É o design, estúpidos!

Os que naveguem para lá da charca que dá pelo nome de blogosfera portuguesa descobrem que isto por cá não é grande coisa. Nem é que seja mau, é mauzito e rima com fraquito.
Mau nos conteúdos, em especial de uma maioria que não sabe bem o que anda por aqui a fazer. Segue-se a maré de notáveis que tanto se arrastam na discussão de frivolidades – perdão, causas – para não falar do debate político ongoing entre senhores que ainda julgam que a linha divisória entre o bem e o mal é a linha entre a esquerda e a direita. E ainda há os sabujos, que são os piores de todos, saltitando em bicos de pés nas suas constantes auto-referenciações elogiosas, dizendo bem uns dos outros como quem está no sofá de um daqueles programas do Herman.

Se os conteúdos são tantas vezes sofríveis a imagem é ainda pior. A nossa blogosfera é feia, em reflexo de uma geral falta de critério e cultura visual. Sei que é perigoso e injusto generalizar, mas que se lixe. Há por certo coisas boas acessíveis aos que decidam mergulhar para lá da superfície, mas a maioria dos blogs portugueses não ostenta qualquer preocupação gráfica ou vontade de fazer um pequeno esforço por tal.
É fácil perceber as razões. Nem todos terão disponibilidade para cair para dentro das miudezas dos templates nem são barras em Photoshop. Mas arrisco a dizer que o problema é outro. Num país onde toda a gente se leva a sério e se acha muito profunda é difícil explicar porque não se trata de uma questão secundária ou superficial; a evidência de que a imagem não serve apenas como factor bling, ela é também o registo e suporte da mensagem - a extensão do discurso. McLuhan, alguém? Porque ignoramos então a importância da imagem?

Observando a elevada qualidade gráfica da melhor blogosfera internacional, é quase impensável reconhecer que um blog com a repercussão do Abrupto não se suporte num template original. Percebe-se que o design não seja uma prioridade de JPP que preza o discurso como o seu essencial. Mas a sua ausência é também reveladora de uma falta de exigência intrínseca – que é generalizada e extensível ao universo da nossa cultura académica. Como se a imagem fosse uma coisa das artes e de mais ninguém. Ainda assim o Abrupto é, apenas e no limite, um blog individual. Que dizer então do Gato Fedorento com o seu template base do Blogger e aquelas cores pastelosas? O problema, verdadeiramente, não é a imagem ser má; é que um conjunto talentoso de profissionais do meio mediático se sinta representado por uma coisa daquelas quando a sua dimensão pública justificaria uma página completamente personalizada. Veja-se, à sua escala, o bom exemplo do Há Vida Em Markl.

Na blogosfera de referência – a mais lida e citada pelo mundo da informação – encontramos também pequenos esforços de personalização de imagem. Infelizmente, a qualidade está ao nível do amadorismo. A ver: Blasfémias, Bloguítica, Arrastão, Paulo Querido, entre tantos outros.
Olhemos então um pouco mais além. Da Califórnia chega-nos o muito português Rua Da Judiaria. Para lá do template simples (o famoso opensource Kubrick) sobressai o cuidado na composição de texto e imagem. O que fica é um blog denso mas muito legível, apelativo e equilibrado. Com as mesmas qualidades, mas de base ainda mais simples, encontramos A Origem Das Espécies. A qualidade visual de um blog, afinal, não depende tanto da capacidade do seu criador em ser um talentoso web designer. É, tão só, o reflexo do seu cuidado de edição.

Se ainda precisam de evidências analisem aquele que é considerado como um dos melhores blogs de arquitectura, o famoso BLDGBLOG. O suporte: um dos templates standard do Blogger. O conteúdo: textos próprios acompanhados de uma excepcional selecção de imagens. O resultado é uma referência de topo da blogosfera internacional.
A qualidade visual de um blog sustenta-se afinal no equilíbrio da composição e edição, mais do que na habilidade de cada um em ser um feiticeiro do CSS ou do software gráfico. Mas exige, acima de tudo, uma pequena dose de exigência pessoal. Uma vontade em ir além da mediocridade de uma mediania sem exigência pessoal e autocrítica.

Para lavarem os olhos, deixo-vos com o menos conhecido La Double Vie de Veronique, exemplo perfeito de colagem e design web, e um dos mais belos blogs portugueses.

27 comentários:

  1. Arriscado no contexto largo em que se insere, mas vale a coragem e a sinceridade. E porque é verdade, concordo.

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  2. De acordo. No meu caso alio a falta de paciência para CSS a alguma inabilidade estética, sobretudo para o ecran.
    É curioso esta crítica nesta altura, quando Mas certamente que sim! está em mudanças editoriais para reflectir precisamente a minha necessidade de prestar mais atenção ao blog, de o cuidar mais, como diz. Uma das mudanças que gostava de produzir é a mudança do aspecto, ou desenho. Sou todo olhos para sugestões / propostas e o meu mail está na coluna do blog.

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  3. Acima esqueci: obrigado pela citação. Não me considero "de referência" e apreciei a sua amabilidade.

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  4. ( speechless... as imagens falam mais, sim, diriam melhor o bom que foi ler este post!
    obrigada )

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  5. Absolutamente verdade. É confrangedor a falta de sentido visual que tantos possuem. Esquecem sempre a regra/provérbio "os olhos também comem". Quando mais que nunca o design assume uma importância estratégica na sociedade e na economia, a proliferação de blogs - ou sites e tantas outras "manifestações" de registo visual - como poderão valer e existir baixa qualidade na sua estrutura e na sua estética? Uma série de factores existem, mas é óbvio que se alguém faz um blog ou um site deverá ter cuidado e atenção ao modo como fará a sua visualização. Para se comunicar bem há que ser claro, e o modo como isso se apresenta é crucial se querem ser lidos e vistos com olhos de ver. Se o conteudo for bom ainda melhor.

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  6. Totalmente de acordo. Acresce que a falta de exigência na blogosfera é apenas um reflexo do generalizado desprezo que há em Portugal pelo fazer bem feito. Por outro lado, a cultura visual é desde há muito o "parente pobre" da cultura portuguesa.

    Infelizmente, no caso do blogue a que dedico tanto do meu tempo, apenas consegui realizar algumas alterações num template anódino, uma espécie de corte e costura, muitas vezes penosa para quem como eu tardiamente chegou a estas bandas e ainda não domina aspectos básicos como o photoshop. O próximo passo será aprender a mudar de template.

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  7. Concordo plenamente com tudo o que dizes, apesar de não achar o site do Nuno Markl um site de referência.

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  8. Daniel, acho que a tua crítica não faz sentido. Ou melhor, o "tom" da tua crítica não faz sentido. Estás quase ofendido e amargurado por veres que os bloggers portugueses não dão a devida importância à aparência gráfica dos seus blogues, coisa que tu, como arquitecto, interpretas como uma "falta de cultura". Acho que isso parte de uma expectativa que não se adequa ao meio. A grande maioria (senão todos) dos blogues portugueses são amadores. Isto é, não são usados para fins profissionais, o que justifica a falta de meios e de interesse no investimento gráfico. E são, pelo menos os mais lidos ("de referência") blogues que são, quase unicamente, suporte de escrita. Também importa lembrar que a blogosfera deve muita da sua popularidade ao facto de ser uma "alternativa" aos media tradicionais, sobretudo os jornais. O carácter imediatista (na criação e edição) dos blogues é também uma das características fundadoras do meio que, a meu ver, não se coadunam com uma qualquer complexidade gráfica. É uma questão de estilo. Os blogues "na hora" funcionam melhor do que os outros, aqueles que são meros depositários de textos elaborados, revistos e editados. Isto é: o aspecto tosco do suporte ajuda a definir o espírito da escrita. Parece-me que essa fasquia gráfica que lanças sobre os blogues de referência tem como ponto de comparação o "webdesign" evoluído e não os jornais impressos que nunca deveram muito ao apuro estético (cá como "lá fora). Pessoalmente, e já o escrevi em tempos, gosto do aspecto tosco dos blogues porque me centram a atenção no texto, nas palavras, nas ideias. E caio muito no erro de, instintivamente, considerar que um blogue graficamente superior não tem muito para dizer. Posso usar como exemplo algo que deves conhecer bem: o Jornal dos Arquitectos, na sua versão anterior (de Manuel Graça Dias) e na sua versão actual (de Ricardo Carcalho e José Adrião). Na minha opinião, o primeiro era infinitamente superior, sobretudo porque relegou o apuro estético e gráfico tão caro às publicações sobre arquitectura, para colocar o texto inequivocamente como actor principal. Apesar disto, concordo que é agradável ver alguma personalização dos templates (acho que o Blasfémias é um óptimo exemplo disso), mas sem nunca querer dar ao grafismo mais do que um papel secundário.

    Isto não quer dizer que não admire alguns blogues devido ao seu grafismo. Acho que um blogue graficamente distinto é sempre um prazer, mas o contrário não é verdade.

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  9. Queria só "ilustrar" o último comentário com 3 exemplos de blogues que considero muito bem conseguidos a nível gráfico: O Kontratempos (http://kontratempos.blogspot.com/), o Pobre e Mal Agradecido (http://ruitavares.weblog.com.pt/) e A Sexta Coluna, num registo mais minimal (http://sextacoluna.blogspot.com/).

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  10. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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  11. já ando afastado do mundo bloguístico há algum tempo...
    resolvi voltar aqui e ver o que se escrevia, que mudanças teriam acontecido... enfim.
    começei por um dos meus blogues de eleição.
    sim daniel, trata-se do seu blogue.
    Pelo que pude ler neste assunto que nos trouxe, sobrou-lhe modéstia em larga escala.
    e o "a barriga de um arquitecto"? porque não é ele mencionado como uma das referências?
    modéstia fica bem mas não exagere... se nos fala de estética no quesito gráfico da blogosfera nacional deveria sentir-se na obrigação de mencionar o seu próprio blogue.

    bem sei que não fica nada bem ao autor intitular-se, aos seus leitores, como uma referência. Mas, acima de tudo a verdade, não?

    bom, tenho dito...

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  12. Caro Lourenço
    Isto quer dizer que vai andar por aí? :)

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  13. Não diria estúpidos mas sim ignorantes, ignorância essa que se manifesta nos actos que praticam, estúpidos são aqueles que acahm que a imagem ná um luxo secundário que não merece a devida atenção, era interessante o Daniel perder algum tempo a fazer um POST de forma a encaminhar os interessados em melhorar, pois efectivamente escrever uns posts e preencher caixas predefinidas no bloger é uma tarefa relativamente acessível tendo em conta as facilidades criadas ao utilizador mais comum, agora ter o conhecimento técnico para personalizar um blog através de linguagem HTML não será certamente uma tarefa fácil embora não impossível caso seja dada a devida importância à imagem e à funcionalidade.

    Isto que o Daniel testemunha num estado de de desespero total acontece em muitas outras áreas no nosso Portugal atrasado tal como no cinema, na moda, na música, na arquitectura.

    Cumps

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  14. Obrigado a todos pelos comentários.

    A definição de “blogosfera de referência” é por certo perigosa e presta-se a mal-entendidos. Referia-me ao conjunto de blogs de maior expressão fora do meio, na “estratosfera” como um dia definiu Pacheco Pereira, nos media e em especial na imprensa escrita. Por isso incluí o Paulo Querido entre aqueles que citei.

    A ele me dirigindo em particular, é justo reconhecer que os blogs com maior quantidade de conteúdo secundário são certamente os mais complexos de organizar, não se perdendo a boa leitura e um sentido de coerência visual. Terei todo o gosto em enviar-lhe brevemente por email um conjunto de páginas que poderão servir de guia de boas práticas e uma inspiração ao novo fôlego que deseja imprimir ao seu blog.

    Partindo daquilo que comecei por dizer, reconheço que não me considero, como refere o Bruno, parte da “blogosfera de referência”. A expressão mediática do meu blog equivale ao alcance de um gira-discos de papel. Mas sempre gostei do trabalho de edição que acompanha a construção deste formato; aquilo que aliás me atraiu para esta actividade foi a sua versatilidade.
    Reconheço igualmente os meus limites e não sou um web-designer. Tenho algum orgulho em ter sido o primeiro blog português a utilizar o “template” K2 – “ex aequo” com o Zarp, recordo-me bem!
    Actualmente começo a reflectir na necessidade de rever o formato deste blog, abandonando o querido K2 que tanto apreciei. É um dos “templates” de maior sucesso, mas que agora começa a ser copiado um pouco por todo o lado. Está a chegar a hora de uma revisão ao layout d’A Barriga De Um Arquitecto, talvez coincidindo com a data do terceiro aniversário lá para meados de Dezembro.

    O que está em causa em toda esta questão, parece-me, é uma forma de abordar aquilo que produzimos que é muito comum “por cá”. Amadorismo contra profissionalismo? Talvez! Mas principalmente o modo como tantas vezes somos muito modestos nas ambições e desproporcionadamente arrogantes dos resultados.
    É esse o ponto de partida para o “tom” do que escrevi – mas a interpretação do “tom” no formato escrito, em particular nos blogs, é uma matéria bem sensível e fruto da interpretação de quem lê. Se a intenção é provocadora, não deixa de estar mais próxima de um espírito “tongue in cheek” do que numa crítica amargurada.

    Ao criticar a falta de cultura visual não estou a falar do alto de nenhuma cátedra, denunciando qualquer “falta de cultura” (ponto, como refere o Lourenço)! A maioria dos blogs portugueses são amadores? Sem dúvida. A questão é pertinente e podia levar-nos bem longe na discussão. Quão vasta é a blogosfera portuguesa? Decerto não tanto quanto o universo da blogosfera de língua inglesa, onde os blogs podem ser fontes de imenso “revenue” e constituir um produto altamente rentável. Num meio em que o tempo de atenção é tão curto, o investimento em web-design torna-se a moeda de troca; a mais valia que pode fazer o leitor parar para ficar. E na internet profissional o tempo também é dinheiro.

    Não é disso, portanto, que estamos a falar. O que se trata afinal é do enorme crescimento de qualidade de formatos a que se assistiu na web nestes poucos anos de vida da blogosfera. Um aumento de qualidade que também em Portugal devia fazer-se sentir. Daí a pergunta: qual a razão para a nossa blogosfera de referência não estar a acompanhar essa evolução de forma tão expressiva.

    Se falo do Abrupto é por ser aquele que pôs a blogosfera portuguesa no mapa. E sendo um blog pessoal, não deixa de ser uma página que reflecte um imenso investimento pessoal. Em grande medida, o Abrupto define a fasquia em que a nossa blogosfera é percepcionada para o exterior – e podia ser uma mais valia para estabelecer um elevado nível de exigência, também na construção gráfica, que valorizaria o conteúdo e a credibilidade do universo dos blogs portugueses.

    Não me revejo de todo nesse “aspecto tosco” como imagem de marca. E por isso o pequeno apelo que aqui deixei. Para que sejamos, afinal, mais ambiciosos nas intenções, e mais modestos (ou assertivamente críticos) quanto aos resultados.

    Voltem sempre!

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  15. V. tem razão. Mas esquece (?) que para muitos, ou pelo menos para alguns, isso do design (web ou não) é um mundo alienígena. Coisa para invejarmos, apenas, não para partilhar.

    das causas e isso, razão também. mas aí não há ajuda que resulte

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  16. Boa resposta, Daniel. Tenho pena de não ter tempo para continuar por aqui. Apenas quero esclarecer que o "aspecto tosco" a que me refiro é o "aspecto tosco" de todos os blogues, mesmo aqueles que graficamente mais aprecio. Um blogue, por natureza, terá sempre um aspecto simples e simplista (por oposição aos sites tradicionais). E quando referi o facto de seres arquitecto, não quis insinuar que te estarias a colocar no alto de uma "cátedra", apenas quis lembrar que nós, arquitectos, estamos mais atentos, por defeito profissional, à expressão estética das coisas. Um abraço.

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  17. só acho que falta ai uma referência ao grafismo dos meus blogs, que a meu ver, ao beberem da referência estética da corte de Luis XVI, transportam-nos para fora do nosso próprio eu.

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  18. Boas a Todos

    Antes de mais quero lhe dar os Parabéns pelo seu Blog. Sou um visitante assíduo, não só pelo contéudo ligado à Arquitectura, mas também relativo ao Design utilizado na publicação do conteúdo.

    Quanto ao seu comentário, concordo em tudo o que afirma, também tenho um Blog (http://vila--verde.blogspot.com/) que relata a vida de uma pacata vila Minhota, Vila Verde. Este tem chegado aos quatros do mundo, mais ligado aos países com maiores comunidades portuguesas. E os elogios têm se virado mais essencialmente sobre o Design do Blog e não o contéudo.

    Em suma quero dizer que estamos na "Era da Imagem", onde a imagem é o maior carro de propaganda de qualquer Blog.

    Saudações Bloguistas
    Pires

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  19. ...num ponto estou de acordo:
    o "La Double Vie de Veronique" é uma dos blogs portugueses mais interessantes e atentos no aspecto gráfico.
    (parabéns à dora)

    ...e de certa forma concordo com o que dizes Daniel sobre o Abrupto
    ...sendo que a preocupação com o grafismo também não deve tornar-se uma condição ou obrigação.
    O Abrupto é um blog pessoal, e talvez o desinteresse pelo "design" seja mesmo uma situação decorrente dos interesses/preocupações do autor, talvez.
    Mas não deixo de referir que por vezes este e outros blogs têm no seu "design" (ou melhor, não-design) um inimigo da clareza e apelatividade dos conteúdos.

    abraço

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  20. Eu também visito regularmente A Barriga, mas não foi pelo design que fiquei preso, foi mesmo pelo conteúdo.
    De certa forma também enfio a carapuça do design fraco (ou inexistente), embora o meu blog não seja "de referência". A verdade é que gostaria de o melhorar, mas faltam-me os conhecimentos para tal e o tempo para os encontrar. Acho que é melhor manter um blog com um desenho fraquinho do que deixar de o ter com o pretexto de que tem uma imagem desactualizada.
    Quanto à Double Vie, faz parte dos meus poucos links desde há muito tempo e tem template do grande José Nunes, dos Dedos.
    Já agora, acho bem mais imperdoável a quantidade de erros ortográficos que por aí aparecem do que um mau desenho. A escrever é suposto todos termos aprendido na escola, mas desenho web nem por isso :-)
    Um abraço.
    ZM

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  21. A cultura visual portuguesa é fraca e isso vê-se em todos os campos.
    Querer que o blogue tenha um aspecto gráfico diferenciado é uma questão de exigência, não de falta de orçamento. Claro que o conteúdo é que conta, mas bom conteúdo com design retrógrado ou ineficiente leva a um esforço (visual) em consultar um recurso.
    A preguiça também ajuda muito a manter os templates base.
    No entanto muitos autores são textocêntricos e nunca lhes passou pela cabeça que um texto pode ser lido de formas diferentes de um livro com Arial corpo 10.
    Não me passa pela cabeça só consultar blogues portugueses, aliás, cada vez menos os consulto e leio práticamente tudo no bloglines, pelo que o design acaba por não ser determinante. Mas é um facto que muitos dos blogues estrangeiros que consulto, são visualmente interessantes, pelo que os visito também para além dos RSS's.

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  22. Caro Daniel, começo por agradecer mais uma vez a referência "lá em cima", às insignificâncias que escrevo. Sem falsa modéstia. Infelizmente cheguei aos 38 anos e descobri no blogue que não sei escrever. Mas acredito na aprendizagem, trabalho e treino.

    Arriscando ter chegado atrasado a esta conversa... Concordo plenamente, menos em alguns exemplos (as "referências" -- aliás agora que falamos nisso, tirando o Abrupto eu não as saberia dar).

    Parece-me que mais do que o design, é o cuidado, o gosto, o brio mínimo naquilo que se faz, que acaba por distinguir os blogues. E pelo que se vê, basta às vezes um uso criterioso da imagem para que o blogue com um template standard, se torne de referência.

    Sou um leitor assíduo do Abrupto e considero aquilo um caso grave de falta de design, usabilidade e, muito importante, a encontrabilidade. O Dr. Pacheco Pereira referiu-se uma vez a Portugal como uma fábrica de fealdade, o que pressupõe algum gosto estético. A fealdade chegou à blogosfera e o Abrupto é o seu mais destacado membro e não compreendo isso.

    Remodelei recentemente O Elogio da Sombra. É um blogue que ainda está a começar e a encontrar-se. O conteúdo tem algum foco na fotografia. A questão é que foi um trabalho comercial -- isto é, fui pago para o fazer. Apesar de conhecer o autor, não tinha hipótese de o fazer grátis, porque o tempo grátis está todo ocupado. Acho que o devo mencionar, porque além dos pseudo-blogues de telemóveis e afins, não conheço outro exemplo de um amador ter gasto dinheiro para ir além da mediocridade e da mediania na sua presença na internet. [Utilizei o K2, porque tem uns detalhes que reproduzir seria penoso -- mas disfarça bem, o K2 é versátil, pena estar meio morto]

    Nesse sentido, acho ainda mais confrangedor, tanto profissional e notável que anda a chafurdar na charca sem investir um tostão e, mais do que isso, na convicção que tudo é grátis e tem mesmo de o ser. Azar.

    Paradoxal, os blogues do Público. No início, se me lembro, o provedor tinha um blogue Blogspot, que abria numa "frame", mantendo o logotipo do jornal no topo. Não passou muito tempo até que nos comentários aparecessem os primeiros links para sites pornográfios. Clicando, lá aparecia o respectivo conteúdo, enquadrado pelo logotipo do Público em primeiro plano. Ainda hoje, têm os blogues no Blogspot, embora sem a "frame", suponho que por serem grátis. E falo de um jornal de referência. O diletantismo em Portugal não conhece limites.

    Nesse sentido, tem piada o comentário do Paulo Querido, que se bem entendi é profissional destas coisas da internet. Quer sugestões e propostas, apela para a comunidade -- não entendo. Há quanto anos andará nisto? Não passa por bons blogues todos os dias? O que pretende, vai lá de sugestões e propostas avulsas?

    A blogosfera portuguesa é irrelevante, está sobrevalorizada apenas por uma questão de "estar na vanguarda", por amiguismo e por defesa de causa própria. Mesmo o Abrupto, com as suas 4500 visitas diárias, terá uns 450 visitantes interessados e com interesse, pela própria lógica do Dr. Pacheco Pereira, que 90% da internet é mediocridade (subscrevo); eu hoje tive 55 desses bons, cada qual que faça as suas contas e reavalie o que anda aqui a fazer e porque motivo.

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  23. Agradeço ao Quinta do Sargaçal a referência ao "Elogio da Sombra", efectivamente estou a começar e a encontrar o meu próprio caminho. Iniciei esta viagem nos blogues pelo Blogger e reconheço-lhe algumas valências mas também alguns pontos fracos, os templates são fracos e sem conhecimento básico de HTML é díficil de fazer algo mais do que simplesmente adoptar um template e toca a navegar. Na sua nova versão, que tive o prazer de experimentar a convite do Blogger, as coisas tornam-se mais configuráveis, com uma interface mais simples e assim talvez o design de grande parte do blogues ali armazenados evolua.

    Concordo que partir para a solução que adoptei de partir para um design construído de raiz e pensado para as minhas necessidades não estará ao alcançe de qualquer um, mas conheço pessoas que compram máquinas digitais de 4.000€ e que navegam no Blogger, o que me leva a pensar como é que essa pessoa vai mostrar o trabalho feito com aquela ferramenta, no Flickr e no Blogger?
    E cá há poucos fotógrafos profissionais com bons sites. Ou são bons gráficamente mas as galerias têm sempre as mesmas fotos, ou não são actualizados durante meses a fio ou têm péssimo design mas as galerias são boas, etc. O editor de uma revista de fotografia portuguesa tem anúncios ao seu blogue nessa mesma revista, e vendo o blogue chega-se à conclusão de que sobre fotografia pouco ali existe, design não há e os links para outros sites tem de tudo um pouco, inclusive um para o blogue de "uma garota de programa".

    É isto que queremos da nossa blogosfera?
    Será a quantidade de informação sinónimo de qualidade?
    Muitas visitas e muitos comentários = blogue de referência?

    Os meus cumprimentos e parabéns pelo seu blogue.

    Mário.

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