[editorial]

Segunda-feira

Existem várias razões para se publicar um blogue e são quase todas más. Estou a exagerar, mas um blogue é um passatempo que facilmente se transforma numa obsessão. Penso que foi o Lourenço quem um dia escreveu que um blogue é uma ilusão, a ilusão de ser lido (estou a citar de memória). Não me esqueci mais dessas palavras porque correspondem exactamente ao que sinto.

Na blogosfera os erros são fáceis de detectar: blogues que falam de blogues que falam de blogues; frases parvas por tudo e por nada; opiniões sem substância e reflexão; aqueles testes que não interessam a mais ninguém (que personagem do Sexo E A Cidade é você?); excesso de cartoons; insultar alguém ou discutir sobre os resultados da última jornada de futebol; entre outros.

Exprimir opiniões, divulgar informação, defender uma causa, escrever sobre si próprio(a), publicar poemas ou fotografias, todos os motivos podem ser bons para escrever. Não existe uma razão única para um blogue ter sucesso mas talvez todos os que o tenham partilhem uma razão comum: serem genuínos.
O que mede o valor de um blogue afinal não é a sua visibilidade mediática, a quantidade de visitantes ou a periodicidade dos textos, antes sim a qualidade do que lá se publica.

Uma vez escrevi aqui que este espaço não é especificamente sobre arquitectura mas também não é sobre generalidades. Nos últimos tempos tenho sentido necessidade de voltar ao espírito inicial d’A Barriga De Um Arquitecto. Este blogue nasceu sem imposições de periodicidade ou actualidade; importava-me apenas escrever sobre coisas que eram importantes para mim, reflexões que ia fazendo e que por vezes eram de difícil discussão com outras pessoas por falta de interlocutor. Assim, comecei a registá-las aqui, pelo único motivo de serem consequentes para mim.
Por esta razão sinto que poderei inevitavelmente vir a desiludir aqueles que me pedem para escrever mais vezes. Eu, pelo contrário, tenho sentido exactamente o oposto, que devia publicar menos e apenas quando as minhas reflexões estão devidamente amadurecidas, o que nem sempre acontece quando escrevemos na correria.

Entretanto tentarei compensar com alguma divulgação. Gostaria de dar a conhecer mais sites interessantes, especialmente portugueses. Também tenho alguns projectos em mente como partilhar histórias de antigas viagens (tantas fotos para scanear), publicar desenhos e comprar aquela máquina digital de vez.
A Barriga De Um Arquitecto vai continuar com a serenidade de um segundo fôlego, pelo gosto de escrever e partilhar. Pelo caminho é bom ir conhecendo tanta gente interessante por aqui e continuar a aprender coisas novas, as outras formas de ver e sentir de quem anda por esta blogosfera.

3 comentários:

  1. Para mim um blogue é um caderno de apontamentos, não necessariamente um diário. Não deve ser construido em função dos outros nem com obrigação de periodicidade.
    Pessoalmente escolhi esta forma por me ser mais agradável, embora não dispense o papel... Fico diariamente espantada com as visitas e ainda mais com os que voltam porque penso que o "meu" conteúdo não o justifica. Há muito pouco tempo um amigo perguntou-me "Mas tu tens consciência de que estás na net?" Não consigo compreender os que pretendem "visibilidade" a todo o custo (mi linka, vai! ou retribui a visita e comenta, tá?). Estou portanto convencida que a ilusão me passa ao lado.

    "A barriga de um arquitecto" NÃO é uma ilusão! É efectivamente lido porque a sua leitura é interessante, com conteúdo e com uma variedade de temas ou abordagens que garante aprendizagem e/ou reflexão contínuas. Seja qual for o seu "formato editorial" vai, concerteza, fazer-nos ganhar algo em cada visita.

    Espero que cumpra muitos aniversários com muita qualidade e que receba sempre os parabéns que merece!

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  2. Concordo inteiramente com a "tounalua". Concordo naturalmente com o Daniel. Isto porque, concluo, há 2 tipos de blogs. Há-os nascidos para serem lidos, e há-os nascidos para se escreverem. Eles cruzam-se. Os primeiros levam o seu autor a sentir de forma táctil os seus leitores, e essa interactividade influencia de forma óbvia quem o escreve. Os segundos, como é o caso do meu e do da "tounalua", escrevem-se a si mesmo, mas também estes acho que se disciplinam um pouco por se saberem lidos, pondo um pouco de ordem na anarquia de quem escreve para si, o que os leva também a uma influência positiva.
    Sejam uns ou outros, todos têm em comum uma coisa: ambos propiciem a que possamos enquanto leitores desfrutar de excelentes textos , como este, do Daniel. E pouco me importa que para alguns isso seja visto como um input estatístico.

    Já agora, e como o Lourenço já confirmou, foi no Maschamba que essa frase citada se escreveu, outro daqueles blogues que me levam á referida fruição dos pensamentos e das palavras.

    Abraços e Parabens

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  3. É essa sua forma "de ver e sentir" que apetece.
    Por isso, em vez de parabéns (um ano pode ser apenas uma questão de persistência) quero dar-lhe uma palavra de agradecimento pelos momentos gratos que a sua leitura permite.

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