Walk The Line



O percurso de Johnny Cash no espectro da música americana é pautado pelas texturas do interior conturbado da grande América rural. Walk The Line procura captar essa mesma dureza vulnerável que é a marca maior do icónico homem de negro.
Um argumento sólido, uma realização honesta, por vezes expressiva mas sem particular fulgor, sustentam este olhar sobre os momentos mais marcantes da vida de Cash e a sua relação especial com June Carter. O que transforma este filme, de outra forma apenas competente, num objecto notável é o conjunto de interpretações carregadas de alma, com destaque óbvio para a presença e as vozes surpreendentes de Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon – ambos premiados com os Globos de Ouro. Depois, são algumas passagens de verdadeiro brilhantismo, de que o momento maior é o concerto histórico gravado na prisão de Folsom e que daria origem ao seu álbum mais popular.
Um bom “filme de actores” resgatado pela presença transfigurada de Phoenix no melhor momento da sua carreira e que assim se revela, mais que um nome “gostável”, uma grande certeza da nova geração de actores do cinema americano.

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