Munique



Um Steven Spielberg despido dos seus habituais formalismos é o que encontramos em Munique. De volta a um registo mais documental, à imagem do que já fez em A Lista De Schindler, alcança neste novo filme um trabalho de realismo rigoroso sem simbolismos desnecessários.
Para além dos trunfos evidentes ao nível de produção, na reconstrução milimétrica da época, é um filme que se constrói com as texturas da cinematografia de Janusz Kaminski. As cores pouco saturadas, o grão, a sobre-exposição, ajudam a contar a história de um grupo de agentes israelitas numa missão de retribuição pelo ataque terrorista ocorrido durante os Jogos Olímpicos de Munique em 1972. O que se segue é o seu percurso em direcção a uma espiral de violência, cada vez mais longe de qualquer noção de justiça.
Este novo filme maior de Spielberg é assim, e acima de tudo, um forte documento político, capaz de expor com frieza e distanciamento a lógica de agressão latente ao conflito israelo-palestiniano. As consequências dessa mecânica de violência extravasam muito além dos factos documentados em Munique, como se ilustra numa brilhante ponte visual com os eventos do 11 de Setembro de 2001. Retendo-se de extrair conclusões ou respostas, Spielberg mergulha os espectadores na perplexidade de uma história que parece viver na sombra das ironias do processo político que ainda hoje se desenrola naquela região do mundo e que continua a evoluir, trinta anos depois, sob o signo da maior incerteza.
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Uma última nota para divulgar ainda o fantástico trailer do novo filme de M. Night Shyamalan, Lady In The Water. Dois minutos de magia a fazer ansiar por uma obra prima.

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