[a vitória do terrorismo]

Terça-feira



Depois da inenarrável prelecção de Dick Cheney, afirmando que se John Kerry ganhasse as eleições aumentariam as probabilidades de ocorrência de um atentado semelhante ao 11 de Setembro na América, é a vez de Vladimir Putin deste lado do oceano se juntar ao coro repugnante dos sem vergonha. Dizendo que os atentados terroristas no Iraque são uma tentativa para enfraquecer a campanha eleitoral de George Bush, concluiu que a vitória de Kerry seria uma vitória do terrorismo, assim preto no branco.
Não é de estranhar que um bandido como Putin deseje a vitória do seu actual homólogo americano. Putin encontrou na doutrina da Guerra ao Terrorismo de Bush toda a cobertura de que necessitava para continuar a levar a cabo na Chechénia uma das mais violentas acções de ocupação militar da História, com 25.000 soldados conduzindo uma guerra aberta que as autoridades russas estão determinadas em fazer prosseguir indefinidamente. A situação é tão mais dramática devido à natureza fechada da guerra em curso, mantida através de um forte controlo dos media por parte do governo russo e da complacência dos parceiros europeus para com a ocupação. Mas o silêncio em que se mantém a situação continuará como um tumor maligno a alimentar erupções de violência no coração da Rússia, de que as acções de terrorismo no Teatro Russo e na escola de Beslan foram significativos exemplos.

Apesar do longo tempo de antena que estações televisivas como a CNN insistem em dar às declarações de Vladimir Putin, ele não exprime minimamente o sentimento europeu relativo às eleições americanas. A maioria dos europeus compreende o que está em causa e sabe que a vizinhança do velho continente, com Bush de um lado e Putin do outro, não augura nada de bom para os tempos que aí vêm. À urgência de remover o grupo de neo-conservadores que controla actualmente a Casa Branca junta-se agora o dramatismo da incerteza perante o empate técnico expresso nas repetidas sondagens. Não haja ilusões. No dia 2 de Novembro estará em causa muito mais que o simples futuro da América.

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