German kabarett



O cabaret, essa gloriosa instituição genuinamente europeia, era lugar de rebeldia, transgressão e fruição dos pequenos prazeres. Foi igualmente um abrigo seguro ao pensamento intelectual e artístico de alguns dos grandes percursores da modernidade, transitando nas suas várias épocas como palco para a política, arte, sexo e sátira em todo o seu brilho e grandeza. Não surpreende por isso que, num momento alto da sua contundência social, Hitler lhes tenha dedicado a devida importância, atento à proliferação do crescente radicalismo e crítica anti-nazi. Quando ascendeu ao poder, o grande ditador deu rapidamente início à sua campanha para a abolição das artes degeneradas e fez do kabarett um alvo de perseguição. Não é difícil imaginar os bons argumentos que sustentaram a condenação moral dos seus perigosos proprietários, artistas e público, conduzindo uns à prisão, a campos de concentração ou ao exílio.
Quando se fala tanto em liberdade de expressão, choque de culturas e valores civilizacionais, talvez seja bom recordar e celebrar o cabaret, reafirmando que não é motivo de vergonha ter orgulho na liberdade e em tantas das suas manifestações de devaneio, provocação e fantasia.
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A ler:
(1) The German Cabaret;
(2) A Fierce Flower: The Love Story Of Cabaret Culture.
Imagem: Edgar Degas, Cabaret, 1877.

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