[realidade roubada]

Quarta-feira



Um texto intitulado Los Angeles: Grand Theft Reality apresenta uma análise sobre a evolução visual dos jogos de computador nos últimos anos e a sua direcção a caminho da criação de mundos virtuais. Comparando o recente jogo Grand Theft Auto: San Andreas com a realidade, o artigo do City Of Sound desenvolve o culto dos jogos de video e a aproximação crescente entre o cinema e os jogos.

Ainda que os visuais dos jogos de computador estejam longe de se aproximar da realidade, começam a ser suficientemente sofisticados para beneficiar de componentes da realidade na sua experimentação (A única forma real de jogar GTA é conduzir interminavelmente, construindo o nosso próprio mapa mental da cidade. Para mim, isto é tal como na realidade). Uma das passagens mais interessantes do texto é a sua comparação entre a realidade exagerada de GTA e a verdadeira Los Angeles, apresentando excelentes imagens – o real contrastado com o virtual.

Apesar das limitações técnicas que existem, é hoje evidente que os jogos caminham rapidamente no sentido de reproduzir mundos simulados que irão concretizar interpretações (artísticas) da realidade, à semelhança daquilo que Michael Mann faz com Los Angeles no seu recente Collateral. Parece-me extremamente interessante este aspecto, de que à medida que tecnicamente nos aproximamos da reprodução virtual da realidade total, a realidade e a virtualidade se separem pela introdução de um elemento artístico, interpretativo, na criação dos mundos dos jogos.

Uma das extrapolações mais interessantes sobre esta evolução é também a dúvida de como tudo isto irá alterar a forma como nos relacionamos com a leitura da realidade objectiva. Se tivermos mecanismos de experienciar em absoluto uma representação virtual da realidade, será essa uma forma de experienciar também a informação (a guerra, por exemplo)? Irá o relato jornalístico ser suplantado pela possibilidade de experienciar em primeira pessoa (first-person) os eventos reais. Experienciar, por exemplo, a nossa imersão virtual na ocorrência de um tsunami? Construir novas memórias de eventos que nunca aconteceram, também eles interpretações simuladas de uma realidade impossível de captar?

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