos fixos e linguagens pré-definidas, expondo o melhor sentido cosmopolita da academia de Lisboa.
ARX ARQUIVO estará patente no CCB até ao dia 21 de Julho. Ficam alguns instantâneos, recomendando a visita ao sítio web da ARX onde podem encontrar uma reportagem fotográfica mais completa e fiel ao ambiente da exposição, a não perder.









ARX, ARX ARCHIVE exhibition, Lisbon, Portugal, 2013.

Ur_Animals


António Belém Lima, ABA - Centro Comunitário, Vila Real, Portugal, 2008. Image credits: Fernando Guerra.

Porque nenhuma reportagem de arquitectura fica completa sem o apontamento animal eis o álbum que se impunha: Ur_ANIMALS. A imagem acima faz parte do conjunto de fotografias do Centro Comunitário ABA em Vila Real, projecto do arquitecto António Belém Lima. Não percam a colecção completa de álbuns do Ultimas Reportagens no Pinterest, uma extensão da página oficial do Fernando Guerra.

Nova Utøya: construir para curar


Fantastic Norway, New Utøya, Utøya, Norway, 2013 (under development). Image credits: Fantastic Norway.

Como lidar com o território de uma tragédia? Em tantos casos a dimensão do trauma, bem presente na memória dos vivos, parece justificar apenas o vazio. Como se só o silêncio pudesse falar a dor que habita os sobreviventes e as famílias das vítimas.
Não podemos fazer juízos sobre esse silêncio profundo. No entanto, se há algo verdadeiramente extraordinário no projecto da Nova Utøya é a força e a vontade de ultrapassar o vazio e construir o futuro. O projecto, promovido pelo Labor Youth Party e desenhado pela Fantastic Norway, visa reestabelecer o campo de jovens da ilha de Utøya e fazer dela um símbolo de unidade e diversidade. A arquitectura como forma de construir democracia.



Via Daniel Gray.

Os demónios que ficam




To all my beautiful demons is a photographic essay by Mário Venda Nova, author of the Portuguese blog O Elogio da Sombra.

O que é a ausência? – eis o ponto de partida para uma viagem fotográfica em busca dos demónios de relações passadas que carregamos connosco e projectamos no mundo que nos rodeia. Um trabalho de Mário Venda Nova, autor do blogue O Elogio da Sombra, para ver na íntegra em: To all my beautiful demons.