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Uma das distinções mais significativas que se podem estabelecer quanto à produção arquitectónica contemporânea refere-se não a dimensão mas a economia. Mais precisamente no que respeita a considerações de custo-benefício – ou como os arquitectos abordam o problema da adequação entre os meios e os fins do desenho da arquitectura.
Considero este tema muito relevante não só porque não estamos todos a projectar para o Dubai mas porque este sentido de adequabilidade está no íntimo do que deveria ser uma prática sustentável. A ética da sustentabilidade depende precisamente de combater “obesidades” supérfluas. O design – ainda mais no domínio da arquitectura – é em tudo um exercício de adequabilidade, de eficácia, da descoberta da relação essencial entre as condições presentes e os requisitos de transformação, de introdução do que é novo. Isto não deverá ser visto como um obstáculo à inovação, antes o contrário. Num mundo sem restrições financeiras qualquer um pode erguer sensacionais ícones, obras de arte que não são necessariamente obras de arquitectura inovadoras. O oposto, no entanto, é possível. Fazer mais com menos. Superar um orçamento restrito através de soluções excepcionais de design e assim gerar objectos de genuína singularidade.
Estes pensamentos ocorrem-me ao contemplar o projecto do belo centro comunitário de Dønning, um equipamento de uso cívico projectado por Einar Jarmund e Hâkon Vigsnæs.
Esta equipa de arquitectos noruegueses tem recebido atenção crescente, com particular incidência sobre os seus notáveis edifícios de habitação unifamiliar. Mas este projecto em particular parece-me muito tocante, sendo um dos seus trabalhos menos sofisticados. Uma criação que se distingue por uma crua materialidade.
Este clube para jovens proposto para uma organização comunitária local é um exemplo de como a arquitectura pode transpor todas as limitações que sobre ela incidem. O desenho estrutural é simples e eficaz, preocupação a que não está ausente a optimização económica daquele que é pouco mais do que um pavilhão de formas levemente contorcidas. As aberturas são poucas mas proeminentes, oferecendo não apenas uma solução energeticamente eficiente mas também um uso deliberado da luz natural. O revestimento exterior resulta da aplicação de painéis de fibrocimento pré-moldados; outra opção de baixo orçamento a que o uso de cores contrastantes – o cinzento natural e o encarnado – providencia um forte efeito visual.
Na sua simplicidade e tensão de forma o centro comunitário de Dønning apresenta-se como uma afirmação singular, um gesto de singela humanidade no meio da vasta paisagem.
One of the most significant distinctions one can make in architecture today is probably not regarding dimension but economy. More precisely regarding cost-effectiveness concerns – or how architects approach the issue of adequacy between the means and the ends of architectural design.
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